CINEMA

CRÍTICA: TODO DIA (2018) – Poderia funcionar como adaptação, mas falha em construção

Eu sou uma grande fã dos livros do David Levithan. A minha estante está repleta de vários dos seus romances, e eu gosto do jeito não convencional com o qual ele sempre trata os temas mais diversos, e o quanto ele fala de amor em múltiplas formas diferentes.  Todo Dia é um dos que eu nunca li, apesar de já estar aqui em casa há algum tempo. Eu achei que por isso seria legal esperar ver o filme para depois ler o livro, não queria ser tão crítica quanto sou com adaptações, mas fiquei meio triste ao perceber que mesmo assim o filme não superou as minhas expectativas.

O roteiro foi adaptado por Jesse Andrews, baseado na obra homônima de Levithan. Dirigido por Michael Sucsy (Para Sempre), Todo Dia conta a história de Rhiannon, uma adolescente que conhece uma pessoa que nunca habita o mesmo corpo todo dia. Todos os dias A. muda de casa, de família, de forma, de gênero, de cor de pele. Eles acabam se apaixonando e tentando de todas as formas fazer o romance acontecer. Mas quanto mais o tempo passa, mais a realidade de amar alguém que está sempre em constante mudança acaba assolando o casal, e as questões primordiais sobre o futuro começam a vir a tona.

Os primeiros 26 minutos de filme se passam sem que o expectador entenda muito o que está acontecendo. Eu já conhecia a história por ser fã do autor, mas fico imaginando que aqueles que nunca souberam nada sobre talvez fiquem um pouco perdidos. O roteiro tem um ritmo devagar, quase parando. No início eu consegui me focar na história, porém quanto mais o filme andava, mais eu ficava pensando no quanto ele era grande e interminável. Eu acho que ficou faltando o ingrediente primordial entre um casal principal de um filme de romance, a torcida do expectador para que aquilo desse certo. Isso pode ter acontecido porque é realmente muito difícil transparecer a química entre os atores, já que o ator principal mudava a toda hora.

Mas a história em si é algo que precisa ser visto. As vezes a gente precisa de algo para relembrar que o amor é algo que vai muito além da aparência que a pessoa tem, a cor da sua pele, ou de onde ela vem, onde ela mora. O amor ele tem que ser de dentro, sem “tipos”, e essa claramente é a mensagem do filme. Ele não se propõe a ser um filme com um final feliz, e nem precisa. Não existe uma resposta certa para a questão que eles estão vivendo, as vezes o mais importante é apenas viver aquilo como se não houvesse amanhã.

Apesar dos problemas, gostei muito da atuação de Angouri Rice (Dois Caras Legais – 2016), sendo ela a única constante no filme todo, a atriz conseguiu dar vida à sua personagem de forma louvável. Pessoalmente eu gostaria que os personagens secundários aparecessem mais, mas não sei se isso é feito no livro e por isso eles seguiram dessa forma. Também gostei muito da fotografia, algumas cenas são muito bonitas e bem pensadas, em especial a cena em que A. está contando sua vida para Rhiannon na biblioteca e flashbacks do seu passado começam a aparecer no vidro. Outro ponto ótimo é a trilha sonora, já estou procurando para stream!

Eu entendo que uma adaptação seja complicada de ser feita, muita coisa do livro simplesmente não cabe num roteiro de filme de duas horas. Sempre irá se perder algo, e acho que nunca ninguém ficará satisfeito cem por cento. É uma pena que a maioria das adaptações não façam tanto jus à seus originais. Apesar disso, para quem gosta de filmes de romance, acho que vale a pena conferir.

Sobre o Autor

Juliana Catalão
Estudou cinema no ensino médio, onde foi técnica comunicação social. É a maior fã de Harry Potter e de cantores que ninguém conhece. Recentemente fã de filmes de super herói, mãe do Midoryia de BNHA, editora de livros nas horas vagas.

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