ANIMAÇÃO

CRÍTICA: OS INCRÍVEIS 2 – Brad Bird escuta fãs e entrega uma sequência de ouro!

É oficial. A Pixar conseguiu produzir uma sequência boa que não é Toy Story.

Eu estava realmente com medo de que fosse outra sequência feita em prol de ganhar dinheiro, sem verdadeira alma, como muitas continuações que vemos por ai, que apesar de parecer divertida não causaria nenhum impacto a longo prazo e seria esquecível, como a maioria das sequências da Pixar\Disney
Mas sabe do que mais? Brad Bird fez o favor de escutar os fãs. Ele sabia o quanto nossa geração esperou por essa sequência e a nossa expectativa para que fosse realmente incrível (perdoa o trocadilho) e ele se esforçou para garantir que essa sequência tivesse a mesma magia e grandeza do original, enquanto continuava sendo um ótimo filme por conta própria. E oh rapaz, ele conseguiu.
Aqui estamos nós, quase quinze anos atrasados e Bird provou ser tão versátil com sua visão de super-heróis como desde aquela época. O gênero de super-heróis mudou radicalmente na última década e meia que se passou desde que Os Incríveis saiu em 2004, mas essa sequencia continua exatamente onde o primeiro parou, com o Underminer surgindo do chão com cameo necessário de John Ratzenberger. Finalmente nos é concedida uma visão sobre esse grande cliffhanger que deixou o público clamando por mais por tantos anos. Nada e ainda tudo mudou para Os Incríveis – os anos 60 ainda estão mais vibrantes do que nunca e o público se sentindo em casa. A minha criança interior, que cresceu assistindo esta família de super-heróis, aplaudiu de pé desde o início de sua abertura explosiva eu me vi viciada novamente no trabalho da Pixar
Mesmo que não seja exatamente no mesmo nível do primeiro, há muitos aspectos que são melhores que o original.
O desenvolvimento de cada membro da família (não apenas de Bob) é muito bem trabalhada e fornece muitas piadas laterais que me fizeram rir muito em certas cenas. A animação melhorou muito ao longo dos 14 anos dos dois filmes, mas em momento algum foi o foco principal ou a tecnologia atrapalhou o desenvolvimento da história. A ação me pareceu um pouco mais auto contida do que antes, mas ainda assim um senso de criatividade e imaginação aplicado a cada perspectiva da animação e o medo pela sobrevivência de nossos personagens cria um senso ainda mais afetivo o público para esta família. 
Além disso, o simples fato de que há pouco ou nenhum easter eggs ou referência literal para o original (mesmo tendo algum tom com o ataque de Jack Jack) acabou acrescentando ainda mais fatores nostálgicos em uma pontuação excelente da sequência. O trabalho em equilíbrio com o uso baixo de referência e criação de um material ainda original trouxe mais o equilíbrio de drama, ação e humor que ajuda o núcleo de sua história na perfeição.
Alguns problemas pequenos em relação ao vilão fraco (uma queda grande desde o grande Síndrome do primeiro) e alguns elementos que eu pensei que poderiam ter sido tratados melhor, mas nada disso tirou o puro prazer e a emoção que tive em assistir Os Incríveis 2, deixando minha infância orgulhosa. Obrigada Brad e Pixar! 

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Editora, Artista plástica, ilustradora. Criadora e web influencer do site Cinema ATM onde escrevo algumas coisinhas sobre os filmes que assisto.

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