cinema

CRÍTICA: POR TRÁS DOS SEUS OLHOS (2016)

As circunstâncias em que vivemos constroem nossa personalidade, mas até que ponto ela é mutável ?

Por Trás de Seus Olhos retrata a historia de Gina, Blake Lively, uma mulher que ficou cega logo na infância. Gina e seu marido, James, Jason Clarke, tem uma relação de grande dependência por causa de sua deficiência, mas isso não incomoda nenhum dos dois, ate então. 

Por conta de avanços médicos, Gina consegue voltar a enxergar, e em contra ponto, começa a sentir um mundo que ela havia deixado passar mesmo passando por ele. A visão leva Gina a querer explorar o mundo da forma mais visual possível. Só assim ela percebe como a visão não era apenas 1 sentido que ela não possuía, mas todo um espectro de emoções e sentimentos, e que a falta dela a privava de coisas que não sabia que conseguia experienciar quando era mais nova, e ainda enxergava.

Resultado de imagem para All I see is you

Marc Forster (Diretor) trabalha com a questão da tradução de sentidos, e a inversão da linguagem. O diretor traduz a deficiência da protagonista em imagens turvas, pra transmitir a visão real. Ao mesmo tempo permite que o público saiba (de forma visual) que há uma compensação dos outros sentidos no cérebro da protagonista, por fazer imagens belíssimas, usando efeitos de caleidoscópios, elementos naturais e intensificação de sensações, que transmitem o sentimento daquele momento. Apesar de falar sobre cegueira, o filme se mostra visualmente impecável, mostrando assim a grande importância da visão pra a personagem, e como ela se mostra mais presente na vida do casal e da família em geral, por ter o sentido que faltava em sua rotina.

O roteiro conta com Sean Conway e também é assinado por Marc Forster. A forma como o roteiro é escrito, passa para o público uma carga de responsabilidade no entendimento da historia, pelo fato de ser contido em diálogos explicativos e cenas longas de assimilação. A narrativa pode ser considerada calma, e mais acertada ainda, por não passar a ser arrastada. Desde a primeira cena, o filme já traz o tom que será levado até o final, uma trama escura, silenciosa e dura. Esses aspectos fazem um filme inteligente e aumenta a grandeza da obra. Uma linguagem que consegue nivelar o artístico do técnico com leveza, mesmo envolvendo uma historia de tanto peso.

Sobre o Autor

Eduardo de Paulla
Fotógrafo, produtor audiovisual e colunista no site Cinema ATM.

Deixe seu comentário


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *