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CRÍTICA: FlOWER (2017) – Ou, a síntese da geração YOLO!

Vou começar essa crítica dizendo que aguardava muito Flower pelo simples fato de que Zoey Deutch estava no papel principal. Zoey é uma das minhas atrizes preferidas dessa nova geração, junto com Saoirse Ronan, e ela está incrível no papel. Junto com Joey Morgan (Como Sobreviver a um Ataque Zombie), e os dois juntos levam o filme nas costas. Porém, nem tudo no filme são flores (perdoa o trocadilho e não desiste de mim).

A trama escrita por Alex McAulay e dirigida por Max Wrinkler, trata de temas fortes como abandono, pedofilia, saúde mental e retrata muito da geração de adolescentes que vive a vida como se fosse uma só. A história retrata Erica Vandross (interpretada por Deucth), uma adolescente aventureira criada por sua mãe, que tem que aprender a conviver na mesma casa que o filho de seu padrasto, Luke, recém saído da reabilitação. Os dois viram amigos, e Erica descobre um segredo que mudou a vida de seu irmão postiço, e resolve tentar fazer justiça, se é que podemos dizer assim.

O maior problema do filme é que ele se propõe a retratar questões importantes, mas trata superficialmente de todas elas. Ficou faltando que o roteiro levasse a fundo os problemas apresentados, mas ao invés ele os usa apenas para pano de fundo dos acontecimentos. Além disso, o filme se propõe a retratar uma adolescente com liberdade sexual, mas faz isso tratando a mesma como um objeto na mão dos homens, usando o fato dela dos “enganar” mas fazendo isso a seu favor fosse uma coisa aceitável, mas não é. A liberdade sexual da mulher aqui é usada de forma totalmente distorcida.

Toda essa questão de como a mulher é retratada no cinema (e em todas as outras artes) está em voga nos últimos tempos, e precisamos continuar falando disso, trazendo mais mulheres para a produção de filmes, criando roteiros, dirigindo… Flower é um filme que precisava disso, mas ao invés teve toda a sua produção e roteiro feitos exclusivamente por, adivinhem? Três homens.

O roteiro também peca em sua consistência. A primeira hora de filme passa voando, quando você percebe já se passou metade do longa e pouca coisa ainda aconteceu. O final é corrido, deixa muitas pontas soltas, muitas perguntas. Parece que tudo que havia sido planejado para um filme de duas horas acabou ocorrendo em 30 minutos.

Apesar disso, as atuações estão ótimas! Como dito anteriormente, Deutch e Morgan carregam o filme nas costas, dando vida aos personagens, fazendo com que o filme seja melhor por suas apresentações carismáticas do que por todo o resto. Um salva para Deucth na cena do carro, mais para o final do filme, em que a personagem passa de uma euforia ensaiada para extrema tristeza. Foi lindo! A trilha sonora também é ótima, encaixou bem nas cenas.

Flower tentou ir na onda dos filmes indies de sucesso (alô Lady Bird!), mas acabou não convencendo ninguém, nem a mim, muito menos à critica num geral. E eu ainda fico aguardando o dia em que Zoey Deutch vai sair desse ostracismo de fazer filmes mais ou menos e deslanchar em um grande roteiro, para ela é isso que está faltando, porque talento já tem de sobra.

Sobre o Autor

Juliana Catalão
Estudou cinema no ensino médio, onde foi técnica comunicação social. É a maior fã de Harry Potter e de cantores que ninguém conhece. Recentemente fã de filmes de super herói, mãe do Midoryia de BNHA, editora de livros nas horas vagas.

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