CRÍTICA: HEREDITÁRIO – O vislumbre do terror psicológico!

Tendo terminado de assistir a Hereditário, senti como se tivesse assistido dois filmes colados em um só. Dois filmes muito diferentes que, muito por acaso, contêm os mesmos personagens. Não que isso seja ruim, neste caso, e mais importante de tudo, devo salientar que eu gostei das duas partes deste filme. Mesmo assim, chegou a um ponto em Hereditário, onde eu percebi que isso não iria corresponder as minhas expectativas. E assim como A Bruxa, não é esse hype todo que estávamos esperando. Mesmo que seja bom. 
A primeira metade do filme é bastante brilhante. Estava genuinamente em curso para entrar no meu top20 de melhores filmes de 2018 de tão impressionante que é. A história se aprofunda em alguns maneirismos de terror reconhecíveis, especialmente assustadores, mas explora essas áreas de uma forma que poucos filmes de terror fizeram na última década.
Há imagens e visões isoladas, coisas escritas na parede, barulhos desconhecidos, personagens se comportando não exatamente como poderíamos esperar… Não há nada que seja maciçamente original aqui, mas está tudo fora do caixa de uma maneira realmente inquietante. E ainda somos apresentados a um trabalho de filmagem e fotografia realmente impressionante – a maneira como a família parece ser capturada por ângulos e iluminação que parecem exclusivos para eles foi uma idéia inteligente, já que isola a todos, mesmo estando em um “momento” familiar. Nessa ideia a direção de Ari Aster é poderosa.
Então eis que surge Toni Collette. Esse foi o momento em que eu senti a mudança de tom do filme. Eu me agarrei à esperança de que a Hereditário se apegaria à emoção e ao horror humano que existia em sua primeira metade, mas isso não acontece aqui. Eu não acho que seja o caso de Aster se prender aos clichês de terror, embora da segunda metade em diante, clichês sejam a base recorrente. Mas o desempenho de Collette deixa de ser extraordinariamente poderoso e conflituoso para ficar exageradamente apavorante. Mesmo que a atriz trabalhe muito bem, algo se perdeu na segunda metade. O filme perde seu foco de controle principal e acaba parecendo um pouco fraco e sem ponto de final. Começa a alongar pontos desnecessários da história e acaba tudo ficando um pouco bagunçado da metade até o final. 
Aster não se entrega ao jump scare, felizmente, e enquanto ele não consegue acompanhar o tom do primeiro ato, ainda assim, ele não perde de vista a intenção de manter o filme em sua atmosfera de terror. Porque há algo realmente agradável e selvagem no terceiro ato final. Foi emocionante e confiante e faz o expectador criar dúvidas sobre todos os personagens. Ainda me pego pensando em cenas específicas do terceiro ato que me tiraram o equilíbrio! 
Agora eu sinto que cheguei tão perto de assistir a algo genuinamente sensacional e como sou alguém que é irritantemente exigente quando se trata de horror às vezes, ( o gênero não me incomoda, até gosto, mas o clichê e as péssimas histórias me tiram qualquer vontade de ingressar mais afundo no gênero) eu não posso ignorar os pontos negativos, mesmo tendo apreciado em muito os pontos positivos. Agora é esperar com uma expectativa real e animada mais do trabalho de Aster e o que ele nos apresentar no futuro.

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Editora, Artista plástica, ilustradora. Criadora e web influencer do site Cinema ATM onde escrevo algumas coisinhas sobre os filmes que assisto.