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CRÍTICA – OS ESTRANHOS: CAÇADA NOTURNA (2018)

A era dos remakes e continuações

Estamos em meio a uma Hollywood estagnada em remakes, continuações desnecessárias e inúmeras adaptações de livros duvidosas, (as adaptações sempre foram bastante duvidosas, mas agora o número aumentou), nesse cenário, poucas produções se destacam como obras em que realmente vale a pena conferir, seja em casa ou no cinema. Infelizmente, esse não é o caso de Os estranhos: caçada noturna (The Strangers: prey at night), sequência de Os Estranhos (The Strangers, 2008) de Bryan Bertino.

Os subgêneros slasher e gore tem um lugar cativo entre o público, dificilmente encontraríamos alguém que não tenha visto pelo menos um dos filmes das franquias Sexta Feira 13 (Friday the 13th) e A Hora do Pesadelo (A Nightmare on Elm Street), que se tornaram clássicos dentro do cinema de horror. Filmes como esses citados, acompanhados de Halloween (Halloween) e O Massacre da Serra Elétrica (The Texas Chain Saw Massacre) nos fizeram vibrar com uma fórmula: mocinhos/assassino/muito sangue/situações improváveis. Os nossos amados clichês de filmes slasher que penduram até hoje.

O problema das produções atuais é que elas usufruem sempre dessa fórmula raramente trazendo algo novo, era inovador décadas antes, mas o público atual não se assusta como o público das décadas de 70/80/90 e também não aceita que o filme tenha somente essa fórmula para ser bom, nós já temos os clássicos. Os estranhos: caçada noturna cai exatamente nisso, na repetição dos mesmos clichês e sem um roteiro minimamente aceitável.

No filme, acompanhamos o casal Mike (Martin Henderson) e Cindy (Christina Hendricks) que decidem mandar a filha rebelde Kinsey (Bailee Madison) para o colégio interno, por isso saem de viagem levando ela e o irmão mais velho Luke (Lewis Pullman), em meio a viagem decidem parar em uma parque de trailers pertencente a familiares, porém a estadia da família é interrompida por estranhos mascarados.

A premissa é bem simples e não existe pretensão nenhuma de ser algo além disso, pelo menos no que diz respeito ao roteiro da produção. Nos primeiros 30 minutos somos apresentados a família, forma de nos fazer criar afeição pelos personagens, por mais desinteressantes que eles sejam, o público precisa torcer pelos mocinhos, aos poucos vamos sendo apresentados aos “estranhos”, porém somente de forma rasa, sabemos que eles estão ali para matar, mas não sabemos suas motivações.

O foco maior fica na filha problemática do casal, que de cara sabemos que será aquela mocinha que nos deixa aflitos enquanto quase morre várias vezes, sobrevivendo no final. Esse subgênero adora uma mocinha que no final da trama vira bad ass e acaba com tudo, particularmente o clichê que mais gosto. Felizmente, dentro de uma enxurrada de péssimas atuações, Bailee Madison consegue minimamente sustentar a protagonista.

Os demais personagens não convencem, nem os mocinhos e muito menos os assassinos, as mortes são rápidas e previsíveis, destaque apenas para dois momentos que podemos julgar como acertos na produção. O primeiro é a cena da piscina banhada a luzes de led, temos uma luta entre Mike e um dos estranhos ao som de “Total Eclipse Of The Heart” da cantora Bonnie Tyler e é a primeira vez durante toda a duração do filme que torcemos de fato para um dos mocinhos. O segundo é a cena final de Kinsey se arrastando pela estrada banhada em sangue enquanto um carro em chamas a persegue, a cena tem a mesma música de plano de fundo. Além da trilha sonora ter casado muito bem com as cenas, outro acerto da produção são os cenários, a atmosfera criada pela escuridão e o deserto do parque dão mais medo que os próprios assassinos.  Na humilde opinião de quem voz escreve, o filme só vale por esses pontos e nada mais.

O filme falha como sequência e falha ao jogar todos os clichês em cima do público sem se preocupar em fazer isso de forma aceitável. Tirando alguns pontos positivos, Os Estranhos: Caçada Noturna é um filme totalmente dispensável dentro do segmento.

Nota: 2

Sobre o Autor

Paula C. Carvalho
Graduanda em História pela UFRRJ e aspirante a crítica de cinema. Viciada em cinema, maratonas de series e viagens literárias.

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