O PREDADOR (2018) – CRÍTICA

O PREDADOR – um set de ação alienígena feito para entreter!

Em meados de 1987, nas selvas da América Central, surgiu um caçador implacável. Ele tinha visão de calor, força sobre-humana e…dreads. E, naquela época um dos primeiros a morrer pelas mãos do alien foi Shane Black (diretor de Máquina Mortífera), que retorna à franquia 31 anos depois. Agora como diretor. Ele fez um roteiro para o primeiro filme, naquela época, mas não vingou. Mas mesmo assim, o texto vez ou outra passava em suas mãos para revisão. Agora ele retorna com um novo roteiro e também dirigindo este novo O Predador. O monstro não ganhava um novo filme desde Os Predadores (2010). Porém, o filme é uma sequência direta de O Predador 2 (1990).

O longa original foi protagonizado por Arnold Schwarzenegger, o maior astro da década de lançamento, neste novo O Predador de 2018, não é diferente, o filme conta com um elenco de peso para segurar as pontas. Não que Boyd Holbrook (Logan) não dê conta. Ele manda bem, mas é que falta um pouco (muito) pra ele ser um Schwarzenegger. No filme, ele é Quinn McKenna, um atirador de elite que tem sua missão interrompida pela queda de uma nave vinda do espaço. Ao investigar, ele encontra alguns equipamentos de origem suspeita e perde sua equipe numa luta contra o tripulante alienígena. 

O Predador começa muito bem. Mergulhado em ação. E ali, já se vê que não vão economizar nas cenas violentas, as cenas com sentido mais dramático fica por conta de Jacob Tremblay (Extraordinário) que interpreta Rory, o filho autista do soldado Quinn. O ator segura as pontas no arco mais emocional do filme. 

Por outro lado, o Predador que chegou foi capturado e está sendo alvo de estudos em um laboratório. Nessa contra parte somos apresentados a Casey, a cientista pesquisadora da espécie, interpretada por Olivia Munn (X Men: Apocalipse). A personagem é a mais problemática da trama por se tornar tão rapidamente uma guerreira destemida, fica difícil de comprar, mas sua personagem cresce muito em carisma quando se junta aos lunáticos, um grupo de ex-soldados presidiários que se unem a McKenna na luta contra o monstro.

É nesse momento que o filme abandona a seriedade e foca na comédia. E ela funciona. As risadas são garantidas quando o grupo está em cena. Um destaque especial para Thomas Jane (1922) e Keegan-Michael Key (Tomorrowland). Sensacionais! Em contra ponto, o agente do governo Nebraska Williams, interpretado por Sterling K. Brown (Pantera Negra), que está em busca dos equipamentos extraviados, está extremamente caricato!

O Predador se marca como uma boa construção monstruosa. Ele é realmente ameaçador, mas o filme perde algumas oportunidades para entregar os temos certos de tensão. Quando o Mega Predador aparece na nave à caminho da terra, com os “Predadogs”, imaginei que sairia dali uma sequência de ação incrível, mas na verdade beira ao decepcionante.

Sem contar que falta inspiração no design dos “cãezinhos”. O terceiro ato é um problema. Alguns detalhes da trama são jogados sem cuidados para o expectador. Incluindo o gancho final para uma futura possível sequência.

O expectador pode encontrar algumas homenagens aos filmes antigos. Tanto no ambiente em que a estória se passa (tanto florestas quanto o cenário urbano), no dialogo e na trilha sonora de Alan Silvestri, que traz de volta o tema do primeiro filme. O roteiro tem algumas inconsistências e algumas coincidências.

Mas cumpre seu papel de entreter, com boas cenas de ação e timing certo para as piadas piadas (o que deve desagradar parte da audiência mais tradicional, que sonhava em ver um filme mais sério com o alien caçador) e muito sangue. O ponto forte de O Predador fica por conta das interações entre seus personagens. Nisso, Black demonstra que sempre foi mestre. No final das contas, aconselho que você compre um grande balde de pipoca e se divirta com o filme. Afinal o objetivo principal de ir ao cinema continua sendo esse, não é mesmo?


Sobre o Autor

Guilherme Loureiro
Apaixonado por filmes desde que se entende por gente, carioca, aventureiro por natureza, vai o máximo que consegue ao cinema mas não perde a chance de ficar em casa pra assistir aquele filminho. Projetista e Designer de Interiores nas horas vagas (...err).