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Crítica: “Eu, Daniel Blake” (2016)

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Lançamento: 2016 
Direção: Ken Loach
Música composta por: George Fenton
Elenco: Dave Johns, Hayley Squires, Natalie Ann Jamieson… 
Sinopse: Daniel Blake é um carpinteiro de cinquenta e nove anos de idade que sofre um ataque cardíaco e necessita do benefício do Subsídio de Emprego e Apoio. Enquanto ele se esforça para superar a burocracia , conhece Katie, uma mãe solteira e seus dois filhos, que para evitar serem tratados como sem-teto terão que se mudar para um alojamento a mais de quatrocentos e oitenta quilômetros de distância da cidade. 
 

Crítica:

No cinema de Ken Loach, o conteúdo sempre está acima da forma. Este filme, que lhe rendeu a segunda Palma de Ouro em Cannes, vai nessa mesma linha, ainda que por vezes trafegue entre o simples eficiente e o simplista até demais. Na história de Davi vs Golias de “Eu, Daniel Blake”, não há espaço para sutilezas: o indivíduo é bom e o Estado é mau. A mensagem é de inegável importância em tempos atuais, mas poderia ser entregue de forma menos maniqueísta.
Ainda assim, o filme se sustenta pelo carisma gigantesco do protagonista, um sujeito comum e de bom coração (a ironia de justamente este ser o órgão que lhe condena ao destinos burocrático é um dos pontos semi óbvios do roteiro). Para algo recente e mais complexo sobre tema parecido, prefiro o francês “O Valor de um Homem”.
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Ken Loach está do lado dos injustiçados e dos oprimidos pela perversidade do sistema capitalista (mas disso a gente já sabia há muito tempo, certo?), situados aqui na cinzenta Inglaterra, mas que podia ser em qualquer parte do globo. O longa é cheio de boas intenções com sua cota de denuncismos via esse realismo social inglês tão peculiar do cineasta. Porém, mesmo desempregado e vivendo uma batalha quase kafkiana contra os meandros burocráticos da previdência social, o protagonista segura sua dignidade e poucas vezes é tratado como um coitado (embora esteja sempre no limite entre o coroa antiquado e o velhinho que não desiste nunca). Tratamento pior de comiseração recebe a personagem feminina, mãe solteira de duas crianças, também deixada na mão pelo serviço social, sendo acolhida pelo nosso herói, mesmo estando ele em má situação (que bom coração ele tem, não?). Esse é o caminho mais fácil na busca pela simpatia do público: quem não gosta de torcer pelos desfavorecidos de boa índole?
Um homem é capturado pela máquina sem coração, onde a decência o faz chorar de alívio. Se as coisas seriam melhores sob a governança de esquerda, é uma séria dúvida. O que precisamos é que as pessoas sejam decentes e não racionalizem a responsabilidade pelos ideais destinados a sufocarem as ideias do povo. 

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Pseudo escritora, artista plástica nas horas vagas. Criadora e colunista principal do site Cinema ATM.

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