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CRÍTICA: HAN SOLO | UMA HISTÓRIA STAR WARS – Não é um filme Star Wars e está tudo bem!

Desde Rogue One, o Universo Estendido de Star Wars nos apresentou camadas e mais camadas das dimensões que essa história tão familiar para nós pode ter. Apostando em uma apresentação nada glamourosa, como estamos familiarizados pelas duas últimas trilogias, incrementamos um senso maior de realismo a essa Odisseia espacial, que nos conta a história de personagens que já estamos cansados de saber quem são. Em Han Solo – Uma História Star Wars , muito do tom “sujo” que gostamos em Rogue One aprece por aqui. Existem todos os elementos corretos desta fantasia científica, mas ao mesmo tempo apresenta essa devida sujeira. O filme não tem medo de entrar na lama para mostrar o que precisa e isso é um elemento muito bem vindo! 
Quando assisti o filme, listei um total de trinta motivos dos porquês o filme deve ser assistido ou não. Não listarei todos, mas irei dividir essa crítica em pontos positivos e pontos negativos. A maior dificuldade desta história no geral é de convencer os fãs do porque eles devem ir ao cinema, ou do porque eles deveriam se dar ao trabalho de assistirem esses filmes em primeiro lugar, então acredito que como uma devida fã de Star Wars, estou no meu papel de crítica explicando que: Han Solo vale a pena a viagem até o cinema, até mesmo o preço do ingresso. 
Um dos pontos que me chamou atenção logo de cara é que esse não é um clássico filme Star Wars. O começo não é como todos os outros, não tem musiquinha, não tem resumo, nada. E nos primeiros três minutos me incomodou um pouco, afinal de contas é uma História Star Wars, mas depois lembrei que: Han Solo caiu de paraquedas no segmento da primeira trilogia. Foi uma coincidência bem grande ele estar ali no bar justamente quando Obi-Wan e Luke precisavam de um piloto que os levasse até Alderaan, então o filme não começar com o tom de Star Wars, faz sentido, até porque ele foi apenas uma jogada de sorte logo no começo. 
O primeiro tom do filme, em tecnicalidade lhe apresenta um ritmo dramático, mesmo com a quantidade de ação logo de cara. A câmera te dá a ilusão de profundidade para lhe apresentar familiaridade com essa história. Personagens que já conhecemos. A direção de Ron Howard é marcante, planos de baixo para cima e perspectivas pesadas, mas ainda assim ele conseguiu capturar aquela velha forma da direção do George Lucas e alguns tons do Kershner ( Império Contra-Ataca) – claro que, muito melhor do que Lucas iria pensar em fazer com a segunda trilogia como um todo, mas deixamos isso de lado por um segundo -. Na parte técnica, não há o que reclamar com Han Solo
Han Solo acontece entre Rogue One e Uma Nova Esperança, até ao mesmo tempo, seguindo a linha de pensamento. Mas mesmo que em Rogue One temos um ritmo contemporâneo, o filme soube encaixar muito bem os elementos que o compõe dentro do Universo Star Wars, por isso que é tão bom quanto. E o que acontece em Han Solo é justamente ao contrário. A história é simples. Jornada do herói. Nada que não tenhamos visto diversas vezes, em diferentes filmes já feitos. A criança que cresce em um ambiente hostil, entra para o mundo do crime com um propósito bom, tem jeito pra coisa, derrota uns vilões que atrapalham seu sonho, e ganha nossos corações por ter um jeito ainda que bom. Viu? Nada fora do comum. E o ponto negativo de Han Solo é justamente esse: Uma história repetitiva que se prende aos pequenos detalhes dos filmes já feitos para se segurar dentro do Universo de Star Wars. Mas as sequências com aberturas de transição de cena e os efeitos especiais são realmente muito bons! Nada de 3D, o que é ÓTIMO! 
Seguindo os pontos negativos, o filme se concentra muito na caracterização especifica de personagens, justamente por ter uma base de história fraca, a personagem de Emilia Clarke é… questionável em sua devida importância de participação, mas temos que ter uma garota, não temos? Par romântico e tal… OK. Entendemos. Sua última revelação do final não chega a “acrescentar” nada e fica apenas, inexpressivo para a história como um todo. Mas ela dá motivação ao nosso Han Solo, então entendemos onde quiseram chegar. 
A pergunta que não que calar. Alden Ehrenreich conseguiu segurar a barra de interpretar Harrison Ford? ( Porque sabemos bem que Harrison Ford é Harrison Ford em todos os seus filmes) – Resposta: EHHHHH então… Meio aqui, meio ali… O filme demora pra pegar o passo. Nem o filme e nem o ator começam confiantes. Eles demoram até o final do segundo ato para realmente pegarem o ritmo da coisa e o filme começar a andar. Ele foi um bom Han Solo? Vou deixar você tirar suas próprias conclusões sobre isso. Mas, a explicação do nome do personagem foi muito bem colocada, seus olhinhos vibrando ao sentar na cadeira de capitão da Millennium Falcon faz aquecer seu coração e sua relação com Chewie foi muito, mas muito bem apresentada. Falando em Chewbacca, o melhor ponto deste filme é a construção de personagem do nosso wookiee! Ver finalmente a personalidade de Chewie fora a amizade dele com Han foi um deleite para meus olhos de fã! 
Mais uma vez acrescentando como um ponto positivo a abertura das camadas do Universo Estendido com a Aurora Escarlate junto ao personagem de Paul Bettany que entrega excelência em atuação, é incrível como eu nunca tenho uma coisa negativa pra falar desse cara. Ele é sensacional. O que nos leva ao nosso querido Donald Glover com seu Lando Calrissian. Prometi uma crítica sem spoilers, mas já adianto, temos toda a razão do mundo para nos tornarmos fãs de Lando e suas capas. Ah, e L3 é uma das melhores personagens (fiquem ligados na participação dela no filme, sério!).
Então, no final, quais são os motivos que deveriam levar você ao cinema para assistir esse filme? Não falamos sobre Força, não há Jedis, Siths, (quer dizer…), nada que entre dentro da natureza Star Wars do qual estamos acostumados, porquê? Porque é um filme de Han Solo, o personagem átipo de Star Wars. Somos levados por esse visual da guerra, essa guerra que nunca chegamos a realmente presenciar, sem glamour, sujo. É raso, mas já conta! Mas Han Solo tem uma pegada moderna com um western que é inesperada! ( O personagem de Woody Harrelson só ajuda nessa questão!). Algumas referências clássicas, cenas enormes pra te prender na cadeira, uma trilha sonora que tem seus momentos, nem sempre acerta em todas as partes, mas quando apresenta o ritmo dos personagens e suas conquistas, voltamos a entender John Williams.

Lembre-se: Não é um filme Star Wars e está tudo bem! Justamente porque é bom, não sendo Star Wars e vale o preço do ingresso! 

 

LIVE COM SPOILERS 

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Editora, Artista plástica, ilustradora. Criadora e web influencer do site Cinema ATM onde escrevo algumas coisinhas sobre os filmes que assisto.

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