CINEMA

CRÍTICA: O REI DO SHOW ( THE GREATEST SHOWMAN)

Escrever sobre sonhos é algo tão estranhamente pessoal que quando os enxergamos diretamente na tela existe uma clara sensação de conforto e liberdade que cria em nós coragem para viver esses sonhos quando estamos acordados. Esse é O Rei do Show. 
P.T Barnum, um homem sonhador, empreendedor, sempre foi pobre, mas muito apaixonado por Charity, a menina rica. Prometendo uma vida de sonhos, depois de casados a realidade chega e ele se vê perdido com duas filhas para criar. Mas uma ideia lhe dá a chance de crescer, arriscando uma falcatrua com um empréstimo no banco ele compra o Museu de Curiosidades e toda a sua jornada começa, nos apresentando a um mundo mágico que apenas ousamos dizer conhecer. A Mulher barbada, o gigante irlandês, a fada do trapézio, personagens mistificados pela nossa própria imaginação neste mundo de fantasia. Passado em uma época especifica da sociedade americana e britânica, O Rei do Show conversa com o público sobre questões atemporais, pertinentes para nós até hoje. Racismo, preconceito, amores proibidos e elitismo social. Nada é tão aberto quanto a plot principal do filme, que a primeiro olhar pode parecer simples, mas conforme o subtexto adentra nosso consciente, nós entendemos o porque essa história é tão importante. 
Não estamos preparados para a grandiosidade musical deste filme, ou melhor, não estávamos preparados para como esse filme iria crescer dentro das telas de cinema. Com uma melodia moderna, mas que ainda nos remete aos clássicos musicais, as letras carregam um significado motivacional e real que lhe deixa ligado a todo tempo em cada palavra e a cada batida, é impossível não se deixar levar por essa força contagiante. O visual está bem adaptado para a época que ele representa, mas sem deixar de carregar bastante veludo, brilho e glamour, típicos de um visual da Broadway, que também influencia nas grandes cenas musicais, onde o elenco interage com cada elemento do cenário, técnica teatral bem empregada. A fotografia trabalha com uma palheta quente, até mesmo nas cenas de sonho que levam bastante azul e cinza, enxergamos o vermelho e o branco, cores típicas de um picadeiro circense. O trabalho de câmera opta por ângulos abertos e frames largos, junto com as construções em estúdio amplificam a sensação teatral com grandes planos sequências internos. 
Hugh Jackman é de fato o Rei do Show, sua interpretação, trata com delicadeza as expressões de P.T Barnum. Ele começa sem pressa, mas conforme ele vai atingindo o sucesso, ele cresce com uma voracidade incrível que Jackman administra como um mestre, nos fazendo lembrar de seus papéis em “Kate & Leopold” e “O Grande Truque”. Assim como um menino, somos levados a sorrir pela fantasia charmosa que habita em seus olhos brilhantes. A extensão vocal de Hugh Jackman chega a ser ofensiva de tão surpreendente, seu preparo de palco está longe de ser amador, o que é bom, ele ainda é capaz de nos surpreender com sua versatilidade fora adaptações em quadrinhos. É palpável saber que ele aproveitou cada minuto dessa experiência. 
Michelle Williams e Rebecca Ferguson são os polares de juízo para P.T Barnum. Michelle como Charity é a mãe, ela carrega a doçura típica de sua personagem, uma Wendy que ama seu Peter Pan com toda a paciência do mundo. Em suas cores azuis que reforçam essa visão, quando P.T perde o equilíbrio, ela o leva de volta ao chão com segurança, resgatando a humildade de sua imaginação. Enquanto que Rebecca é a própria sombra desse menino que nunca cresce, a tentação da ambição. Duas atrizes incríveis que apresentam de forma unificada esses dois opostos com perfeição. Zac Efron chegou para surpreender a todos. Interpretando Phillip, ele nos mata a saudade de seus tempos de HSM ao ouvirmos sua voz, mas são nos momentos dramáticos que o ator nos prova o quanto ele cresceu e isso se reflete muito em sua química com Zendaya, a nossa verdadeira fada do trapézio, que cresceu tanto ao ponto de estar no mesmo hall que as atrizes experientes. O ato musical deles como casal é romântico, doce e com uma letra e melodia que te contagia. Mas o elenco fecha com Keala Settle, uma atriz experiente da Broadway que com sua extensão vocal nos apresenta “This Is Me”, uma peça musical digna de um Tony para melhor Performance! Toda a preparação física em dança e canto do elenco está em alto nível e não a nada aqui a reclamar. 
Mas a maior chave de mensagem deste filme é que, entramos em uma época do cinema em que ser crítico não nos permite aproveitar as obras de arte que estão a nossa frente. Estamos tão presos na arrogante forma de provar nossa opinião com tecnicalidades que esquecemos de ver a mágica se desenvolver e, acima da força, acima da mensagem de igualdade, é disso que eu filme se trata. Um filme que com certeza não irá agradar certos críticos, mas que definitivamente aqueceu o coração desta que vos escreve. Fechando com chave de ouro 2017, O Rei do Show nos faz lembrar o porque ir ao cinema sempre irá valer a pena. 
 
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Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Editora, Artista plástica, ilustradora. Criadora e web influencer do site Cinema ATM onde escrevo algumas coisinhas sobre os filmes que assisto.

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