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DICA ATM: O SORRISO DE MONA LISA – O início do feminismo nos anos pós-guerra

Uma das minhas metas esse ano é conseguir assistir a toda filmografia de Julia Roberts, e o escolhido para começar essa jornada foi O Sorriso de Mona Lisa, que já estava na minha lista há anos. O filme conta a história de Katherine Watson, uma professora progressista que larga sua vida em Los Angeles para dar aula em uma conceituada escola para meninas próxima a Boston. Logo no início vemos o difícil contraste entre as aulas da professora, o conservadorismo das alunas e da escola, e como alguém com ideias novas e diferentes pode influenciar a vida de alguém.

O roteiro de O Sorriso de Mona Lisa preza muito em contar como as expectativas da sociedade da época transformava o destino das mulheres em algo que não girava para nada além do casamento e a vida em família. Aquelas que tinham coragem para tomar decisões sozinhas, cuidarem da sua saúde sexual ou ter pensamentos diferentes eram taxadas de subversivas.  É engraçado pensar que em muita coisa isso ainda se repete nos dias atuais. É claro que evoluímos muito, mas ainda temos muitos passos maiores à dar.

O filme porém peca em focar no feminismo que dá conta apenas das mulheres brancas, deixando de lado os problemas que as mulheres negras enfrentam, por exemplo. Claro que esse pensamento não existia em 2003, época em que o longa foi lançado, mas é algo que se deva pensar. Também não entendi a necessidade de colocar um romance entre a srta. Watson e o professor, principalmente pelo fato de ele dormir com as estudantes e isso não ser uma questão no filme. Será que alguém que pensava nos direitos das mulheres de forma tão afinco, quanto Katherine Watson realmente se envolveria com alguém assim, ou isso só aconteceu porque todo filme “precisa” de um romance para dar certo?

Apesar disso, um dos pontos altos para mim foi a maneira como o roteirista utilizou a arte como combustível para a mudança. É à partir das peças modernas apresentadas pela professora a turma, e as discussões trazidas para a sala que as estudantes conseguem perceber que a vida é muito mais do que casar e ter filhos. Existe um mundo lá fora, e elas não precisam ficar presas a um relacionamento de fachada para manter as aparências. Para alguém que já estudou a fundo artes na faculdade, é claro o quanto a arte moderna sempre é subjugada na academia, e isso fica muito claro ao longo do filme.

O Sorriso de Mona Lisa é recheado de atuações maravilhosas. Julia Roberts não entrega a melhor atuação de sua carreira, mas convence muito bem no papel. O grupo de estudantes proeminentes é interpretado por Julie Stiles (10 Coisas Que Eu Odeio em Você), Kristen Dunst (Homem-Aranha), Maggie Gyllenhal (Paris, Eu Te Amo) e Ginnifer Goodwin (O Noivo da Minha Melhor Amiga), que para mim fazem o filme andar com suas interpretações fortes de mulheres tão diferentes, mas tão empáticas com o público.

O Sorriso de Mona Lisa foi dirigido por Mike Newell (Harry Potter e o Cálice de Fogo) e escrito por Lawrence Kooner (O Planeta dos Macacos – 2001) em parceria com Mark Rosenthal (Aprendiz de Feiticeiro), e não teve a maior das críticas, nem a maior das bilheterias. A trilha sonora conta com uma canção original nominada ao Golden Globe, escrita por Sir Elton John e Bernie Taupin, mas não ganhou tanto reconhecimento, muito devido ao fato de que o filme aborda os temas de uma maneira que poderia ser trabalhada de forma melhor.

Claramente era um longa que queria beber das águas de A Sociedade dos Poetas Mortos, mas que faltou muito para chegar lá. Acho que é bravo ver filmes que falam sobre o feminismo e o poder da revolução da mulher. Gostaria muito que ele tivesse sido contado por mulheres (eu já disse isso em outras ocasiões), mas infelizmente não aconteceu. E eu que não sou a maior fã de remakes, fico na torcida que algum dia alguma roteirista tenha a coragem de pegar esse filme e transformar em algo novo, eu seria uma das primeiras da fila para assistir. Apesar das minhas críticas, acho legal assistir o filme para pensar nas questões que ele se propõe a passar, que levam muito a refletir sobre a nossa sociedade como um todo.

Sobre o Autor

Juliana Catalão
Estudou cinema no ensino médio, onde foi técnica comunicação social. É a maior fã de Harry Potter e de cantores que ninguém conhece. Recentemente fã de filmes de super herói, mãe do Midoryia de BNHA, editora de livros nas horas vagas.

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