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CRÍTICA: RODA GIGANTE (2018) -Novo filme de Woody Allen, decepciona!

Eu sou uma fã de Woody Allen desde muito tempo ( APENAS NO QUE SE DIZ RESPEITO AO SEU TRABALHO COMO CINEASTA, SÓ PARA DEIXAR CLARO). Admito que seus últimos trabalhos não estão sendo tão transformadores quanto suas primeiras comédias e seus dramas românticos, mas eu sempre afirmei até este ponto que Allen nunca fez um filme ruim. Isso é, até agora com Roda Gigante.
 
Roda Gigante, é um drama so so sobre um operador de carrossel de meia-idade chamado Humpty e sua desesperada segunda esposa, Ginny. Sua vida de anonimato mundano é colocada a prova com a chegada inesperada de Carolina, a filha de Humpty de seu primeiro casamento. Carolina, ex esposa de um gângster se encontra sem dinheiro e fugindo depois de se transformar em uma informante. Enquanto isso, Mickey, um atraente salva-vidas acaba indo parar na mesma órbita de Ginny e Carolina, tornando-se o motivo de ressentimentos e ciúmes.
 
 
Muito do que você esperaria de um trabalho de Woody Allen está presente dos maneirismos dessa obra. Timberlake preenche todo o espaço com suas neuroses falhas, duas mulheres como margem centram essa trama, Winslet é a mulher desprezada pelas questões mundanas enquanto Belushi representa o retrato do colarinho branco que vive incrementando o senso de malandragem e cafajestice típicos do diretor. No entendo, tudo sobre Roda Gigante é demais e demais e demais, ao ponto de ser cansativo. Os personagens, o que eles sentem e passam soa artificial, sem real conexão – ecos de outras histórias melhores contadas com mais convicção. Uma vez que não há tensão real do elemento do crime do filme, basicamente vemos essas caricaturas amplamente desenhadas divagar, vomitar e sentar; É um ponto de trama para oferecer conclusões.
 

Com nada realmente para agarrar, nenhum tema unificador ou caracterização em camadas, todos envolvidos estão mais ou menos por conta própria. Por ordem de sucesso: o diretor de fotografia Vittorio Storaro faz um maravilhoso trabalho pintando esta pequena peça de teatro com a quantidade certa de luz e cor. O uso de tons naturais, suaves e néon combinados com uma fotografia digital ideal serviu como a única ferramenta com a qual a maioria das emoções trabalham. Kate Winslet também consegue se afastar mais ou menos dessa bagunça inquebrável graças ao poder de uma grande impressão de Ethel Merman. Ela é Mia Farrow de The Purple Rose of Cairo: uma ruiva que ama o cinema (sabemos disso principalmente pelo diálogo do marido, porém, ela só aparece de frente a telona em uma única cena . Ela também é o personagem de Parker Posey do Irrational Man. Mas agora, em vez de Joaquin Phoenix, Justin Timberlake diz que não está interessado em fugir com uma mulher casada. A Ginny de Kate Winslet é uma ex-atriz aspirante (nome do palco: Virginia Delorean). Então, seu personagem se transforma em um cruzamento entre Blanche Dubois, da Vivien Leigh, do Streetcar Named Desire e Norma Desmond, da Gloria Swanson, de Sunset Boulevard. Isso é tudo legal e bom, mas sua personagem não sai do lugar. Se ela é louca, ao menos poderia tê-la deixado livre para expressar a verdadeira extensão da personagem. Dito isso, a cena final de Kate evocando uma Penélope Cruz de Vicky Cristina Barcelona poderá ser engraçada para um tipo de público ou sombria e dramática para outro tipo de público. Ainda assim, não creio que Winslet irá chamar atenção da Academia por esse papel. 
 
 
Finalmente, enquanto alguns acham que o Juno Temple é muito inocente como a esposa do gangster, é justo supor que ela fez o melhor com base no roteiro sem sentido que recebeu. A chegada de Carolina é como aquela de Jasmine em Blue Jasmine. Ela está acostumada a coisas mais finas.  Ela desempenhou o papel bem, e não foi a pior peça que Woody Allen já escreveu para uma mulher. No entanto, seu personagem era um pouco impressionante e ela deveria ser uma coisa muito nova. Não é a parte mais interessante do filme, infelizmente.
 
Mas é claro que, para cada quadro cuidadosamente definido, há um Jim Belushi ou um Justin Timberlake pesando sobre a tela. O personagem de Belushi parece especialmente magro, apesar do surpreendente e excelente trabalho de atuação, você consegue ver que o ator está perdido com a falta de profundidade na parte que lhe cabe do roteiro. Timberlake, por outro lado, simplesmente exala presunção. Toda vez que ele declara poeticamente sobre Hamlet e fala passivamente sobre seu apartamento em Greenwich Village, ele soa como um adolescente mimado de Nova York que não conhece o mundo. Entediante e desnecessário.
 
 
Roda Gigante é o equivalente a ter um armário velho que recebeu uma nova camada de tinta, ser trocado do quarto para a sala. Claro que toda a premissa parece interessante, mas acaba ficando ultrapassado e cheirando a naftalina. É franco, óbvio demais, chato, melodramático e falta quase toda a inteligência e sagacidade que esperávamos de Woody, é difícil de dizer, mas acredite em mim quando lhes digo que Roda Gigante é o pior cenário montado de Woody Allen (ARTISTICAMENTE FALANDO).

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Pseudo escritora, artista plástica nas horas vagas. Criadora e colunista principal do site Cinema ATM.

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