Animação

DICA DE FILME: O JARDIM DAS PALAVRAS – (2013)

Quando se trata de um longa animado de Makoto Shinkai, a mão para escrever uma crítica chega a tremer. Assumo que, desde Hoshi wo Ou KodomoChildren Who Chase Lost Voices), tenho um certo receio de entrar no mundo da animação japonesa. Não de uma forma negativa, ao contrário, o trabalho de Makoto é tão maravilhoso, que começar a descrever sobre seria uma incrível perda de tempo, não conseguiríamos encontrar palavras para descrever as belezas e peculiaridades de suas animações.  Então, me concedam o luxo ao tentar mostrar um pouco dessa forma da perfeição em tela que é O Jardim das Palavras (The Garden Of Words). 

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Trilha sonora, efeitos visuais, conceito de arte, direção, história… Todos esses elementos fluem como vento. Sem parar. Não temos tempo para respirar, apreciar. Dar pause não é uma opção. Os enquadramentos são sutis, leves, quase imperceptíveis, nos tornamos os expectadores de uma história passivelmente proibida, do primeiro amor ao redescobrimento de si mesmo.

A chuva é o personagem principal. Esperamos por ela, torcemos para que ela apareça e siga contando os percalços dessa história solta. Não estamos preocupados com frequências escolares, com relacionamentos que terminaram de uma forma ruim, mas sim se a chuva irá voltar, cair e permitir que essas duas almas, em busca de um propósito, possam se encontrar. 

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A criação artística desse curta merece uma contemplação a parte. Luz, montagem, distribuição de cor, cinematografia, design de produção, efeitos visuais… Não há um só defeito, uma só coisinha que poderia ser feito diferente, para melhor ou pior. E é aqui que reside o meu medo pelos trabalhos de Makoto. Como exaltar a percepção artística de uma obra magnífica como está, quando tudo está aqui, bem a sua frente para você mesmo sentir? Não há palavras que possam medir a paixão externa e a exultação interna que sentimos ao contemplarmos o trabalho desse cineasta. 

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A trilha sonora, como personagem coadjuvante fecha o cerco com suas trovoadas e passagens intensas. Cada nota musical realizada pelo trabalho de Daisuke Kashiwa e Daiki Yamaki, se transformam em gotas de chuva. Moldando a história em final, não trágico, mas esperançoso. Está por longe der um drama, mas sim uma fábula de como podemos encontrar a alma mais pura quando menos se espera, que nos transforma e faz crescer. 

O Jardim das Palavras é, sem dúvida alguma, uma obra de arte. 

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Editora, Artista plástica, ilustradora. Criadora e web influencer do site Cinema ATM onde escrevo algumas coisinhas sobre os filmes que assisto.

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