CRÍTICA: EX MACHINA – A ficção psicológica de Alex Garland

Geralmente quando se prepara uma crítica sobre um filme de ficção cientifica, todas as referencias explodem na sua mente e a cada frame você procura por um easter egg ou algo que possa de alguma forma te linkar com alguma outra ficção cientifica que já foi produzida, feita ou pensada.  Mas o ar de Pedro Almodóvar permanece por todo EX Machina de Alex Garland. Pedro e seu A Pele Em Que Habito transformados em uma ficção psicológica, é, digamos que, genial.
 
O filme parece infinito, toda a semana que o personagem passa naquela casa realmente dá a ilusão de um mês ou até mais que se passou ali dentro, talvez para nos dar a percepção de uma rápida passagem ou então justamente o contrário, como as mudanças levam, tempo. O filme foi mostrado em total forma de display, como se tudo estivesse dentro de uma caixa de vidro.
Desde a casa em um lugar distante e exclusivo, aos quartos, ao laboratório, cozinha… Tudo, mesmo nas cenas de ar livre, tudo está fechado, fadado a um circulo de criação sem fim, uma teoria meio louca que se desenvolve durante o segmento do filme, mas é impossível não se sentir preso em algum momento, até mesmo a forma como foi filmado e sua fotografia prática e reta, tudo está fechado, para nos manter essa ideia.
 
O roteiro é algo que de primeira parece simples, um simples código que mantem um simples objetivo, uma história, um começo auto explicativo, um meio com instrução e um fim que pode ou não ser complexo, essa no caso seria a primeira impressão. Mas conforme se desenvolve, conforme os próprios personagens crescem, a ideia para algo mais complexo também cresce, alias, todo o filme trata-se de uma questão evolutiva, não? É persistente essa temática que se torna de alguma forma imparcial com o fato de o objeto em si ser uma inteligencia artificial.
 
Ava, que poderia ter sido interpretada por Felicity Jones, é entregue perfeitamente bem por Alicia Vikander, suas expressões dissimuladas permitem com que a personagem nos manipule ao seu bel prazer, um excelente trabalho da atriz que até então era conhecida apenas por trabalhos de pouca importância, mas que ganhou seu devido respeito com esse longa.
 
Oscar Isaac poderia ser apenas o cientista louco que se apaixona por sua criação e no fim do filme entra em colapso pela rejeição da máquina. Tem um “quê” disso presente sim, mas conforme dito mais acima, existe muito mais na singularidade, não que não existam clichês, sim existem, mas na minha opinião clichês bem apresentados e embrulhados fazem boas ficções científicas. Então o clichê dessa ideia está presente, ainda assim a ideia filosófica que nos permite viajar nas questões da humanidade: Qual é o fator que nos torna humanos? Fora que o personagem, Nathan, demonstra uma resolutiva ideia de aplacar sua solidão com o dito cujo robô. 
Mas a mágica permanece e existem alguns jogos de cintura, como Caleb, muito bem interpretado por Domhnall Gleeson, (About Time, 2013) querendo discernir a realidade, se é um robô ou não, ai temos a influência positiva de Blade Runner e Eu, Robô e o elemento empatia à maquina, que nos remete a A.I – Inteligencia Artificial.
 
Literalmente, é um mind blowing filme. Impossível não perceber a beleza dele, não existem vilões ou mocinhos nessa mais nova cult ficção cientifica. É um filme que pode ou não ser bem visto, daqui a um ano ou agora, mas com certeza tem uma ideia fixa pra lá de interessante, além de deixar questões em aberto nos dando desculpas para assistir outra vez.  É uma dica muito pretensiosa, mas recompensadora.

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Editora, Artista plástica, ilustradora. Criadora e web influencer do site Cinema ATM onde escrevo algumas coisinhas sobre os filmes que assisto.

4 comentários sobre “CRÍTICA: EX MACHINA – A ficção psicológica de Alex Garland

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