SONHOS DE UMA NOITE DE VERÃO (1999) – CRÍTICA

Minha mãe simplesmente, AMA comédias românticas dos anos 90. Então, obviamente que me vi crescendo em um ambiente cercado por Julia Roberts, Richard Gere e George Clooney. Foi assim que assisti ao clássico da Sessão da Tarde “O Casamento do Meu Melhor Amigo” e ganhei uma fascinação por Rupert Everett além da conta.
Me dei a missão de assistir a todos os trabalhos que ele havia lançado e nesse caminho, eu encontrei Sonhos de Uma Noite de Verão, a minha peça favorita de Shakespeare, o que me deu ainda mais prazer, foi saber que ele é Oberon, a figura ironicamente cética do Rei dos Duendes, que propaga o amor, mas foge dele. Michelle Pheiffer como a Rainha Titânia, nossa credibilidade cega  nessa esperança romântica em que vivemos. Ou seja, achei a minha mina de ouro em filme.
 
Em uma trama que para muitos pode parecer confusa, Shakespeare fala sobre corações partidos, esperança e o amor iludido nessa incrível comédia de um humor amargo. O Oberon de Rupert Everett é sexy, romântico e impossível. O Conde, Senhor e Rei dos Duendes e das criaturas da terra é sórdido, sonso e está sempre disposto a uma boa brincadeira. Everett retirou toda a “seriedade” cômica de Shakespeare e a levou para um nível onde, com seu diálogo pesado, explica que suas intenções, por mais sujas que possam parecer, sempre estão a disposição de ajudar aqueles de coração partido. Elegância e circunstância. Meu tipo de anti-herói romântico favorito. 
Sonhos de Uma Noite de Verão crítica cinema atm
Michelle Pheiffer se encaixa perfeitamente como Titânia pelo seu olhar. Existe algo nessa atriz, que já interpretou diversos personagens icônicos, que nos carrega sem medo para dentro dessa incrível e mágica atmosfera que existe na direção de Michael Hoffman.
Essa autoridade encantadora e gentil que existe em Pheiffer a classifica como a atriz perfeita para interpretar a Rainha das Fadas. ( O mesmo acontece em Um dia Especial com a atriz e Clooney, também dirigido por Hoffman, talvez essa seja o motivo pelo o qual ela foi escolhida para o papel). Sua Titânia representa a fé, a fé nesse amor iludido que transforma burros em gentis príncipes encantados, mas que com o tempo se esvaece em realidade. 
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Os quatro personagens principais dessa confusa história de amor são a clássica montagem shakespeariana. Hérmia e Lisandro, o casal ‘Romeu e Julieta’, que são entregues ao acaso da realidade. Fugir não é de longe tão romântico quanto parece. Demétrio e Helena são os personagens chaves dessa montagem sátira do amor. Demétrio na perseguição de um amor que não lhe corresponde por conveniência ou costume e Helena, na perseguição cética de um amor, do qual ela não se acha merecedora.
O verdadeiro momento vem quando ela percebe que seu valor é muito mais importante do que um amor apenas falado, o que transforma todo o curso de sua personagem. Existe obviamente a problematização desses personagens, mas a força feminina nessa peça de Shakespeare é tão bem reforçada, até mesmo por Hipólita a princesa noiva de Teseu, que isso passa. 
 
Stanley Tucci como Puck  representa o ‘disse e me disse’, a fofoca, brincadeira e mentiras que existem no dia a dia de um casal. Ele está de longe em ser o sátiro engraçado de sua posição, mas Hoffman o retratou como um ajudante desajeitado, irônico e canalha que graceja com o público uma verdade universal sobre o amor: que nada é assim tão poeticamente perfeito. 
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A direção de Michael Hoffman, a cinematografia de Oliver Stapleton e a trilha de Simon Boswell com a ambientação do bosque onde tudo acontece cria para o expectador o verdadeiro tom de uma fantasia teatral, montada em um palco central de árvores e fadas. Cada momento, do início ao fim, é uma obra, novamente, mágica e encantadora sobre essa indulgente peça de William Shakespeare.  Sonhos de Uma Noite de Verão crítica cinema atm

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Editora, Artista plástica, ilustradora. Criadora e web influencer do site Cinema ATM onde escrevo algumas coisinhas sobre os filmes que assisto.

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