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Crítica: A VILÃ ( 악녀 ) – O poder feminino dentro do cinema coreano!

Para quem acompanha os artigos do site deve saber o quanto eu sou a louca dos doramas. Novelas asiáticas de todo me encantam e ocupam meus domingos de maratona. E uma das coisas que tem me alegrado bastante ultimamente nos últimos dois anos é que, finalmente, o cinema coreano está recebendo, novamente, o spotlight que merece com The HandmaidTrain to Busan e tantos outros que se destacaram em festivais renomados da industria cinematográfica.  
Depois de assistir Atomic Blonde , com Charlize Theron, fiquei na sede por filmes com personagens femininas entrando em ação, sem medo de sangrarem, se machucarem ou até mesmo se jogarem de altos prédios. O cinema está necessitado de mulheres assim como protagonistas. Logo, fui conferir “A Vilã” com fome e expectativas e não me decepcionei! 
Sook Hee presencia a morte de seu pai quando criança, adotada por um gângster, ela cresce treinando para ser uma soldada, se apaixona e até pensa em levar uma vida normal, quando no dia de sua lua de mel, ela descobre que seu marido foi assassinado pela mesma gangue que assassinou de seu pai e parte para vingança. Logo em seguida, ao descobrir que está grávida, ela aceita ser recrutada por uma agência espiã de mulheres e treina para ser uma assassina, mas eventos ao seu redor revelam verdades que afastam cada vez mais uma chance de uma vida “normal”. 
A trama parece confusa logo de primeira, pensamos em Kill Bill e até Duro de Matar, mas nas duas horas de filme, toda a teia de aranha de eventos vai se desenrolando de uma maneira que ao atingir o plot twist e seu final, você, como telespectador, se vê sentado na ponta da cadeira, esperando pelo absurdo com água na boca. (Para mim, esse é o melhor tipo de filme de ação)
Kim Ok Bin é uma atriz veterana do cinema coreano, embora ela seja relativamente nova para mim, sua presença como Sook Hee me prendeu do começo ao fim. Para um filme coreano de uma industria primordialmente machista, apresentar um filme onde a personagem principal é uma mulher assassina sem escrúpulos, essa atriz conquistou cada segundo da minha atenção. Sua preparação física para as cenas de ação está surpreendente e as cenas de exigência dramática mostra o quanto ela é experiente em frente a câmera. 
Mais conhecido por seu papel em Mr. Vingança do aclamado diretor coreano Park Chan Woo, Shin Ha Kyun tem um papel consideravelmente pequeno, mas cada vez que a câmera foca em seu rosto, seu poder forte de atuação nos entrega toda a sujeira de seu personagem e nada menos do que excelência, talento e disposição. O mesmo pode-se dizer de Sung Joon, um dos novos rostos da geração de doramas. Apesar de ser conhecido pelos k-dramas como Madame Antoine, High Society e I Need Romance, Sung Joon é um ator experiente do cinema coreano, que raramente decepciona na forma real que apresenta seus personagens. Como o espião “guarda-costas” Hyun Soo ele é heart warming ao determinar o ponto de equilíbrio de Sook Hee. 
Desde “Confissão de Assassinato” em 2012, Jung Byung Gil não tem dirigido nada tão impactante quanto “A Vilã”. O plano sequência do inicio, com o ângulo jogado de 360º em primeira pessoa, causa ao expectador um choque de ação, drama e muito sangue. Uma surpresa tão impactante e bem vinda que quando o filme quebra e entrega uma sequência seguinte com cores claras e passagem calma, entendemos a montanha russa que irá seguir a história, com momentos reveladores. Fechando a perseguição final com a mesma formação exata do começo. Um começo, meio e fim em sua direção, uma técnica que não se vê todo dia. Seu roteiro, apesar de simples, é por si tão bem apresentado, que ao atingirmos o final, não nos importamos com o quão previsível possa parecer. O Importante é como a história foi contada. Do absurdo ao um começo fechado e surpreendente. Assim que bons filmes de ação são feitos. 
Muitos podem dizer que é uma tentativa ruim de replicar “Atomic Blonde” com uma plot fraca (apesar do longa com Charlize Theron também não ser tão exclusivamente original), mas é pela falta de costume ao cinema coreano. Mas vale a pena dar uma chance para essa nossa anti-heroína que entrega alma e sangue à sua vingança. 
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Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Pseudo escritora, artista plástica nas horas vagas. Criadora e colunista principal do site Cinema ATM.

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