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CRÍTICA: VICTORIA & ABDUL

Ano passado Etnia foi o tema principal do Oscar, esse ano pode, muito bem, se tratar de LONGEVIDADE. Com 82 anos, Judi Dench pode se preparar para ser indicada ao Oscar por seu desempenho em “Victoria & Abdul”. Sua experiência em tela fala mais alto e toda graça da realeza existe em suas performances, aplicando desde a Rainha Victoria até mesmo a grande Rainha Elizabeth, algo fácil e calmo para sua carreira no final deste 2017. 
Quando o filme foi apresentado, foi declarado ser “principalmente” baseado em eventos reais, mas acho que temos que levar muito do que vemos com uma pitada de imparcialidade. É certamente uma visão divertida, se um pouco doce demais às vezes, mas também, nem tudo é o que parece. Roteirizado por Lee Hall e dirigido por Stephen Frears, este não é uma mera brincadeira sentimental e histórica. É, é claro, a história da amizade da rainha, nos anos anteriores à sua morte, com o servo indiano Abdul Karim (Ali Fazal, um ator novo para mim). 
O que temos aqui é um filme sobre o racismo e sobre o império e é tão relevante hoje quanto no tempo da própria Rainha Victoria. Não é que você tenha que levar isso a sério demais; há muita comédia em seu subtexto irônico e Frears reuniu um excelente elenco de atores britânicos. Eddie Izzard é um velho rei desagradável, o falecido Tim Piggot-Smith é bastante maravilhoso como o chefe da família, Michael Gambon é o primeiro-ministro confuso e Paul Higgins praticamente sai com uma do médico preocupado da rainha; preocupado não com a saúde dela, mas com o número crescente de indianos.
Uma peça cinematográfica que carrega muito do teatro em sua apresentação, mas isso, por si só, não é uma coisa tão ruim. “Victoria & Abdul” é um deleite para uma tarde chuvosa. 

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Pseudo escritora, artista plástica nas horas vagas. Criadora e colunista principal do site Cinema ATM.

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