CINEMA

DICA ATM: VERÃO DE SANGAILE (2015) – Sem profundidade, mas uma bela peça.

O verão de Sangaile (Sangaïlé, 2015) é uma produção da Lituânia dirigida e roteirizada por Alanté Kavaité, um coming of age que se propõe a ser grande e a impressionar, pecando no caminho e nos entregando um filme belo, porém raso.

Sangaile (Julija Steponaitytė) é uma introspectiva jovem de 17 anos apaixonada por aviação que passa o tempo das férias assistindo shows acrobáticos de aviões, é em um desses shows que ela conhece Auste (Aistė Diržiūtė), atendente em uma confeitaria e apaixonada por fotografia e costura. A partir desse encontro as duas desenvolvem uma amizade que aos poucos vai se transformando em um envolvimento amoroso, a construção da relação de ambas e como ela modifica a vida de Sangaile é o foco principal do roteiro.

Sangaile e Auste são personagens completamente opostas, Sangaile é tímida, fechada, não tem amigos, possuí fobias e uma distante relação com os pais, já Auste é sedutora, alegre e extrovertida. O roteiro trabalha bem essa dicotomia na relação das duas, deixando bem evidente toda a diferença que possuem, a construção da relação das duas acontece sem pressa e de forma sensível. O roteiro não peca na construção do relacionamento de suas personagens, porém erra drasticamente na forma rasa em que trata as questões psicológicas de sua protagonista.

Kavaité nos apresenta uma protagonista complexa que é pouco explorada, a sensação é que foi jogado aspectos da personagem sem a menor intenção de trabalhá-los. Sangaile, além da fobia quanto a andar de avião, possui questões que a fazem se cortar e a escolha do roteiro foi não trabalhar essas questões de forma satisfatória. Somos apresentados com soluções simples ou a falta delas e esse é a grande falha do roteiro, pois quando se propõe a debater assuntos de tamanha importância se requer cuidado e aqui faltou.

Se por um lado O verão de Sangaile desliza no roteiro, na fotografia e na direção de arte ele é impecável, um dos filmes mais bonitos que você verá, com toda certeza. As locações têm uma beleza ímpar e contém uma simbologia que ajuda a contar a história das personagens, do começo ao fim. Os planos e takes são minuciosamente trabalhados e é incrível de acompanhar uma produção tão competente.

Outro ponto alto da produção é sem dúvida alguma a química entre as atrizes, Steponaitytė e Diržiūtė estão incríveis em suas cenas juntas, muito reais e muito entregues. Embora Steponaitytė sustente bem como protagonista, Diržiūtė consegue roubar para si os holofotes em todos os momentos que aparece, conseguimos ver pelo olhar tudo que a personagem sente, ansiosa por mais trabalhos da atriz.

O verão de Sangaile é um filme bonito para os olhos e para quem gosta de uma história contada de maneira leve. Com todos seus problemas, ainda é um filme belo e muito bem produzido. Porém, nada mais que isso.

Nota: 06 

Sobre o Autor

Paula C. Carvalho
Graduanda em História pela UFRRJ e aspirante a crítica de cinema. Viciada em cinema, maratonas de series e viagens literárias.

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