PRINCESS CYD (2017) – CRÍTICA A equivalência natural das relações humanas

PRINCESS CYD – A equivalência natural das relações humanas

Princess Cyd é uma produção hollywoodiana dirigida por Stephen Cone que explora as relações humanas de forma coerente e muito natural, em uma narrativa lenta, mas que consegue fisgar a atenção.

Na história, acompanhamos a adolescente Cyd Loughlin (Jessie Pinnick) que por possuir problemas de convívio com o pai vai passar uma temporada na casa da tia, Miranda Ruth (Rebecca Spencer), uma bem-sucedida escritora. Lá conhece Katie (Malic Withe), por quem desenvolve um interesse. O foco principal da trama é a relação que se desenvolve entre Cyd e sua tia, ambas as atrizes dividem o protagonismo da produção. Embora em alguns momentos se de foco na relação de Cyd e Katie, esse foco funciona mais para entendermos as descobertas e questionamentos de Cyd.

Justamente pelo foco principal estar na relação tia/sobrinha é preciso se ater a elas. Cyd é uma adolescente engraçada, alegre, joga futebol e almeja uma bolsa de estudos, possui questionamentos sobre sexualidade como todo adolescente, porém leva isso de forma muito natural, como podemos ver na relação que começa a construir com Katie, o receio do novo está ali, mas não tem um sentimento de algo errado ou não aceito. Esse retrato, ainda nos dias atuais, é difícil de encontrar, um acerto do roteiro. A construção da personagem é interessante quando paramos para analisar o contraste com sua infância, logo nos primeiros minutos da trama somos apresentados a uma cena de assassinato, que no decorrer do filme descobrimos serem a mãe e o irmão de Cyd. A mãe, assassinada pelo irmão que comete suicídio logo após, tudo isso enquanto Cyd dormia. A partir daí entendemos também o motivo dos problemas de convívio da personagem com o pai, que sofre de depressão.  O diferencial da personagem é que não notamos um impacto disso em sua vida, o roteiro prefere não trabalhar a fundo essa questão, optando por seguir a linha da leveza.

Já a personagem de Miranda, uma escritora de sucesso que nunca se casou e vive sozinha na casa em que cresceu, é o completo oposto de Cyd e essa relação de contraste é o trunfo da produção. Miranda é solitária, mesmo repleta de amigos e de certa forma a personagem prefere que seja assim. Tem uma vida pacata e uma rotina, frequenta os mesmos lugares com as mesmas pessoas e não sai da bolha. Isso até Cyd chegar.

Vemos a relação ser construída de forma lenta e despretensiosa. Miranda passa a enxergar aspectos de sua vida de forma diferente e se permitir experiências que a fazem sair da bolha e da rotina, em contrapartida Cyd encontra alguém com quem se sente à vontade para dividir seus problemas e pensamentos. A troca de experiências entre elas é muito interessante de se acompanhar, ambas têm um impacto muito grande na vida uma da outra e é disso que o filme se trata. Os diálogos entre elas são muito bem construídos e pertinentes, além da boa química entre as atrizes.

O roteiro se propõe a algo leve, mesmo abordando assuntos delicados como assassinato, suicídio e abuso sexual, o que o faz pecar. Na busca de se manter leve ele não trabalha como deveria esses assuntos.

O assassinato da mãe, o suicídio do irmão e o impacto que isso trouxe na vida de Cyd não são trabalhados, a tentativa de abuso sexual sofrido por Katie não recebe a devia atenção, é inserido de forma tão rápida que não conseguimos perceber se foi realmente uma tentativa ou se o ato aconteceu.

O caminho que o roteiro escolheu apresenta uma narrativa lenta e sem um clímax, embora possa parecer arrastado, os personagens nos conquistam e acabamos não nos incomodando.

Princess Cyd é uma produção que sabe medir muito bem as doses de drama, é uma boa pedida para quem busca uma produção com personagens verdadeiros e bons diálogos, tudo construído com muita naturalidade e leveza.

Nota: 08


Sobre o Autor

Paula C. Carvalho
Graduanda em História pela UFRRJ e aspirante a crítica de cinema. Viciada em cinema, maratonas de series e viagens literárias.