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CRÍTICA: YOU WERE NEVER REALLY HERE  — Uma peça de poesia brutal!

Indicadíssimo e duplamente premiado You Were Never Really Here (Você Nunca Esteve Aqui), considerado o Taxi Drive (1976) da nova geração, é muito mais um conjunto de referências trazendo uma identidade própria.

Conta-se a historia de Joe (Joaquin Phoenix) um homem, veterano de guerra, que ganha a vida resgatando mulheres presas em cativeiros trabalhando como escravas sexuais. Após uma missão mal sucedida em um bordel de Manhattan, a opinião pública se torna contra ele e uma onda de violência se abate na região.

You Were Never Really Here tem sua identidade própria, podemos ate ver indicações ao Oscar se tiver força ate o ano que vem. O filme tem um cuidado intenso em relação a direção para o publico, realmente não é um filme para quem não está acostumado com peças que fazem o espectador pensar e tentar descobrir. Se estiver a procura de um filme que se auto explique, não assista esse aqui.

Parece algo que já vimos tanto em outros filmes, não é novidade em trazer um justiceiro que resgata alguém do submundo do crime: Chamas da Vingança (2004- Man on Fire), Hardcore — No Submundo do Sexo(1978), O Profissional (1994- Leon), Drive (2011), O Abutre (2014- Nightcrawler) e o famoso filme de Martin ScorseseTaxi Drive. Colocaria ate um pintada do filme Alucinações do Passado (1990- Jacob’s Ladder). Mas não se engane achando que este é um filme copiando os outros, a diretora provavelmente deve ter se inspirado em alguns filme do gênero, porque quando assisti lembrei um pouco de cada uns dos filmes citados. O acerto do filme não é a historia, e sim o personagem vivido pelo talentosismo Joaquin Phoenix que dá um show de interpretação, faz você mergulhar de cabeça na mente doentia de Joe deixando o próprio espectador na duvida se é um alucinação ou realidade.

Só tenho elogio para falar desse filme. Dá uma aula de como ter uma boa direção. Claro que isso é devido a Lynne Ramsay, a diretora faz filme difíceis que depende da interpretação do espectador, como Precisamos Falar Sobre Kevin (2011 -We Need to Talk about Kevin) e O Romance de Morvern Callar (2002 — Morvern Callar) e aqui You Were Never Really Here vemos que ela deixa a sua marca como roteirista e diretora, personagem de Joe muito bem trabalhado e estruturado.

Com dez minutos de filme você ficará intrigado para saber mais sobre ele, como o roteiro não faz questão de ser explicativo você cria suas maneiras de descobrir como as atitudes de Joel fazem ele chegar ate ali mas sem mostrar as causas que definiu tudo aquilo. A fotografia é incrível deixando os planos aberto para momentos pra terceira pessoa e planos fechados pra primeira pessoa, gostei muito quando ela usa os planos abertos e quando Joel esta com mais alguém, e quando ele está sozinho deixando o planos bem mais fechados com o som do ambiente como se a gente estivesse do lado dele escutando tudo aquilo e incomodando.

A trilha sonora de Jonny Greenwood ( Radiohead) foi produzida cuidadosamente para cada segmento. O foco do filme é o Joel em si e não a história por um terceiro olhar. Ramsay faz você entender a mente perturbada de um homem tão violento quanto gentil. Alias o filme tem isso o tempo todo, ao mesmo tempo que carrega uma poesia brutal, é violento e sensível. Um acerto da diretora pela boa dosagem, cenas violentas deixadas para o segundo plano, mas aquela violência nua e crua ela mostra sem ter pena. Não pense que é um filme de ação, porque não é o objetivo e isso não tira o brilho, ao contrario, faz você ficar pensando nele por dias, recomendo assisti-lo sem ninguém atrapalhando pra ter liberdade de entender essa obra prima da sétima arte.

É um filme que mostra muito mais do que se espera de uma mente perturbada pelo passado e das atitude do presente. Vale apena ver sua poesia brutal na mãos de um excelente ator e diretora que já mostrou ser capaz de construir e produzir filmes que mostram o ponto de vista dos personagens sem necessidade de explicar muito. Ela faz com que o expectador não apenas entenda, mas vista a pele do personagem e viva como tal.

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