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CRÍTICA: OITO MULHERES E UM SEGREDO – A maravilhosa celebração feminina da franquia Ocean’s

Eu simplesmente amo filmes sobre roubos e crimes no geral. Existe uma atração inevitável em como um filme nos apresenta a ilusão de um roubo, onde qualquer loucura é possível para conseguir realizar o golpe. Esquecemos que esses homens e mulheres são vilões e torcemos por eles do começo ao fim. É assim com Um Golpe à Italiana de 1969, que recebeu um remake em 2003 como Uma Saída de Mestre, e também a própria franquia de Ocean’s Eleven, próprio remake de Soderbergh, ao clássico de 1960 com Frank Sinatra e Dean Martin. – Esses são meus filmes favoritos de todos os tempos e agora, poder conferir sua versão feminina – FINALMENTE – com um elenco de mulheres que embarcam com nomes das maiores atrizes de Hollywood e novos rostos que não decepcionam é simplesmente INCRÍVEL! – Que experiência senhoras! 
Ancorados por um elenco de destaque, aproveitando cada tempo em tela, Oito Mulheres E Um Segredo (Ocean’s Eight) é um filme bem apimentado e um retorno mais do que bem-vindo à franquia Ocean’s. 
Recém saída da prisão, Debbie Ocean decide seguir os passos de seu falecido irmão e decide roubar um colar vitoriano, direto do acervo das jóias da coroa no baile de gala Met, Para fazer isso, ela terá que trocar o colar com uma falsificação, mas o colar está na posse da famosa modelo Daphne Kluger. Isso então pedirá por uma equipe. Com a ajuda de sua amiga Lou, elas entram em contato com mais seis mulheres para realizarem esse trabalho; incluindo uma analisadora de jóias, uma hacker e uma estilista. 
Todas as atrizes estão deliciosamente divertidas aqui. Nenhuma performance e digna de Oscar, já que temos um elenco premiado, mas esse não é o ponto do filme. O ponto é que elas brinquem com a sagacidade do pensamento do expectador, e é exatamente o que acontece. Cada atriz tem o seu tempo de tela para nos deixar interessados em suas personagens. Mesmo que isso perca um pouco o ritmo do filme, já que essa mesma apresentação e a união da gangue seja o que arrasta a primeira parte, ter uma dimensão das motivações de cada personagem ajudou bastante para que pudéssemos gostar ainda mais de cada uma delas. Diferente da franquia de Ocean’s Eleven, os personagens masculinos não precisam dessa “profundidade” em apresentação pelas características da carreira dos atores que os interpretaram. George Clooney interpretou Clooney, o mesmo com Brad Pitt, então foi fácil associarmos os atores aos personagens. 
Mas aqui, ter uma gama de atrizes que geralmente escolhem seus papéis a dedo, pelo privilégio de serem do rank do Oscar, termos essa apresentação foi algo bem-vindo, mesmo que tenha sido mal utilizada. Sandra Bullock muitas vezes parece acabar no filme errado para ela (seus últimos três filmes foram uma decepção), justamente pela parte falha dos roteiros, mas felizmente Oito Mulheres E Um Segredo está para Sandra Bullock, assim como Da Magia A Sedução está para Sandra Bullock. Debbie Ocean parece ter sido escrito especificamente para ela, e eu não a vejo a vontade em um papel tem muito tempo, então isso é o elemento chave desse filme, o quão confortável as atrizes ficaram em seus papéis (Exceto Sarah Paulson, que interpreta uma mulher hétero….  mas né, depois discutimos isso!) 
Cate Blanchett, Helena e Mindy foram a joia secreta desse filme. Eu esperava um Brad Pitt de Cate, mas me surpreendi com a sua personalidade funky, seus trejeitos próprios e sua voz comandando a cena, cada vez que ela abria a boca. Ela carrega Lou com perfeição. É divertido conhece-la em um papel onde não precisamos pensar na pressão da Academia. É refrescante encarar a personalidade duvidosa e maliciosa de sua personagem por seu olhar irônico e até mesmo divertidamente mal. É Cate Blanchett!
Que mulher!
Helena apresenta sua doce esquisitice no melhor possível, mais uma vez, obrigada por nos dar uma Helena, Helena e não Helena, Tim Burton. Ela é a própria Rose em sua doce esquisitice que é algo próprio e motivador. Agora Mindy! Oh girl! Eu esperava um passo de comédia bem exagerado para Amita, mas foi com tremenda surpresa que recebi um dos melhores trabalhos de Mindy, em sua mais confortável pele. Anne Hathaway é o elo da corrente que segura toda a trama de Oito Mulheres E Um Segredo! Não darei spoilers, mas se preparem! Awkwafina e Rihanna cresceram! E por mim, podem continuar suas carreiras em Hollywood, aguentaram muito bem o tranco de trabalhar com atrizes experientes e premiadas, elas estão prontas para a mesa dos adultos agora! 
Agora, voltando a questão do filme em si – Ao contrário do Ocean’s Eleven, onde você pode perdoar algumas de suas falhas, algumas falhas neste filme podem ser difíceis de ignorar. Primeiro, o último terço do filme, tenta amarrar a parte da vingança de Debbie em seu esquema. Ao fazer isso, não só a última parte perde o ritmo, como também deixa o expectador confuso. Não só isso, mesmo que Anne Hathaway seja brilhante aqui, suas motivações ficaram meio… méh…  E gente, sério, parem de colocar James Corden para atuar. Só parem. 
O outro ponto que deixou muito a desejar foi a locação principal para esse roubo acontece. Em Onze Homens e Um Segredo, Las Vegas se torna a personagem principal, ela com uma personalidade própria ajuda a incrementar a empatia vigarista de nossos personagens principais. Em Oito Mulheres E Um Segredo, somos levados para Nova York e essa mesma empatia brincalhona e vigarista não aparece. Mesmo que tudo seja apresentado da forma mais bonita possível, é como se algo importante, além de roteiro ou técnica, estivesse faltando. Tentar criar essa mesma atmosfera de Ocean’s Eleven em Nova York, não deu muito certo. Mas eu entendi o que o diretor queria dizer, ao apresentar uma cidade mais condizente com o aspecto figurativo de cada personagem, mesmo que não tenha dado tão certo assim. 
Gary Ross, que nos entregou o primeiro Jogos Vorazes e o clássico Big – Quero Ser Grande, não pareceu se preocupar em enquadrar a qualidade visual de Soderbergh aqui, o que era justamente o que todo mundo esperava e mesmo que o filme tenha pontos positivos altíssimos a considerar, marcando como quatro estrelas de cinco, ainda é um filme que entra dentro da franquia Oncean’s, então esperávamos ao menos uma qualidade visual em referência ao trabalho da trilogia ( e original) principal. Espero que Soderbergh decida dirigir Ocean’s Nine
Filmes sobre crimes, bem feitos, sempre compensam! Nos entregar personagens femininas completas, em um filme onde suas individualidades são a chave para solucionarmos os truques é algo que o público feminino esperou por muito tempo, e não queremos parar por aqui! Queremos mais! Então, Oito Mulheres e Um Segredo é um excelente presente. É o tipo de filme que, assim como Onze Homens, sempre valerá ser reassistido e reassistido. Vale cada centavo do ingresso, vale o dvd, vale a compra no streaming, vale o nosso tempo e nos dá aquela motivação extra para uma sexta-feira, o que é todo o propósito! 

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Editora, Artista plástica, ilustradora. Criadora e web influencer do site Cinema ATM onde escrevo algumas coisinhas sobre os filmes que assisto.

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