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Crítica: Os belos dias de Aranjuez ( 2016) – Um monólogo em uma tarde francesa.

Lançamento: 5 de outubro de 2016 (França)
Direção: Wim Wenders
Roteiro: Wim Wenders
Elenco: Peter Handke, Sophie Semin, Nick Cave… 

Crítica: 

O aspecto mais interessante de Aranjuez – e para ser sincera, não há muito mais do que isso no filme – é a implantação de 3D em uma adaptação da peça minimalista de Peter Handke.
A escolha de Wenders para rodar este filme quase experimental em 3D marca Aranjuez como uma extensão de um projeto em andamento que começou com seu último grande trabalho, o fascinante documentário Pina (2011). E assim como Ang Lee com Life of Pi (2012), Wenders parece empenhado em usar o truque agora comercialmente ultrapassado em seus filmes como um modo padrão (uma promessa que os diretores Martin Scorsese e Werner Herzog, que também mostraram interesse no início da década, falharam em manter). O formato de 3D se torna uma expressão em que a dimensionalidade é imersiva em vez de pontuar – e mais importante, não está inerentemente ligada à inflação dos preços dos ingressos.
“Imersão” é de fato a única palavra que eu aplicaria mais confortavelmente a Aranjuez – a competição entre os dois formatos de projeção resultou em sombras filtradas de folhagem dançando em meu colo, uma profundidade inesperada de experiência que não é fundada nas definições de Hollywood. Os sons ambientes do verão, vindos dos terrenos da propriedade do dramaturgo (Jens Harzer) reforçam ainda mais esta sensação, acompanhados pelo zumbido onipresente da conversa dos personagens ficcionais. Caso contrário, o diálogo entre o homem não identificado (Reda Kateb) e Soledad (Sophie Semin) é completamente descartável, uma paródia involuntária do teatro filosófico que se torna mais agravante à medida que se esforça para encontrar padrões ou significado.
Distrações me fizeram especular exatamente em qual ponto se escolhe jogar a toalha para um filme de 90 minutos que opera em um clipe tão monótono. Minha sugestão? Segure até pelo menos a metade (embora o final mostra uma mudança significativa), ponto em que Nick Cave torna-se mais do que apenas uma trilha sonora para reflexões corpóreas do escritor. O Wurlitzer no hall – um objeto de Wenders assinado para ter certeza – é substituído por um piano de cauda. Nesta sequência vívida que remete a Wings of Desire, o autor alemão rompe o seu próprio bloco artístico e deixa um raio de esperança para os seus futuros projetos.

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Pseudo escritora, artista plástica nas horas vagas. Criadora e colunista principal do site Cinema ATM.

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