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CRÍTICA: SOBRE MENINOS E LOBOS (2003)

“Sobre Meninos E Lobos” (Mystic River) é um filme de drama noir estreado em 2003, estrelado por Kevin Bacon, Sean Penn e Tim Robbins, com direção do astro de filmes de drama e faroeste, Clint Eastwood.

A história é situada em Massachusetts e se inicia no ano de 1975, onde mostra um evento trágico na infância dos três personagens que o protagonizam, onde uma das crianças é levada e abusada durante 4 dias em cativeiro. O filme toma como ferramenta de desenvolvimento, principalmente, as personalidades e pensamentos dos três protagonistas quanto a esse acontecimento, uma vez que um algo igualmente trágico acontece à filha de um deles, que é brutalmente assassinada.

O filme explora durante toda sua trajetória as divergências filosóficas que conflitam entre esses homens quanto suas reações sobre o fato ocorrido, mostrando por exemplo, como Jimmy (interpretado por Sean Penn) apresenta uma reação mais impulsiva e agressiva do que Sean (interpretado por Kevin Bacon), que possui toda a calma e frieza características de um investigador, fazendo com que eles frequentemente tenham discussões ou embates relacionados ao andamento das investigações.

Além de todos os embates e discussões que levantam questões de moral e justiça, Sobre Meninos e Lobos possui uma estrutura de roteiro que coloca o telespectador tanto sob pressão quanto em dúvida das pistas e investigações levantadas em suas cenas, trazendo uma sensação que o prende a querer saber mais da história e a saber como essa mesma história pode acabar por meio de mínimos detalhes.

Lotado com atuações e frases memoráveis desde os protagonistas que dão um show de emoções, até os personagens mais secundários que possuem menos tempo de tela, trazendo à história um drama e efeito estético quase que exclusivo do filme. Ganha destaque o ator Sean Penn, que recebeu o Oscar de Melhor Ator  de 2004, com cenas icônicas ao gênero dramático. Da mesma forma Tim Robbins conseguiu no filme o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. 

A fotografia escura e os longos intervalos de tempo sem trilha sonora dão ao filme uma atmosfera vazia, passando com sucesso ao telespectador sensações de tensão e drama durante toda a trajetória em que se vai conhecendo aos poucos as diferentes personalidades desenvolvidas pelas situações difíceis com que os personagens foram afetados ou aprenderam a conviver.

A história possui uma estrutura complexa e muito bem trabalhada, levando o telespectador à diferentes linhas de pensamento, as quais o mantêm cativado e disposto a acompanhar o filme a todo momento, para descobrir mais detalhes ou ganhar informações de seu interesse que até então estavam em branco , características presentes em uma boa história do gênero investigativo.

Em sua conclusão o filme gera uma forte sensação de comoção, pois além de possuir um final impactante, os atores representam muito bem o drama que os personagens estão sentindo e jogando um sobre os outros. Os diferentes conflitos que se estabeleceram passam a se chocar com força total ao se aproximar da conclusão, numa necessidade de encerrar de uma maneira ou outra todo o sofrimento que os personagens passam a sentir toda vez que interagem uns com os outros ao lembrarem de seus traumas específicos, gerando assim, cenas de tensão extrema e enorme desconforto ao espectador da história. O filme termina deixando uma profunda reflexão de como tudo poderia acontecer se ao acaso fossem mudados detalhes específicos da história, mas acima disso, essa formula estimula quem assiste à imaginar sua própria reação no lugar de qualquer um dos personagens.

O filme não deixa a desejar em quase momento algum, todos os debates e cenas são colocados de maneira muito bem feita. Todos os atores fizeram seus específicos papéis com maestria e passaram sentimentos diversos em grande parte das cenas. O roteiro é montado de maneira minuciosa e rica em detalhes, agradando qualquer amante do gênero de investigação no cinema.

Sobre o Autor

Bruno Lucena
Fã de Pink Floyd e pizza. Leitor ávido e nas horas vagas gosto de conversar sobre os filmes que assisto.

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