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CRÍTICA: EU NÃO SOU UM HOMEM FÁCIL – #originalnetflix com disposição!

Eu Não Sou Um Homem Fácil (Je ne Suis Pas Un Homme Facile) é aquele filme que tem um divertimento leve mas com a ideia que talvez nunca irá sair da sua cabeça, o filme francês #originalnetflix anda recebendo vários elogios por onde está sendo exibido. E como não receberia elogios, pois sendo uma realidade do nosso mundo, mas invertida. 

A historia é bem simples, o machista Damien (Vincent Elbaz) acorda em um mundo onde as mulheres e os homens têm seus papéis invertidos na sociedade, e tudo é dominado por mulheres. Ele entra em conflito com La Coach (Moon Dailly) e uma poderosa escritora (Marie Sophie Ferdane).

 

 

Se engane achando que é uma historia de comedia romântica igual ao nosso brasileiro Se Eu Fosse Você (1, 2 e 3), o mais parecido com algo de uma comédia desse gênero em Eu Não Sou Um Homem Fácil é quando o par romântico entra em cena, mas deixarei para falar deles depois, este não é o foco. 

O filme me lembrou muito de uma frase de O Sol é Para Todos (1962):

Você nunca entenderá uma pessoa até considerar as coisas de seu ponto de vista, até você entrar na pele dela e dar uma volta por aí”.

E o nosso protagonista sente na pele isso, Damien sendo o homem machista sem escrúpulos nenhum – para terem uma noção, até mesmo diminuir o estupro, eles aqui o fazem, coisa que já acontece em nossa realidade. Mas nem tudo será flores, nosso machista que ao sofrer um acidente se distraindo para fazer uma gracinha para mulheres na rua ao acordar se vê em um mundo femista. E não se confunde femismo com feminismo são coisas bem diferentes. Feministas são mulheres buscando a igualdade entre gêneros. Já Femismo é o contrário de machismo, quer dizer sociedade hierarquizada a partir do gênero sexual; baseada em um regime matriarcal.

Damien vê todos os papeis invertido, na classe social, no poder, na economia, na politica, na historia, de cores, de comportamento, de moda, o filme aborda gordofobia e tudo se inverte. É o homem que tem que se vestir para não ser assediado, é o homem que é cortejado, é o homem que sofre o estupro, ele que é o sexo frágil, ele que tem quer se magro, que tem que se depilar e etc. Chega momento do filme que você até sente uma certa pena de Damien… Empatia por já estarmos nessa posição desde nosso nascimento? 

A direção é de Éléonore Pourriat que trabalha muito bem com o roteiro um pouco corrido, mas sem deixar os diálogos de fora. O ponto fraco do filme é no par romântico que se torna algo mal estruturado e desnecessário na trama, perdendo do foco pro outros assuntos, acaba indo pro um lado romântico que foi enfiado no meio do roteiro para tentar trazer um certo equilíbrio, mas não se encaixa. Apesar de que entendemos o conceito dela no relacionamento, foi o único momento que senti o ritmo fraquejar.

O objetivo mesmo do filme é chocar, mostrando outra visão de atitudes que achamos normais, algo “simples” como sermos cortejadas o tempo todo, se preocupar com a aparência e outras coisas que o filme aborda. O filme claramente se inspira em “A Cor da Fúria” ( 1995), trazendo a ideia que não queremos um mundo femista e muito menos machista, mas um mundo igual, com as mesmas oportunidades. A ideia é essa, mostrar que os extremos estão errados e que as vezes só o bom senso e empatia pelo outro já faria toda diferença para evitar o machismo na sociedade.

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