O FERREIRO E O DIABO (2018) – CRÍTICA

Apesar de premiado em um festival de filme de terror, não espere levar sustos em O Ferreiro E O Diabo. A trama se passa no século 19, em um vilarejo no interior da Europa e trata mais da relação do homem e sua fé. Enquanto todos temem um ferreiro que pensam ser louco, este enfrenta seus demônios diariamente, de um jeito bem literal. 

O Ferreiro E O Diabo crítica

O Ferreiro E O Diabo ajuda a entender o conceito da verdade em locais isolados, onde a palavra de um homem era o que bastava para que algo fosse certo ou errado, verdade ou mentira. Esta é uma adaptação de um conto milenar, que se acredita ter sua origem na Idade Do Bronze.

Na lenda “original” que encontrei, O Ferreiro só pensava em si e buscava com a ajuda do diabo ser o melhor ferreiro do mundo e percebe que fora enganado. Com a ajuda de Jesus, ele engana o diabo e faz com que este desista de sua alma. No filme, o ferreiro consegue aprisionar o demônio que lhe permitiu voltar da guerra para sua amada, mas não como imaginava. Quando o diabo vêm receber sua alma o ferreiro o prende e passa a torturar o demônio para que não atormente mais ninguém. 

O Ferreiro E O Diabo crítica

Apesar de seu objetivo ser aparentemente nobre, isso exige seu isolamento. Acrescentando ao seu gênio rancoroso, incentiva com que lendas passem a ser criadas sobre sua loucura e atos violentos. A receita do medo com a confiança de serem os justos, ou a simples ganância, leva as pessoas a se virem umas contras as outras. Na principal cena do ferreiro contra homens do vilarejo, ao usar uma máscara, ele busca apenas se isolar e ainda assim é visto como um monstro.  O trabalho de câmera em O Ferreiro E O Diabo é excelente. A ambientação silenciosa atrai a atenção e os efeitos especiais são bem trabalhados. Mas o que falta em geral, é uma história mais elaborada e a propaganda certa. O Ferreiro E O Diabo é vendido como um filme de terror, o que não é o caso. 

O Ferreiro E O Diabo crítica

A apresentação climática, a cenas da floresta coberta em neblina, a apresentação que intercala entre a ferraria e a Igreja, apresenta um novo sentido para a lenda. Nos dando um sentido de que, nem todo ato condenável por uma religião é, necessariamente, mau. Ainda mais quando não sabemos ou entendemos os motivos que levou tão ato a ser cometido. O mesmo se dá para aqueles que nasceram da maldade, de longe impedidos de buscar/ encontrar o bem quando entendem essa mesma possibilidade. 

O Ferreiro E O Diabo crítica

Assista ao O Ferreiro E O Diabo como um áudio-livro de um conto infantil e nem por um instante associe o filme a uma obra de terror. Você pode se divertir com esta nova adaptação de um conto antigo.

ARTIGO REALIZADO PELO COLABORADOR: NERDOLOOUCOS


Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Editora, Artista plástica, ilustradora. Criadora e web influencer do site Cinema ATM onde escrevo algumas coisinhas sobre os filmes que assisto.

13 comentários sobre “O FERREIRO E O DIABO (2018) – CRÍTICA

  1. Jonas Francisco Muniz disse:
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    O filme é muito bom. Relata uma história de sentimento que não é reconhecido na época. A culpa, o receio de perder alguem querida. Gostei muito.

  2. Daniel disse:
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    O filme é uma PORCARIA!! O PIOR FILME QUE EU JA VI NA MINHA VIDAAA… ATÉ MONTRO SA DA MAIS MEDO Q ESSA BOSTA !! PELO O AMOR DE DE DEUS A PESSOA QUE FEZ ESSE FILME COM CERTEZA JA TEM UM LUGARZINHO LÁ NO INFERNO !!

  3. cristiane disse:
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    Por gentileza qual a faixa etaria para a exibição, esse filme foi passado para a turma de 6°ano da escola do meu filho , acabei de assistir com a familiia , achei muito tosco para criancas de 10 anos , e ele nao soube me disser o que foi proposto.
    Att:

    • Dandara Aryadne disse:
      Dandara Aryadne

      Oi Cristiane, então, seria recomendável para acima dos 14 anos por conta da filosofia. É um filme que fala sobre o senso próprio da religião, a subjetividade da fé e como ela se comunica com a gente pelo nosso senso pessoal. Espero ter ajudado!

  4. Nil disse:
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    Um filme diferente que foge um pouco do estilo americano, sem aqueles excessos de sangue e violência. Possuindo uma boa dose de humor e mexendo com a imaginação dos mais religiosos.

  5. Kico França disse:
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    Adorei. Tanto a história como a filmagem sem outro tipo de luz a não ser a dos locais. Indico e divulgo.

  6. Maria Helena DABRIUS disse:
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    Muito bom excelente o filme a fotografia, o fato de originariamente os atores serem bascos e falarem no dialeto basco. A simbologia do medo do rancor, do desprezo ao que é diferente, na vila. É profundo se você se deixar levar, e a inutilidade da igreja totalmente ignorante aos fenômenos que se apresentam.

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