cinema

CRÍTICA: TRAMA FANTASMA (2018)

O ato de produzir (seja o que for) não se dá do acaso, tem, primeiramente, seus alicerces e motivações a partir de um ponto de partida: é a exploração do mundo das ideias. Estas ideias surgem e se fazem fontes de inspiração para que um artista, por exemplo, venha a produzir algo específico (ou não específico por vezes); evocam sua consciência e sentimentos. Em Trama Fantasma, o diretor Paul Thomas Anderson bebe dessa lógica e procura fazer um filme onde um estilista relaciona-se com a sua inspiração a partir de algo que ultrapassa o mundo das ideias.

Resultado de imagem para TRAMA FANTASMA (2018)

Para quem não conhece Paul Thomas Anderson, basta analisarmos um pouco da sua filmografia para percebermos que não estamos falando de um diretor de cinema trivial, estamos falando de um gênio do cinema americano atual. Primeiro, Hard Eight ainda em 1996, o incrível Boogie Nights de 1997, Magnólia (o meu preferido) de 1999, onde o impossível acontece: Tom Cruise finalmente atua, e não entrega qualquer atuação, estamos falando da sua melhor atuação da carreira, e parto para a grande obra-prima de sua carreira, Sangue Negro, de 2007, uma produção de tanto vigor que eu suspeito falar que é o melhor filme americano já feito, desbancando clássicos dos anos 40, 50 e 60. Pronto, isso já é suficiente para encararmos Trama Fantasma como algo imperdível e que merece ser assistido.

Em Trama Fantasma, Daniel Day-Lewis vive um estilista, Reynolds Woodcock, super requisitado pela elite aristocrática e política. Ele vive com sua irmã Cyril Woodcock (Lesley Manville) na Londres dos anos 50. Eles possuem uma relação de muita complacência um com o outro, mas que sofre uma significativa mudança com a entrada de Alma Elson (Vicky Krieps) em suas vidas e com o posterior envolvimento entre Alma e Reynolds.

Aqui, Paul Thomas Anderson faz de Alma uma musa inspiradora para Reynolds. Todos os modelos desenhados por ele (não sou expert no assunto, mas são modelos incríveis) aludem de alguma forma Alma e suas principais características. Reynolds a considera a mulher ideal, todos as suas criações, antes de serem publicamente concebidas, passam por Alma e suas medidas.

Imagem relacionada

Os grandes conflitos do filme, entretanto, se dão com os fantasmas passados que assombram a vida de Reynolds, ele sofre pela morte da mãe e se torna um sujeito nada sútil e temperamental, e com o relacionamento entre Reynolds e Alma, que sai da inspiração e se torna algo sujo, doentio, estranho, muito cheio de ambições. É muito difícil de precisar exatamente quais são estas ambições e o que ambos procuram neste relacionamento. Alma entra doce e com boas intenções à família Woodcock, mas à medida em que o convívio com Reynolds e sua irmã fria e calculista evolui, ela passa a jogar um jogo conforme as regras de Reynolds e Cyril. É uma mudança de personalidade muito interessante.

Trama Fantasma é um filme de muitos bons atores. Daniel Day-Lewis, nem preciso falar muito: estraçalha como sempre (neste que é supostamente seu último trabalho para o cinema), mas o que me despertou para este filme foram as atuações de Lesley Manville e Vicky Krieps, ambas com atuações de gala e que sustentam lance a lance um Daniel Day-Lewis visceral, e tem ali também a direção do Paul Thomas Anderson, cobrando todos as minúcias.

Trama Fantasma está indicado a Melhor Filme e outras 5 categorias  no Oscar 2018 (Melhor Diretor, Ator, Atriz Coadjuvante, Trilha Sonora e Figurino) e segue a tradição que o diretor Paul Thomas Anderson tem em fazer filmes espetaculares. É cinema de qualidade.

CRÍTICA DO NOSSO COLABORADOR: PATRICK

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Pseudo escritora, artista plástica nas horas vagas. Criadora e colunista principal do site Cinema ATM.

Deixe seu comentário


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *