CRÍTICA: SICARIO DIA DO SOLDADO – Sequência perde em potencial de direção.

Independente se você gosta ou não da narrativa original de Sicario, é difícil negar a característica agressiva que o diretor Denis Villeneuve deixou com o projeto, que envolve o público em um suspense e tensão sufocante, retratando um mundo hostil. 
Três anos depois, de alguma forma, encontramos uma sequência que tira o foco da visão de Kate Macer (Emily Blunt) e, em vez disso, a nova história foca na visão dividida da crescente tensão e hostilidade que permeia dois lados dos EUA vs Fronteira do México. Com o recente terrorismo atingindo as ruas da América, é uma ameaça que se encontra ligada à sempre crescente imigração ilegal que está surgindo da fronteira, da qual Matt Graver, de Josh Brolin, foi contratado com sua equipe tática para evocar uma guerra dentro da própria fronteira dos mexicanos como um meio de agir contra o recente contrabando de terroristas para as fronteiras de seu país. É claro que tal plano exige que Matt se reconecte com Alejandro (Benicio del Toro) o trazendo como agente de sua equipe. 
Com os eventos problemáticos e a mentalidade que assola a América e sua relação com os imigrantes, o terrorismo e seu país vizinho, Sicario Dia do Soldado parece como o filme perfeito para refletir essas questões incômodas que cercam ambas as nações. Com o escritor Taylor Sheridan ainda envolvido na construção do filme, ainda há um peso temático persistente que pode ser sentido em cada cena, seja na tentativa do filme de navegar na operação de Matt ou na subtrama do envolvimento de jovens envolvidos com o cartel, há um coletivo coerente de temas que pulsa por toda a trama de Sicario Dia do Soldado.
No entanto, sob a a direção de Stefano Sollima, essa continuaçã, Sicario Dia do Soldado simplesmente não oferece a excelente narrativa que o filme de Villeneuve foi capaz de oferecer. Possivelmente poderia ser o fato de que o roteiro de Sheridan agora se afasta das agendas dirigidas pelo personagem e, em vez disso, mergulha mais fundo em seus temas políticos e sociais, tirando o filme de qualquer sentimento de intimidade dentro de seu suspense e emoção; mas ao mesmo tempo, Villeneuve também provou ser um contador de histórias muito mais inteligente, pois ele retém o público das armadilhas cinematográficas comuns e coloca em primeiro plano seu amor pelo tom, humor e estética.
Sicario Dia do Soldado conseguiu fornecer o suficiente para justificar sua existência? Eu teria que dizer sim, mas é um filme que não atinge completamente seu potencial. Ele consegue, da melhor maneira possível, combinar a estética estabelecida de Villeneuve, mas o roteiro de Sheridan sacrificou uma grande dose de intimidade que teria tornado esse conto mais dramaticamente poderoso. 

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Editora, Artista plástica, ilustradora. Criadora e web influencer do site Cinema ATM onde escrevo algumas coisinhas sobre os filmes que assisto.