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CRÍTICA: FULLMETAL ALCHEMIST – Live Action não convence!

Esperar que 115 episódios de anime (Saga de 2003 – 2004 + Brotherhood, 2009 – 2010), 4 OVA’s, 2 filmes de animação (The Conqueror of Shamballa, 2005 e The Sacred Star of Milos, 2011), 108 capítulos de mangá divididos em 27 volumes (2001 – 2010) e 10 volumes de Light Novel (2003 – 2010) fossem perfeitamente condensados em 2 horas de Live-Action seria inocência. Mas, ainda sabendo que acumular essa quantidade de informação dentro do filme seria impossível e que muita coisa seria deixada de fora, FullMetal Alchemist (2017) consegue ser uma decepção maior do que antecipada.

Com uma timeline bagunçada onde pouca coisa é explicada e muito é deixado em aberto, o trabalho de roteiro feito no filme é, no termo mais ameno que pude encontrar, extremamente porco. Ainda que tenha sido escrito pela própria criadora da obra, Hiromu Arakawa, o roteiro acabou se tornando um grande monstro de Frankenstein, juntando momentos espaçados da obra numa única timeline para dar ao espectador um gostinho do que se trata a história, porém sem se aprofundar em nada. Para quem conhece a obra, fica fácil preencher os buracos da história, mas fica confusa e vazia para quem for ter o primeiro contato com esse universo através do filme.

Quanto à parte técnica, podemos dizer que ambientação de cenário do filme não é de todo ruim, o interior da Itália combinando muito bem com a imagem que temos de Ametris. O figurino foi muito bem desenvolvido, porém há uma falha incômoda em relação às perucas extremamente mal feitas. Mas, nem os cenários bonitos e o figurino conseguiram salvar a interpretação de alguns atores.

A atuação caricata e teatralizada faz com que se tenha a impressão de se estar assistindo amadores em uma apresentação de cosplay. Ryôsuke Yamada, ator que interpreta o personagem principal Edward Elric, não convence. Em momento algum o ator consegue trazer a carga emocional necessária que o personagem carrega ao longo da história. Com exceção de Dean Fujioka (Roy Mustang), Ryûta Satô (Maes Hughes) e Yasuku Matsuyuki (Lust), todo o restante do elenco parece não ter tido tempo o suficiente para conhecer e entender os personagens, causando assim 2 horas de personagens rasos que não conseguem trazer o espectador para dentro da trama.

Infelizmente, FullMetal Alchemist (2017) deixa muito a desejar, tanto enquanto adaptação, quanto simplesmente como filme. Não é uma boa forma de se entrar nesse maravilhoso e vasto universo de FullMetal Alchemist. E, por mais que a nostalgia e a felicidade de finalmente termos novas adições para esse universo sejam grandes, no final de tudo esse filme chega a ser uma ofensa aos fãs. Assistam por sua própria conta e risco.

Sobre o Autor

Irina Duarte
Escritora, professora, amante da cultura asiática e cinéfila nas horas vagas!

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