TOKYO GHOUL (2017) – CRÍTICA :

TOKYO GHOUL:  FINALMENTE um live action que podemos aproveitar!

O público de anime em geral sabe bem como é a sensação agridoce de esperar uma adaptação Live Action e com os recentes fracassos absurdos que tem sido apresentados – eu estou olhando pra vocês dois Death Note e Fullmetal Alchemist – é bem óbvio que cada nova notícia de adaptação venha seguida de muita decepção e temor. Foi como me senti quando soube que Tokyo Ghoul seria adaptado para uma live action e por temer a decepção que esse filme seria, covardemente me abstive de assisti-lo.

Foi um erro.

Tokyo Ghoul é uma história que mescla elementos de terror fantástico com o dia a dia da sociedade japonesa atual. Os ghouls são criaturas de aparência humana que se alimentam de humanos e, por isso, são caçados por uma organização governamental. No filme, acompanhamos a história de Kaneki Ken, um jovem tímido que pensa ter tirado a sorte grande quando consegue um encontro com a garota de seus sonhos.

Infelizmente ela estava interessada no coração dele de um modo literal demais. Ao ser atacado, Kaneki e Rize sofrem um acidente e o jovem acaba recebendo parte dos órgãos de Rize para continuar vivendo. E é aí que todo o pesadelo dele se inicia. Como um ghoul, Kaneki agora tem que se acostumar com seu novo estilo de vida, mas ainda sendo meio humano, ele não está disposto a abrir mão de tudo que sua humanidade representa.

O roteiro se atém aos eventos da primeira temporada da saga clássica do anime e isso foi um dos pontos que fizeram Tokyo Ghoul funcionar como live-action: dar ao expectador tempo para que ele comece a se importar com as personagens. Isso é um ponto em que Live actions costumam esquecer muito facilmente e acabam destruindo a narrativa por conta disso. Por mais que live actions sejam feitos pensando em um público que já é fã da história, algumas produções parecem esquecer que você precisa se importar com aquele personagem para aturar duas horas de filme sobre ele. Tanto faz se ele é mocinho ou vilão.

Inclusive, em Tokyo Ghoul essa linha é bem tênue. Enquanto Kaneki e os outros ghouls tentam viver uma vida pacífica dentro do possível, eles ainda são predadores extremamente poderosos; e ao mesmo tempo que a CCG – o órgão governamental criado para o combate aos ghouls – protege a humanidade do extermínio, eles se mostram como criaturas sádicas, sem piedade alguma.

Yo Oizumi (Fullmetal Alchemist) faz uma atuação incrível no papel de Kureo Mado, o principal antagonista do longa. Masakata Kubota (Death Note) consegue expressar toda a doçura de Kaneki e a insanidade pulsante das partes de Rize dentro de seu corpo, com facilidade. E Fumika Shimizu (Kamen Rider) fecha a tríade conseguindo fazer o que o anime não conseguiu. Com que eu me importasse de fato com Kirishima Touka.

Quanto ao figurino, eu poderia ficar horas falando e agradecendo pelo trabalho maravilhoso que essa produção teve. E pela sabedoria em evitar o uso de perucas mal feitas. Tokyo Ghoul prezou bastante pela verossimilhança, modificando uma coisa ou outra para que tudo se encaixasse de uma forma harmônica. Rize, por exemplo, tem os cabelos roxos no anime. O longa optou por cabelos castanhos e saiu-se bem melhor com essa escolha.

Dos pontos fracos, tenho poucos a mencionar. Quem sabe um pouco menos de dramaticidade em um ponto ou outro e um pouco menos de brilho nas kakunes. Que são uma espécie de extensão corporal que ghouls podem exibir quando precisam lutar – em certas cenas.

Com direção de Kentarou Hagiwara e roteiro de Ichirou Kusuno e Sui Ishida (o criador de Tokyo Ghoul), o longa é um presente para quem é e para quem não é fã da série. E deixa seu lugar marcado no topo de adaptações de live action.

CRITICA DE LIMÃO


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