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CRÍTICA: O ILUMINADO – O Stephen King non revival de todos os tempos.

Primeiramente, é justificável que Stephen King não tenha gostado do filme de O Iluminado. O local está lá e o nome dos personagens, mas não é a mesma história e o roteiro que Stephen tinha planejado foi completamente descartado. No livro a família Torrance possui diversos problemas que não aparecem no filme e o gerente Ulman não é o amor de pessoa que aparece no longa.

O diretor Stanley Kubrick possui um estilo único no qual nada em um material é sagrado ou garantido quando cai em suas mãos. Na obra original de King, Jack é um professor de inglês alcoólatra e de temperamento explosivo que o fez perder o emprego e quase a família, Wendy é uma mulher perdida, horas se sentindo uma intrusa na relação entre pai e filho e em outras pensando que deve afastar Jack de Danny  para garantir a segurança do filho e Danny é um garotinho que consegue ver espíritos e os pensamentos dos adultos, mas ainda é muito pequeno para entender o contexto de certas idéias e guarda segredo sobre suas habilidades para não preocupar seus pais.

Kubrick, ao contrário de King, não se preocupa em apresentar todos os detalhes da trama, com cortes de cena que dão a sensação de capítulos e acabam por tornar uma história de terror em um suspense. No filme de O Iluminado, o passado da família não é apresentado, mostrando apenas Jack em busca de um emprego pro inverno enquanto continua a escrever sua peça de teatro. Você demora a perceber que a influência dos fantasmas em Jack é tão grande pela falta do álcool e o medo da mãe em proteger o filho é pelo “incidente” que Jack acaba mencionando no meio do filme.

Apesar de não ser fiel ao livro, O Iluminado como filme está longe de ser ruim. Jack Nicholson dá toda sua personalidade ao personagem com o sorriso(de dentes e sobrancelhas) aumentando junto com a loucura. Danny acaba em um desespero isolado enfrentando os fantasmas sem poder contar com alguma ajuda além de Dick Hallorann que tenta vir da Flórida em seu socorro. Wendy é a pessoa mais perdida no filme demonstrando isso não apenas em suas atitudes, mas até no seu jeito de correr.

Os fantasmas têm o seu momento aterrorizando a família Torrance, pondo Jack contra os outros e assistir as gêmeas com Danny ou o fantasma do apartamento 237 com Jack são momentos de prender o fôlego. Cabe perceber o trabalho de cores acompanhando o estado de espírito de Jack em diversos momentos. Entre formas geométricas isentas de personalidade, penas de pavão que nos fazem esquecer o ambiente isolado do hotel e um vermelho vivo que rouba toda a luz da cena, o cenário é um personagem quase tão importante quanto os fantasmas para se ter a sensação de desprendimento com a realidade.

O Iluminado como filme é uma obra por si só, mas para quem quiser a sensação completa, aconselho ler o livro antes de assistir o filme e perceber como Stephen King colocava em palavras o que Stanley Kubrick pôs na tela e poderá ter sua própria conclusão se o que temos é uma adaptação para o cinema ou algo totalmente novo da mente do diretor.

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Equipe Nerdolooucos
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