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Crítica: Oh My Vênus (K-drama)

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Oh My Vênus é um drama sul-coreano de comédia romântica que contém 16 episódios e foi produzido pela emissora KBS2 no período entre 2015 e 2016. Com o roteiro de Kim Eun Ji (김은지).

Sinopse:

Kim Young-Ho (John Kim) é um personal trainer para estrelas de Hollywood. Embora ele venha de uma família rica, ele sofreu um dano devastador em sua infância. Agora, ele tenta superar seus problemas com paciência e obstinação.

Kang Joo Eun é uma advogada de 33 anos de idade. Ela tem lutado para sustentar a sua família. Agora, Kang Joo-Eun está acima do peso e não tem nenhum atrativo em seu visual.

Enredo:

A primeira vez que dei de cara com essa sinopse, tenho que admitir que fiquei meio relutante de começar a assistir. A Coreia é um país conhecido, principalmente, pelos seus altos padrões de beleza e pela falta de limites que uma pessoa se impõe (mesmo que sofra) para alcançar esses padrões. Mas como não tinha nada para fazer e queria ver qual era a forma que esse drama iria tratar de um assunto como esse resolvi dar meus dois centavos e assistir. E tenho que dizer que não me arrependo mesmo dessa decisão. Se você fez nhé para a sinopse, assista ao drama que dá uma mensagem completamente diferente do que parecia a princípio. O enredo é super leve, engraçado e certeiro. Não tem nenhum episódio que você se sinta confuso ou sentindo que esteja perdendo tempo.

No começo ela estava com um namorado de ensino médio, na época Kang Joo era tão padronizada e popular pela sua aparência que era conhecida como a Vênus de Daegu, mas o relacionamento não continua dando certo e a forma como Kang Joo reagiu a isso foi algo que me impressionou muito. Foi demonstrado uma mulher madura reagindo a um rompimento, fugindo completamente dos padrões que costuma (hoje em dia um caso ou outro fogem disso) a aparecer nessas situações nos dramas.

 

A forma como John Kim e Kang Joo se encontram é hilária, e o que mais me impressionou (e me deixou aliviada) não foi que ela se sentiu compelida a emagrecer por fatores estéticos. E sim como uma forma de provar que ela poderia fazer qualquer coisa pela força de vontade dela junto com a descoberta que ela tinha problema de tireoide. A partir desse momento a relação de John Kim e Kang Joo se estreita, já que por certos meios ela consegue fazer com que ele a ajude. E daí surgem várias margens para se criar o interesse romântico.

Outra coisa que me deixou ainda mais feliz com o drama foi que, diferente de muitos outros que a mocinha só fica com o cara depois de passar de patinho feio para cisne, o John Kim se apaixona pela Kang Joo (e faz um movimento) com ela mesmo estando fora dos padrões. E em momento algum ele disse algo sobre ela ser gorda e a estética não agradar, o mais importante para ele era a saúde dela. Algo que ele sente dessa forma por ter passado por momentos complicados devido à saúde.

Atores principais:

So Ji Sub é um veterano no mundo dos dramas e um ótimo ator. Ele manejou o papel de forma convincente, tendo os seus encantos e mesmo John Kim sendo um protagonista do tipo antissocial e frio, Ji Sub sempre consegue deixar algo além dessa coisa clichê de mocinho frio, sem sentimentos que se apaixona. Foi um prazer ver a atuação dele em Master’s Sun (quem sabe eu também faço uma resenha sobre no futuro) e a forma como ele desempenhou seu papel aqui foi ótimo.

A atriz, Shin Min Ah, para mim, foi quem roubou a cena no drama inteiro. Ela conseguiu fazer uma protagonista forte, confiante e madura. Além de dar um toque todo carismático e sedutor quando mais para frente a personagem ganha ainda mais confiança por estar alcançando os seus objetivos.  Detalhe: Era de matar aquelas covinhas dela e o movimento que ela fazia com a mão para o John Kim para evidenciar uma das covinhas. Já havia assistido outro drama com ela (My Girlfriend is a Gumiho) e fiquei realmente impressionada em como ela cresceu na sua atuação.

Pontos fortes do drama:

O auge do drama com certeza foi a incrível química entre o casal principal, você realmente se apaixona junto deles e fica ali torcendo e surtando em cada momentinho dos dois juntos. O John Kim e a Kang Joo formaram um casal maravilhoso, maduro e super divertido. Era lindo de se ver a dedicação que um tinha com o outro.

A fotografia e a produção: Os dramas coreanos sempre tem ótimas fotografias e excelente produção, os locais, as tomadas de cena, tudo é lindo de morrer e te deixa abismada querendo, de alguma forma, viver ali.

Muito skinship, para quem não costuma ver dramas orientais isso pode parecer meio bobo, mas normalmente os dramas costumam ter mãos dadas, um abraço, um beijo sem graça. Mas esse drama ganhou na quantidade de carinho físico entre o casal principal. Principalmente, uma cena de sexo clara. É sempre meio vago em outros dramas se o casal tem essa intimidade ou não, mas nesse não só fica claro que acontece, como também é claro a forma como a Kang Joo toma a iniciativa de querer iniciar o contato físico e sexual também. Algo que para mim foi revolucionário no mundo dos dramas e bato palmas de pé.

Também não posso esquecer de falar sobre os atores coadjuvantes que me conquistaram. Achei incrível o Joon Sung, o lutor de MMA que tinha tudo para ser aquele melhor amigo do protagonista que seria durão, mas na verdade tinha uma vulnerabilidade linda. Ainda mais com a história triste da mãe que ele não pôde conhecer e tenta uma reaproximação com o decorrer da trama. E o outro, Ji Woong (Henry do Super Junior), ele foi aquele personagem super fofo e carismático que te dava vontade de colocar em um potinho e levar para casa. Era ótimo ver a interação dos dois com o personagem principal: John Kim.

A Soo Jin também foi uma personagem que me cativou, no começo pensei que ela seria o clichê de vilã que sempre costuma ter nos dramas, mas o personagem dela foi sendo delineado de forma bem sensível e ficamos á par sobre a motivação dela para determinadas ações. Uma coisa que me deixou um pouco decepcionada foi a falta de exploração no final do drama sobre o caso dela de (evite o itálico se você não quiser saber um leve spoiler) viver em uma sociedade em que ser mãe é tão importante e a descoberta de que ela teria dificuldades de engravidar. Mas adorei a forma como Soo Jin fez as pazes com Kang Joo, ficando muito claro o que realmente tinha acontecido.

O clichê que não foi clichê, nesse drama houve tantas chances de caírem naquele clichê básico dos dramas e o mais brilhante foi que se criou o clichê, mas ele foi resolvido da forma mais racional possível. Nesse drama o que acontece é aquilo que você pensa que seria o mais lógico de se acontecer e fica de uma forma maravilhosa.

Bônus:

Adorei muito como o drama também deu foco na forma como as mulheres são vulneráveis no sistema jurídico e nas delegacias. Isso pode ser um pequeno spoiler, por isso se você não quiser pode pular o itálico: Em determinado momento do drama, Kang Joo está sendo seguida e quase foi assediada. Quando foi depois na polícia passou pela situação que por mais irritante que seja acontece em todo o lugar. O policial não levou a sério a denúncia por falta de provas, mas deixou claro que nem iria investigar falando: “Por que alguém iria assediar alguém como você?”

Como advogada, Kang Joo também se depara com casos que deixam claro como a lei é frágil para a mulher. E outra coisa que pode também ser spoiler então, se não quiser é só pular o itálico é: Como a sociedade vê uma mãe solteira, ainda mais quando essa assassina (acidentalmente) o marido por ele ser agressivo ao ponto de quase matar o próprio filho deles. No final das contas ela foi para cadeia e passou a vida sem o filho por vergonha e por sentir-se uma péssima pessoa com o ocorrido.

A relação da protagonista com a rival, fiquei super impressionada também de como isso foi abordado. Novamente, evite o itálico se você quiser evitar um pequeno spoiler: No final das contas a Soo Jin não tentava sacanear a principal por recalque ou algo do tipo. Mas por um mal-entendido que ocorreu no passado em que ela pensava que a Kang Joo a odiava. Foi libertador ver em um drama coreano que a rival não fica querendo o namorado da outra por inveja ou algo do tipo e só existe rivalidade por um mal-entendido que decorre pela amizade anterior das duas.

Oh My Vênus tem um ótimo enredo, não é nenhum pouco rápido ou maçante de assistir. Os personagens são carismáticos e trata de vários assuntos atuais de uma forma bem sensível ainda mais sendo um drama coreano. Claro, existem certas falhas, mas é algo que pode ser relevado tranquilamente. Se você ainda não viu, eu realmente recomendo que dê uma tentativa e veja se agrada. Gostaria de terminar a crítica recomendando uma OST maravilhosa do drama cantada pelo Jonghyun do SHINee que se chama Beautiful Lady, você pode ouvir se interessar mais abaixo.

 

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Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Pseudo escritora, artista plástica nas horas vagas. Criadora e colunista principal do site Cinema ATM.

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