CRÍTICA: UMA QUASE DUPLA – Como a comédia brasileira chegou nesse ponto?!

Como a comédia brasileira sobrevive depois dos tempos de Zorra Total
Eu saí da sessão de Uma Quase Dupla com um sentimento incrível de frustração e decepção. Um material que poderia ter encontrado caminhos para se tornar a nova maior comédia brasileira, cai em erros de continuidade, roteiro pobre e mal utilizado com um elenco que não surpreende em nada e acaba se tornando uma hora e meia de stand up com uma piada realmente ruim. 
Tatá Werneck é a detetive Keyla, que é mandada do Rio de Janeiro até a cidadezinha de Joinlândia para dar assistência a um caso de assassinato brutal. Nos dois primeiros minutos do filme, pensei, ingenuamente, que Tatá Werneck fosse entregar uma comédia bem ao ponto, mas o que recebemos logo depois é a mesma coisa da mesma coisa mal passada. Sua personagem foi desenhada para ser chata, pedante, teimosa e arrogante. Sim, entendemos, mas ao longo do filme ficou quase que insuportável a presença da atriz em tela, com seus maneirismos extremamente desnecessários para a sua personagem. E ai chegamos a parte do roteiro. 
O roteiro de Leandro Muniz parece ter sido escrito as pressas. Apesar de eu ter gostado da história que ele apresentou com Um Tio Quase Perfeito, aqui em Uma Quase Dupla parece que cada um do elenco recebeu uma folha de papel e escreveu todas as falas que gostaria de interpretar em um filme de comédia policial. Não recebemos em momento algum um aprofundamento digno da personagem de Keyla, seus problemas de confiança, sua insegurança disfarçada de teimosa, tudo isso só é encontrado se o público tiver a boa vontade de olhar com uma lupa para a tela, caso não, tudo fica perdido e confuso e a relação dela com Cláudio, personagem de Cauã Reymond, surge sem base nenhuma para isso. 
E falando em Cauã Reymond, ele é bom. Ele tem seus momentos em ser engraçado, ele tem o corpo, tem o rosto, tem as pernas apertadas nos jeans; entendemos isso. Mas é só isso? Seu timing com a Tatá ficou solto, os dois, apesar de funcionarem em algumas piadas, por conta da cena apresentada, de resto são personagens soltos em uma trama bagunçada; E não importa quantas referências se coloque em um filme de policial, se a história original não for boa, nada vai colar. 
Mas entendam, a tentativa é ótima! Não serei hipócrita, soltei umas risadas, como eu sempre gargalho ao assistir ao programa da Tatá Werneck e a ideia é ótima! Ainda mais pela interpretação do ator Alejandro Claveaux, que salva o filme, mas no final das contas parecia mais um episódio do programa da Tatá com uma leve participação do elenco de Choque de Cultura
Belas imagens e belas locações não salvam esse filme, infelizmente, a comédia brasileira, MAIS UMA VEZ, entrega desapontamento. É um filme para um público mais geral, sérios erros de continuidade e indiretas ( sério que usou a piada do Tiago Iorc?), que no final marca uma hora e meia de atraso. 

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Editora, Artista plástica, ilustradora. Criadora e web influencer do site Cinema ATM onde escrevo algumas coisinhas sobre os filmes que assisto.