CRÍTICA: SLENDER MAN – A má fase do terror Hollywoodiano!

Que Hollywood anda estagnada todos nós sabemos, mas o segmento que mais vem sofrendo com essa maré ruim, indiscutivelmente, é o cinema de horror. Em meio a tantas produções de procedência duvidosa, os fãs do gênero ainda acreditam que podem se surpreender dentro dos cinemas, e a verdade é que ainda podem, como vimos há alguns anos atrás com o começo do universo de Invocação do Mal (The Conjuring, 2013) de James Wan, a produção prometeu e entregou.  Porém, nem toda produção que faz barulho na mídia faz jus a confiança depositada e esse é exatamente o caso de Slender Man – Pesadelo Sem Rosto, filme do diretor Sylvain White que tem como foco uma lenda “urbana” da internet sobre uma entidade que se apresenta como um homem, sem rosto e de braços alongados.

A lenda do Slender Man começou em 2009 quando sua aparência foi concebida para um concurso de photoshop e a seguir histórias foram sendo contadas e viralizadas na internet sobre o homem de braços alongados que entrava na mente das pessoas e as perseguia. A história tomou proporções gigantescas quando duas meninas esfaquearam uma amiga da escola nos EUA alegando que foram ordenadas pelo Slender Man. Com todo o mito que envolve a figura do Slender Man não é surpresa que Hollywood quisesse lançar um filme sobre ele e também que a produção fosse ser aguardada pelos fãs do gênero. O problema é que Slender Man promete muito e não entrega nada, não é bom em nenhum aspecto, seja em criar tensão/ medo, seja em mostrar as armadilhas e perigos da internet. A produção peca em absolutamente tudo.

A história acompanha um grupo de amigas que durante uma festa do pijama resolvem invocar a figura do Slender Man em um site da internet. Após o sumiço de uma delas, passam a suspeitar que o desaparecimento tenha ligação com a entidade. A história é bem clichê: colégio, grupo de amigos, entidade que após ser invocada se dedica a perseguir todas as pessoas do grupo. Já vimos essa fórmula em diversos filmes, porém não é a história batida que prejudica a produção, o fato de não conseguir sustentar nem uma história tão simples é o real problema.

Possui um roteiro raso, mal escrito e previsível, exibe pontas soltas e nenhuma preocupação com o desenvolvimento de seus personagens (ruim mesmo para o padrão de filmes do gênero, ficamos perdidos até em descobrir qual das meninas detém o protagonismo), não convence nem nos efeitos especiais, abusa do uso do CGI, é extremamente repetitivo em suas tomadas (metade do filme se passa na floresta com tomadas praticamente idênticas, é desgastante acompanhar) e o pior: não causa medo, não dá tensão, nem o artifício de assustar pelo barulho funciona bem aqui.

O mais frustrante é saber que a história tinha potencial para muito mais, histórias de terror baseadas em fatos verdadeiros já possuem por si só todo um imaginário, infelizmente esse ponto a favor da produção foi desperdiçado. É difícil apontar algo positivo, poderia ter sido uma ótima aquisição para o gênero, porém Slender Man – Pesadelo Sem Rosto cai no mesmo limbo de diversas outras produções e será facilmente esquecido, aqui o que realmente assusta só a capacidade de assistir até o final sem dormir.

Curiosidades:

Aparentemente a atriz Joey King está colecionando filmes de terror em seu currículo, também podemos vê-la em Quarentena (Quarantine, 2009), Invocação do Mal (The Conjuring, 2013) e 7 Desejos (Wish Upon, 2017).

Houveram muitas controversas em torno da realização do longa, já que remetia ao caso das meninas que esfaquearam uma colega nos EUA e por isso, com o intuito de não exibirem cenas de violência explicita, o filme foi drasticamente cortado.

Nota: 2


Sobre o Autor

Paula C. Carvalho
Graduanda em História pela UFRRJ e aspirante a crítica de cinema. Viciada em cinema, maratonas de series e viagens literárias.