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CRÍTICA: PAN (2015) – O Peter Pan steampunk de Joe Write!

Já dá pra fechar na mão com os cinco filmes sobre o menino que não quer crescer. Fora as duas animações da Disney – O longa animado de 1953 e a continuação De Volta para a Terra do Nunca, 2002 , a versão moral e encantada de Steven Spielberg com Robin WilliamsHoock” de 1991 e fechando com 2003 com o Peter Pan da Columbia Pictures. – Não vamos incluir “Em Busca da Terra do Nunca“, estaríamos entrando em outro debate – E agora a versão steampunk exagerada, com um tema levado de uma maneira NADA infantil de Joe Wright entrou para a lista consagrada.
Eis a pergunta que não quer calar, já que é um filme a muito esperado no ano desde a adaptação para Cinderela. Vale a pena?  
Pra quê temos a tecnologia em 3D? Ou melhor, porque colocam 3D em filmes que não tem necessidade alguma? Está certo que toda essa premissa steampunk com navios voadores, lutas de espadas, sereias e outros elementos exigem um minimo de efeito especial para que possa nos transportar para o mundo que está sendo apresentando. Mas por que empregar 3D em um filme que de nada adianta, já que mesmo que tenhamos um número enorme de efeitos e itens encantados por todo o filme, uma hora se torna frustrante e começamos a divagar a atenção das interpretações dos atores – principalmente de Levi Miller e de Hugh Jackman, que surpresa, sem garras – Tirando os efeitos especiais de lado, quando pensamos em Peter Pan, temos uma ideia de inocência – talvez seja pelo filme de 2004 -, mesmo que ele não queira crescer, até a personificação de Gancho, nos remete a essa própria inocência, que conhece o mal, mas não sabe lidar muito bem com isso.
Talvez Joe Wright quis apresentar uma perspectiva mais madura, adulta, mas isso deixou o filme fora de equilíbrio, já que uma hora temos a fantasia de toda a ideia, tal como Disney, e por outro lados temos a intensidade da moralidade de cada personagem. Já que esse Peter parece ter tomado uma bomba de esteroides e se transformado em um William Turner de 12 anos.  Não que isso seja necessariamente ruim, afinal de contas não podemos esquecer que Peter é uma criança que luta de espadas contra piratas e outros seres que invadem a Terra do Nunca, mas é mais uma enfase de que o filme não é lá tão infantil assim, diferente da adaptação de 2004, que mesmo com lutas de espadas, ainda podíamos levar para o lado divertido da coisa, tal como a de Robin Williams, mas aqui a coisa é bem séria.
Antes que alguém possa se enganar, Hugh Juckman não é o Capitão Gancho (nessa versão, James Hook é até bonzinho no começo, nos mostra quem ele era antes de se tornar o famigerado Capitão, um dos pontos positivos do filme, criar um passado para o personagem misterioso) ele é Barba Negra, que captura crianças e as explora para sugar sua vitalidade e juventude – a ilha dos idiotas de Pinóquio? – Mas ao meu ver é o personagem mais intrigante do filme, só não ganha para o mais maravilhoso pois o talento de Levi Miller como Peter Pan também está memorável. O roteiro que cabe a Hugh Jackman foi muito bem trabalhando e seu monólogo com Peter é intenso e carrega um tom moral e filosófico muito mais do que uma história infantil. Parabéns ao ator por mostrar sua versatilidade.
Garrett Hedlund com essa ideia de Cowboy de Capitão Ganho não ajudou em nada, ainda mais com essa personificação de todos os filmes americanos sobre o desbravador pela floresta – em um crítica de New York Times ele foi literalmente chamado de Indiana Jones de Neverland – Mas não é a única coisa fora de contexto do filme, já que temos uma princesa indígena guerreira branca, completamente branca, então…
Pan é um bom filme, mesmo que – novamente – coloque a prova essa ideia do absurdo e do exagerado pelo próprio estilo que segue, ficou dependente demais da boa memória daqueles que já conhecem a história para ligar os pontos, poderia ser apresentado como uma versão de Piratas do Caribe + Os Três Mosqueteiros e ai sim alguma coisa que remeta ao que é em si Peter Pan.

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Editora, Artista plástica, ilustradora. Criadora e web influencer do site Cinema ATM onde escrevo algumas coisinhas sobre os filmes que assisto.

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