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CRÍTICA: Patti Cakes

Patti Cakes: As vezes, uma história simples, mas bem embrulhada pode ser tudo o que nós precisamos para nos ajudar a seguir o dia. Aquela famosa frase hollywoodiana nos assombra em nossos sonhos e impregna a nossa realidade com terror:
“Qual é o seu sonho?”
Patricia Dombrowski tem um sonho. Ela quer se tornar uma rapper famosa, mas precisa lidar com a realidade, um avó doente que necessita de cuidados constantes, uma mãe alcoólatra que se alimenta do passado, gordofobia, medo, falta de dinheiro e principalmente insegurança. A educação não serve exatamente pra nada em mundo onde trabalhar é a prioridade, o plano de saúde precisa ser pago, comida na mesa, problemas em cima de problemas que quanto mais aparecem, mais o desejo de largar tudo e sumir confronta a realidade da nossa juventude. Não podemos apenas deixar tudo pra lá e viver nossos sonhos?
Considerado o filme da Eminem feminina, Patti Cakes conversa muito mais com o publico do que a biopic de uma rapper em ascensão. Conversa sobre racismo, a desmitificação de ídolos e principalmente nos recorda que nossos pais já foram uma vez jovens com sonhos que pareciam morrer em prol da realidade. A interpretação de Danielle Macdonald como Killa P apresenta uma doçura e ingenuidade que acrescenta a essa história o tom certo de motivação. Bridget Everett como Barb, a mãe, atingiu  teto com sua performance. Ela se torna uma personagem odiável, mas compreensível, acrescentou uma condição humana dramática muito bem posta para a situação e apesar de !clichê” acertou em cheio. E é claro, não poderia faltar elogios para Cathy Moriarty como Nana, a avó rabugenta. Incrível como nos identificamos com o cinema, não é verdade?
Killa P se tornar a nº 1 Rapper era o resultado do sonho, o maior desafio de Patricia era encontrar a si mesma no meio daquele caos indeferido que era sua vida, entre a descoberta de um amor, o firmamento de uma amizade e a compreensão de sua figura materna, tudo isso refletia em seu espelho, teias que precisavam ser destruídas ou colocada a prova como ato de superação. Assim, a cena final completa o circulo perfeito dessa personagem, onde em sua música ela canta sobre suas dores e esperanças. Em cores verdes neon e amarelo brilhante, Patti Cakes é um hino jovem que exalta a força que precisamos ter para conquistar nossos sonhos. 

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Editora, Artista plástica, ilustradora. Criadora e web influencer do site Cinema ATM onde escrevo algumas coisinhas sobre os filmes que assisto.

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