CRÍTICA: THE NICE GUYS (2016) – Uma surpresa absurdamente boa!

Não é sempre que podemos explorar esse lado de Russel Crowe, acompanhado de um soco inglês, charuto e punchlines tipicas de um cult besteirol americano. Pega essa formula, incrementando com a tenacidade de Ryan Gosling para comédia e pronto, nasce The Nice Guys

Em uma Los Angeles da década de 70, quando a industria pornô está em alta, uma atriz pornô é morta. Do outro lado da cidade, uma jovem está sendo vigiada por um homem e pede ajuda para um “assessor” particular. Tudo isso converge para o sequestro de uma jovem rebelde, filha da Chefe do Departamento de Justiça americano. Agora, como tudo isso pode incrementar nossa história? Simples. Com bastante álcool, palavrão, socos e uma moral duvidosa, dois detetives particulares se unem para conseguir resolver essas questões, tudo de uma vez só. 

Russel Crowe pode ser uma surpresa. É, realmente, quase nunca que podemos explorar seu lado da comédia, junto com a clássica pose de policial bad ass. Ele criou seu arquétipo de papéis dentro de Hollywood e por assim ficou por muitos anos. Mas, diferente de Robert De Niro, que chutou o balde – e não de uma forma positiva – Com The Nice Guys, Crowe ainda consegue manter sua trajetória de ação e complementar a veia cômica de Gosling, fechando a dupla com uma excelente química na tela. Toda essa pose de Crowe, para Healy, se transformou em uma excelente referência para sua própria carreira, onde seus papeis sempre transitavam entre o linha dura, até o mais sensível dos papéis. 

maxresdefault

Para um projeto que poderia soar apenas um simples “buddy movie”, como na franquia Bad Boys ou até na ideia original de Oceans 11, The Nice Guys consegue quebrar essa parede de montagem e se compõe de uma visão noir, explorando a conexão hilária desses dois detetives. Os quadros de cena, são bastante claros e objetivos, focados sempre em enquadramentos de primeiro plano, deixando o filme com uma experiência bastante pessoal (acredito que é assim que se deva fazer uma comédia), a atmosfera dos anos 70, completa a trama de uma forma bem direta e sutil. 

Os dois detetives acabam no meio de uma conspiração, envolvendo a filha sequestrada, o departamento de justiça e a atriz pornô (sim, eu sei que tudo isso soa muito ruim, mas é inusitado o quanto tudo isso se juntou para ficar muito bom, sinal de que uma ideia louca, com um plano bem feito, pode dar certo).  No final, toda a conspiração parece ficar em segundo plano, já que, o que realmente importa, é a relação de March, Healy e a filha de March, Holly, (a carta na manga do diretor Shane Black). Personagens muito bem construídos por sinal, com uma profundidade prática o suficiente para entendermos suas motivações, mas sob uma superficialidade pronta para seguirmos com toda a ação e comédia que o filme apresenta. 

nice-guys-movie-crowe-gosling-angourie-rice

Ryan Gosling, consegue vender seu peixe. Do drama para a ação, da comédia romântica para o cult, o cara transita entre os gêneros mais pesados e leves, criando uma atmosfera bastante sutil entre seus papéis. Em The Nice Guys, ele estreia na “comédia espetacular”, com muitas glórias e cenas memoráveis. Um mix desajeitado de Jacques Clouseau (Pantera Cor de Rosa), com John McClane, Holland March fecha seu caso com tremenda disposição. 

Essa relação entre esses dois personagens, o recluso e violento Healy, com o boca solta e alcoólatra March, arremata ações desenfreadas no meio de uma Los Angeles fechada em palmeiras e festas banhadas a sexo e drogas. Realmente, o que importa não é a trama principal de toda a conspiração, morte ou um vislumbre da industria cinematográfica no começo dos anos 70, mas sim, como esses dois caras, completamente opostos um do outro, sem direção alguma, com uma garota entrometida a tira colo, irão conseguir resolver tudo isso sem se matarem no processo. Resultado? Nada que uma boa dose de whisky não resolva.  

TNG_Day_#29_12052014-130.DNG

Os personagens coadjuvantes , alimentam a trama de uma forma bastante positiva. Matt Bomer aparece pouco, como o capanga esquisito, assassino profissional – outra característica bastante comum do cinema da década de 70. Referência capturada com sucesso -. Ele tem uma entrada simples e uma despedida mais simples ainda. Não que quiséssemos mais.  Tudo ficou na medida certa para o ator, que não ficou em tela o suficiente para estragar tudo e também para o personagem, que seguiu seu propósito de hitman, lenda de Los Angeles, John Boy. 

Como papel do vilão em filmes dessa temática, tanto na comédia escrachada, quanto em noir, o ator ou atriz, que interpreta o vilão chave, revelado apenas no final do filme, precisa ter tido uma carreira impactante – para criar aquela singela comoção na história – e por isso, nada mais, nada menos, do que a referência para a história de uma Los Angeles, como Kim Basinger – ai é referência ladeira à baixo. Esse é o segundo trabalho da atriz em parceria com Russel Crowe. Eles já trabalharam juntos no clássico policial, que também transita pelo noir, “Los Angeles: Cidade Proibida” de 1997 -. Essa se torna a maior e melhor homenagem de todo o filme, fechando com chave de ouro a trama politica principal.

HT_Nice_Guys_movie_hb_160520_16x9_992

Admito que ficou um pouco difícil caçar pontos negativos, e minha única reclamação fica por conta da história, que poderia ter tido mais alguns momentos importantes para enaltecer toda a conspiração principal. Mas, tirando isso, que é completamente justificável do porquê, o filme não se perde e segue um ritmo dinâmico e bastante surpreendente.  Uma excelente estreia de Black, que deu certo.  


Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Editora, Artista plástica, ilustradora. Criadora e web influencer do site Cinema ATM onde escrevo algumas coisinhas sobre os filmes que assisto.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *