ANIMAÇÃO

CRÍTICA: MARY AND THE WITCH’S FLOWER – 2017

Quando as primeiras imagens de Mary and the Witch’s flower apareceram eu logo supus ser um novo longa do Studio Ghibli e minha suposição, embora errada, tinha fundamento: a estética do filme era praticamente idêntica à usada pelo Studo Ghibli em seus longas. Assim, quando o nome Studio Ponoc apareceu em tela, cheguei a ficar confusa por um minuto.

O Studio Ponoc foi fundado em 2015 pelo ex-produtor do Studio Ghibli, Yoshiaki Nishimura, daí já é possível entender o porquê das semelhanças, e Mary and the Witch’s flower é seu primeiro longa metragem.

Mary and the Witch’s flower é uma adaptação do livro The Little Broomstick (1971), da britânica Mary Stewart. A trama segue o cotidiano de Mary, uma animada jovem de cabelos vermelhos que acaba de mudar-se para a casa de sua tia-avó. Sem muito que fazer dentro ou fora da casa, Mary um dia acaba seguindo um misterioso gatinho e encontra um flor rara e desconhecida, que ela decide colher. E é aí que tudo começa: a flor, conhecida como flor da bruxa – daí o título -, dá a menina uma porção de poderes mágicos – que duram apenas por uma noite – que possibilitam que ela consiga acordar uma vassoura mágica, ler escrita bruxa e até mesmo se matricular numa escola de magia.

Em certas partes, a sensação é de assistir um híbrido de Harry Potter com Kiki’s Delivery Service e Howl’s Moving Castle.  Mary, assim como Harry, é vista como especial e apresenta habilidades mágicas incomuns: Harry tem parseltongue, já em Mary a questão é mais genérica e ela apenas tem habilidades mágicas muito mais poderosas que o comum. Assim como Harry, Mary não tem muita noção do que está fazendo em quase 90% do tempo e depende da ajuda de outros para que as coisas deem certo.

Mary tem como companheiro um gato preto, que nesse caso pertence à Peter, um menino do povoado próximo que acaba por se tornar o par – e eu uso a palavra par aqui do modo mais livre e desprendido de significado romântico que você possa imaginar – durante suas aventuras mágicas.

Mary and the Witch’s flower é um filme bom e é isso. É muito bem executado e os cenários são incríveis, com uma alta gama de detalhes, e os personagens são carismáticos e bem construídos. No entanto, ele também tem alguns pontos falhos e um desses certamente é relacionado à estética usada. Olha, eu entendo que você, assim como eu, provavelmente também ainda não está cansado do Studio Ghibli e poderia consumir mais horas e horas de animações de lá, mas o caso aqui é outro: embora Mary and the Witch’s flower tenha uma direção de arte primorosa, o Ponoc é um estúdio novo que precisa caminhaR sobre as próprias pernas e se esconder à sobra do Ghibli só vai fazer mal ao seu desenvolvimento, assim escolher trabalhar com um traço quase idêntico ao Ghibli me parece um tiro no pé, especialmente porque o próprio Nishimura afirmou, na ocasião da criação do estúdio, que gostaria que seus futuros trabalhos fossem o oposto dos anteriores.

Colocando isso de lado, Mary and the Witch’s flower é um filme fantástico, leve, que prende a atenção e que confirma que podemos esperar grandes coisas do Studio Ponoc.

É esperado que o segundo filme do estúdio saia na segunda metade de 2018, então vale a pena se manter atento.

Sobre o Autor

Angélica Menchini
Ilustradora, amante de histórias e sempre disposta a falar sobre animação.

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