CINEMA

CRÍTICA: TODO O DINHEIRO DO MUNDO

Todo o Dinheiro do Mundo vai ser para sempre conhecido como aquele filme em que Ridley Scott – de Alien (1979), Blade Runner (1982) e entre outros – correu contra o tempo para varrer Kevin Spacey e suas acusações de assédio sexual de seu filme, que já tinha data de lançamento previsto. Nove dias foram necessários para substituir Spacey pelo estrondoso e espetacular Christopher Plummer que não faz feio nesse filme.

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Polêmicas à parte, Todo o Dinheiro do Mundo trata de um caso verídico, que aconteceu em 1973, quando o neto, com 16 anos na época, de Jean Paul Getty (pra quem não conhece, um magnata do ramo petrolífero e um dos primeiros homens a possuir um império patrimonial bilionário) é sequestrado pela máfia italiana, que cobra como recompensa $ 17 milhões para libertar John Paul Getty III (o neto). Por mais estranho que pareça, o sequestro não é a parte que mais chama a atenção nessa história, o que de fato impressiona é que Jean Paul Getty se recusou a pagar pela liberdade do neto.

Desconfiança, interesse, desonestidade e uma jorrada de avareza: estes foram os principais ingredientes que temperaram a família Getty e que Scott não ousou esconder em Todo o Dinheiro do Mundo. Os primeiros minutos de projeção já mostram o rapto de John Paul Getty III (aqui interpretado por Charlie Plummer): enquanto passeava por Roma, ele é rendido por umas pessoas em uma vanzinha e é daí para o cativeiro. Abigail Harris (Michelle Williams), mãe do garoto, recebe uma ligação informando que estão com o seu filho, ela fica aliviada a princípio (o passeio de Getty III havia durado mais do que ela esperava), mas depois lhe é exigida a quantia. Seu filho fora sequestrado, mas ela não tinha dinheiro. Abigail Harris, na verdade, abdicou de ser uma Getty havia algum tempo. Ela precisará da ajuda do ex-sogro Jean Paul Getty (Christopher Plummer).

Scott constrói três segmentos: um que trata das investigações do rapto, do cativeiro do garoto e do passado dos Getty.

É explorando o passado dessa família que Scott expõe a sua disfuncionalidade. Abigail e John Paul Getty (filho de Jean e pai de Getty III) vivam em situação de falência nos EUA, recorrem a Jean e se mudam para Roma, onde John Paul  fica a frente da filial italiana da Getty Oil (empresa do pai). John é viciado em drogas e, por isso Abigail, exige divórcio, conseguindo a guarda de Getty III e outros três filhos.

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As investigações abarcam desde a recusa de Jean Paul Getty em pagar pelo resgate do neto  (ele tem suas razões para isso: ele desconfia de que o neto tenha armado o sequestro a fim de extorquir os 17 milhões) até as futuras negociações. Ele contrata um ex-espião (Mark Wahlberg), que acompanha Abigail em seu desespero – apesar de não derramar nenhuma lágrima -, para essas investigações. Além do mais, ele é um sujeito muito avarento: em um cena, aparece o banheiro de um quarto de hotel em que ele estava hospedado com roupas estendidas; Jean explica que aquilo era uma forma de dispensar os gastos com a lavanderia. Todos os seus gastos são dedutíveis do imposto de renda, ele inclusive propõe que o resgate do neto seja pago dessas deduções.

Todo o Dinheiro do Mundo, apesar de ser um filme não tão vigoroso quanto os trabalhos anteriores de Ridley Scott, mostra que ele ainda tem o controle da coisa, ele ainda sabe fazer filmes envolventes e bem dirigidos.

Christopher Plummer naturalmente conseguiu uma indicação ao Oscar como Melhor Ator Coadjuvante, mesmo depois da escalação às pressas, e embora essa categoria tenha outros bons atores em outras grandes atuações, eu não ficaria nem um pouco insatisfeito caso Plummer venha a levar o prêmio.

CRÍTICA DO NOSSO COLABORADOR: PATRICK

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Editora, Artista plástica, ilustradora. Criadora e web influencer do site Cinema ATM onde escrevo algumas coisinhas sobre os filmes que assisto.

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