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CRÍTICA: STAR WARS THE LAST JEDI

Foi preciso respirar bem fundo, chacoalhar o corpo e tentar pensar de forma racional para que essa critica não saísse passional demais e só fosse expressões de prazer e alegria por esse incrível episódio 8 de Star Wars: The Last Jedi. 

“The great Theacher, Failure is” – Yoda 
Somos apresentados a historia do ponto onde o último filme nos deixou e assim como voltar para casa depois de um dia cansativo, nem ao menos pareceu que um ano havia passado desde que voltamos a tela para assistir o ressurgimento dessa franquia. Como uma teia de aranha, a historia se desenvolveu de forma clara para os fãs que em meio as referências visuais encontraram o centro desse labirinto formado pela Força. Rey finalmente conhece Luke e seus porquês, Poe, Finn e a nova adição Rose, lutam ao lado de Léia para restabelecer a força Rebelde à Republica, Kylo/Ben precisa lidar com suas forças emotivas em prol de conquistar seu lugar por direito ao lado ou a frente de Snoke, se provar ao mestre. Claro que essa é apenas a primeira linha que seguimos durante os cinco minutos iniciais do filme. Mas, como a mágica de Star Wars está em seus detalhes, conforme a trama se desenvolve percebemos que por trás das cenas existe uma teia insistente que apresenta a história de forma concisa, mesmo que moderna. 
Luke Skywalker está para Rey assim como Yoda está para Luke Skywalker. Essa referência ficou bem clara. A maneira como Luke se dá com a Rey reflete muito no treinamento intensivo que Luke recebeu do pequeno grande mestre, claro que adicionamos muitos pontos novos e modernos para a saga, em um ilhéu, Luke explica para Rey, pela primeira vez em sete filmes, o que a Força realmente é. A forma como ela age, seu propósito e ideal de equilíbrio, bem e mal, vida e morte. Sempre ficou implícito e ditado, mas ter uma base literal para os novos fãs foi um adendo muito bem vindo. O roteiro pode ser “down to heart” demais para os fãs que estão acostumados com uma fala mais tradicional aos outros filmes da saga, mas tudo é tão bem encaixado que isso não interfere em nossa recepção. Somos lembrados de que apesar de ser Princesa, General, Senadora, Léia também é uma fonte da Força, assim como Luke ela também é “Uma Nova Esperança”, então poder presenciar a Princesa utilizar a força foi algo realmente épico para sua personagem em mais de quarenta anos de Star Wars
Luke acompanha Rey a sua típica “jornada do herói”. Ele, um mestre que se fechou para a Força, desacreditado em sua própria arrogância encontra essa jovem destemida, resiliente que está disposta a lutar até o fim para encontrar seu propósito. Ele é o mestre que fracassou, ela é a aprendiz que irá mudar tudo isso. A aparição de Yoda para Luke foi apenas uma afirmação de que o próprio treinamento de Luke estava incompleto, ele acima de tudo ainda era um mero aprendiz. Rey, apesar de ingênua, consegue cativar a vontade em Luke de enxergar a mudança e confronta Luke em sua arrogância. A ligação que Rey possui com Kylo é uma aplicação prática da própria Força. O equilibrio entre dois polos. O bem precisa existir para o mau, e vice-versa. Claro que isso só fica aberto para os fãs, os personagens ainda precisam entender isso conforme sua força emocional e perceptiva se desenvolve agora que eles encontraram seus lugares em prol a galáxia. A parte da hint do “interesse” “amoroso” de Rey para Kylo foi muito puxada e um pouco exagerada, mas deixamos isso pra lá quando que no final, ao se apresentar para Poe, Rey escuta um “I know”, então por conspiração de subtexto, ele sendo um piloto e seguindo a receita pré-pronta da saga, é bem possível que nosso futuro casal esteja ai. Afinal de contas, além de politica, Star Wars é uma história de amor. 
Falando em novos casais, Finn arrumou um interesse amoroso em Rose. A questão é: A personagem foi adicionada para isso ou ela será um adendo importante no próximo filme? Realmente espero que seja a segunda opção, já que Poe, ela mesma e Finn se mostraram essenciais para essa nova fase da armada Rebelde, demonstrando força e pensamento de liderança! Poe cresce como um futuro líder da Resistência e Finn, ao destruir Phasma, marca seu lugar como seu braço direito, assim como Rey tomando o controle da Millenium Falcon ao lado de Chewie que agraciou os fãs, herança de Han Solo está em boas mãos. Falando em referências, coisa que todo fã gosta de ouvir, vamos ao Império Contra Ataca, na base de treinamento de Rey e sua relação com Luke partindo da relação de Luke e Yoda, envolvendo diversas questões politicas, assim também como o decodificador traindo Finn e Rose como Lando traiu Leia e Han, Rey atravessa sua “caverna” como Luke fez ao treinar com Yoda, (ela ser refletida pelo espelho de gelo pode ser uma referência ao Luke ser refletido em Darth Vader? Pode ser, ou apenas uma afirmação de que Rey é nascida da Força e não com pais miseráveis como o Kylo lhe fez acreditar), passando para o Retorno de Jedi, A Vingança dos Sith e Ameaça Fantasma: O roteiro está bem dividido entre a questão da Força e a Politica. Estabelecer uma campanha Rebelde e destruir a Primeira Ordem, assim como fazer ressurgir a Ordem Jedi para estabelecer o equilíbrio destruído pela Primeira Ordem, governada por um Sith. Outra referência clara ao Retorno de Jedi é quando Snoke mostra a Rey pela “janela” a armada rebelde sendo destruída dizendo a ela para “completar seu treinamento e cumprir seu destino”. (Foi emocionante, devo assumir!). 
Adam Driver mostrou um excelente controle emocional para as explosões de Kylo, seu olhar direciona todas as emoções. Ele como um jovem sith Anakin Skywalker é emocional, passional, mas ao destruir Snoke, como Vader destruiu o Imperador, ele foi além de Vader, ele tomou o controle, ao dominar o General Hux com o clássico truque da respiração Sith, Ben Solo morre e Kylo Ren finalmente nasce em poder. Acredito que no próximo filme ele fará a verdadeira menção a Vader ao aprender a controlar suas emoções e aparentar a calma e tranquilidade tipicas do Lorth Sith de referência. Apesar da morte simples de Snoke, ele morreu como um vilão secundário o que já era de se esperar, morto pela sua própria arrogância. Uma lição para Kylo que ele com certeza não irá aprender, já que a ironia está ai. 
E finalmente, a última cena a ser lembrada com glória, Luke tendo seu final assim como seu começo. Em Tattoine ao por do sol dos dois sóis, Luke Skywalker se torna um homem, e assim chega o seu fim, com sua música tema, ao pôr do sol, Luke se entrega a Força e se torna parte dela. Uma experiência cinematográfica que valeu cada centavo do ingresso. 
Tirando alguns pontos negativos como o exagero cômico do roteiro e o final apressado, Star Wars The Last Jedi se tornou, depois de O Império Contra-Ataca, o melhor filme de sua saga. Efeitos especiais de primeira qualidade, reforçando de forma real o 3D com sua quebra da 5º parede em ângulos de câmera, a trilha sonora presente em todos os momentos acentuando cada cena, a simetria presente em cada frame nas cenas em amplitude, elenco, composição de cores e fotografia… Tudo um adendo a mais nas estrelas de ouro que Star Wars vale. 
O filme termina com a resistência se reconstruindo, Rey sabendo seu propósito, a Força despertando pela galáxia e assim como em O Ultimo dos Moicanos o fim de uma Era Jedi para o renascer de uma NOVA esperança. Realmente, um filme que vai entrar para história. 

– Crítica em memória de Carrie Fisher, nossa eterna líder – 

 

ROGUE ONE A STAR WARS STORY – Crítica – AQUI 

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Editora, Artista plástica, ilustradora. Criadora e web influencer do site Cinema ATM onde escrevo algumas coisinhas sobre os filmes que assisto.

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