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DICA DO DIA ESPECIAL: ASSASSINATO NO EXPRESSO DO ORIENTE – 1974

Com a estreia do remake marcada para essa semana 30/11, pensei que deveria voltar e rever a adaptação, até então, mais bem recebida dos cinemas até agora. Este filme é dirigido por Sidney Lumet, que dirigiu um dos meus filmes favoritos de todos os tempos – 12 Angry Men, e é um dos diretores mais consistentemente bem conhecidos que já ouvi falar. Então, naturalmente, fiquei ansiosa para rever essa adaptação de Assassinato no Expresso Oriente depois de tanto tempo. E como foi o meu veredicto final?

O filme é bom.  Apenas isso, há pontos muitos positivos e outros pontos inteiramente negativos. Assim como qualquer outro filme. As atuações são excelentes. Albert Finney, embora seu desempenho fique um pouco bobo às vezes (acredito que isso seja provavelmente devido à escrita), apresenta uma ótima performance como Poirot. Ele é realmente divertido às vezes e eu gostei dele. Muitos atores e atrizes que eu gosto estão neste filme, e eles fazem um excelente trabalho – Martin Balsam, Ingrid Bergman, Sean Connery, Anthony Perkins, Lauren Bacall … A lista continua, mas todos são excelentes.

 

 

Richard Rodney Bennett compõe a trilha e aqui é absolutamente excelente. Se houver um elemento para este filme que eu chamaria absolutamente de perfeito – é a pontuação da trilha sonora. Ele transmite tanto a tensão do filme como também alguns dos caprichos da situação. Os conjuntos em si também são magníficos – o Orient Express se estende como outro personagem, aparecendo de forma brilhante. Em si, toda a cinematografia é muito bem apresentada, o ponto de vista técnico e de desempenho de elenco se destaca de forma clara, e se levássemos apenas isso em conta, esqueceríamos o ponto negativo, que para mim, é de grande importância.  

Ressaltando isso, o meu maior problema com o filme seja a escrita. Não a escrita em si, o roteiro, mas a forma como ele é desenvolvido, a forma como a trama se desenrola. Há personagens demais e pouco tempo para cada um deles em uma rede de execução fraca, o que transforma o final em uma bagunça, cansativo, o que tura do expectador o animo para descobrir o final. Talvez tenha sido uma questão de adaptação, mas para Lumet, comandante por trás de 12 Angry Men, isso deveria ter sido uma obra de fácil execução, não? 

 

 

Existe o problema do incentivo, o filme não incentiva o expectador a procurar o culpado e isso talvez se deva a tentar encaixar uma adaptação com um grande elenco de personagens em pouco mais de duas horas, mas o melhor elogio que posso dar ao filme e que, apesar disso tudo, ele é tão lindamente construído, que nada disso importa. Os atores estão se divertindo dentro desses personagens e isso transparece, mantendo uma consistência em suas interpretações, nunca interrompendo a linha de um personagem para o outro, sempre respeitando o tempo de dela de cada um. De forma geral, é um filme agradável que vale a pena assistir se você estiver interessado na filmografia de Lumet ou na carreira literária e adaptações de Agatha Christie.

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Pseudo escritora, artista plástica nas horas vagas. Criadora e colunista principal do site Cinema ATM.

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