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CRÍTICA: UMA DOBRA DO TEMPO (2018) – Será que vale a pena?

Nem sempre grandes estúdios acertam 100%. As vezes é no elenco, na direção, no roteiro, na montagem, ou é nisso tudo que não deu certo no filme A dobra do Tempo (A Wrinkle In Time). Disney mostrando que também pode errar, e muito dinheiro investido não é garantia que será um filme bom.

O filme conta a historia dos irmãos Meg (Storm Reid) e Charles (Deric McCabe) que decidem reencontrar o pai (Chris Pine), um cientista que trabalha para o governo e está desaparecido desde que se envolveu em um misterioso projeto. Eles contarão com a ajuda do colega Calvin (Levi Miller) e de três excêntricas mulheres em uma ousada jornada por diferentes lugares do universo.

 

 

A apesar de ser uma sinopse simples, o filme é bem complexo baseado no livro da escritora Madeleine L’Engle. Pelo que li a respeito, devemos dar um oportunidade ao livro mais do que ao filme, por compor mais detalhes e com personagem bem mais construídos do que a versão pra telonas. A historia fala sobre física quântica, viagem do tempo e no meio de toda essa loucura de temas, o filme começa com um ritmo bem arrastado. O primeiro ato onde, que serve para nos relacionarmos com os personagens passa em um ritmo falso e desencadeado. Principalmente com Dr Alex Murry, interpretado por Chris Pine, onde, em seu papel de pai não faz a menor falta na trama quando ele deseparece. A mãe, Dr Kate Murry, vivida pela atriz Gugu Mbatha-Raw, é outra que não mostra um emoção pra que possamos entender o tal vazio que nasce com o desaparecimento, entretanto conhecemos a personagem Meg Murry, por Storm Reid, uma personagem complexa que sente a falta do pai, mas opela falta de exploração do roteiro a personalidade dela passa batida e clichê e seu único ponto positivo é pela atriz conseguir passar o nível certo de emoção em suas cenas. 

Do segundo ato para o final, assistimos Meg sofrer bullying e isso faz com que ela desenvolva um tom mais agressivo, mesmo  que não tenhamos um senso de relação com esse roteiro e enquanto isso seu irmão caçula, Charles, interpretado por Deric McCabe, irá se tornar um dos personagens mais queridos do filme e o fato de Meg dizer seu nome sempre por completo, Charles Wallace Murry, faz com que seja o charme possível de esquecer. Mas em relação a interpretação, McCabe realmente foi a melhor escolha? A Disney não tinha um ator merim melhor ?! Eu entendo que ele é novo mas parece que as falas foram ditadas pra ele antes de ele dizer, ao meu entender a diretora quis fazer ele no papel de menino esnobe mas ele parece mais um robô ambulante sem noção.

As três senhoras que são seres mágicos, são interpretadas por nomes de peso, mas que não salvaram em nada o filme e suas atuações soam forçadas demais. Oprah Winfrey faz Wich e não sai do que já estamos acostumadas a ve-la em seus riscos cinematográficos. Reese Witherspoon que faz Whatsit, irreconhecível, tenta ser engraçada parecendo um barata tonta, já Mindy Kaling no papel Who caiu no mesmo de Witherspoon, personagens rasos que poderiam ser mais bem trabalhados. Sem contar com o Levi, o personagem de Calvin O’Kleefe, que segue completamente desnecessário por toda a trama.

Mas o real incomodo está na disposição do ritmo do filme. Cada personagem tinha um diálogo certo. Como em um ensaio teatral, não há fluidez e o diálogo todo cronometrado era como se cada ator terminasse o exato momento do outro terminar para a sua fala começar. Sem fluidez, sem coesão. O roteiro não era inteligente. Certo que a faixa etária do filme seria para 8 e 12 anos, mas precisava ser tão destoante?

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Posso citar que o filme funciona muito bem em alguns trechos isolados, principalmente no drama e na fantasia neles separadamente parece uma montanha ussa, pontos altos e baixos, o drama é bem representado, a moral de que devemos ser sempre nós mesmos, temas sobre a inveja, medo, desejo e raiva, tudo isso embrulhado em um travesseiro fofinho que perde o ritmo e nos dá sono. Quando vem em uma cena de fantasia que você pensa que o filme vai andar na direção certa, a direção de Ava Duvernay, que trabalhou em A 13º Emendas e também em Selma, deixa a desejar. 

Outro ponto forte do filme são os efeitos especias, sem os atores em cena, mostrando mundos dentro de mundos, universos, a dobra do tempo, efeitos magníficos com uma fotografia belíssima, uma moral bonita, mas que acaba tudo dentro de 5 minutos e pronto. Nada que nos apresente empatia, relação, coração. 

A Dobra do Tempo, foi uma perda de tempo pra muitos que assistiu, mas um aprendizado que nem tudo sempre a Disney acerta em seus contos de fadas. Um filme com uma historia bonita, com um roteiro fraco, direção perdida no que estava fazendo e personagens com construção vazias.

Crítica por Nanny Ribeiro

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