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Fotografia no cinema: Sucker Punch (2011)

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Ficha técnica ( algumas informaçõeszinhas básicas): 

Lançamento: 25 de março de 2011
Direção: Zack Snyder
Música composta por: Tyler Bates, Marius de Vries
Produção: Zack Snyder, Deborah Snyder
Elenco: Emily Browning, Vanessa Hudgens, Abbie Cornish, Jena Malone, Jamie Chung… 

Sucker Punch é um filme de ação/fantasia, criado, produzido e dirigido por Zack Snyder, sobre um mundo vivido dentro da cabeça de uma garota, que precisa enfrentar sua realidade e toda a ideia de bem e mal dentro da sua cabeça.

Um dos pontos altos de Sucker Punch, que não foi muito bem recebido pela crítica, está no trabalho em conjunto com Larry Fong, o diretor de fotografia, dupla sertaneja com Snyder – A dupla já trabalhou em Watchmen e no mais recente Batman Vs Superman (Confira a crítica AQUI). O trabalho de Larry Fong, carrega uma assinatura bem clara dentro da dela, complementando, não só, a concept de Zack Snyder, como também incrementando uma ideia plástica e gráfica em seu portfólio. 

Podemos ter uma ideia, comparando os dois projetos em destaque. A armada de Baby Doll para o plano dos heróis, que segue a mesma linha de para recebermos a cena. A direção de Snyder é totalmente guiada pela montagem de Fong. Onde o objeto principal da ideia, é colocado em evidência por um ângulo mais crescente, para dar a impressão de que estamos bem de frente com a cena que está acontecendo.

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Partindo desse entendimento do trabalho dos dois diretores, iremos agora – tentar, de alguma forma – encontrar os pontos positivos de Sucker Punch, focando em sua fotografia estática.

EXPRESSÃO  

Zack Snyder é como um ponto de ação, mas a ideia de Fong, consegue mostrar a constante tensão dentro do universo de Suker Punch – acredito, que por conta desse trabalho, depois de muito tempo, o filme, finalmente, está começando a ser querido pelo público em geral. Conhece aquele famoso termo: “O tão ruim que é bom”? 

Uma curiosidade básica para entender o tom de cada cena centrada em Baby Doll: Seguimos o filme por seus olhos. Literalmente por seu olhar pré-determinado. Conforme a “paciente” ganha mais confiança, as nuances de seu olhar, complementam o objetivo da cena de ação a seguir. O portal para chegarmos a cada ápice de ação, solto da história.   

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Esse olhar ingênuo do começo, se transforma em uma fonte de terminação – claro que, isso não envolve apenas a questão da fotografia, mas também da montagem do personagem por Snyder e da interpretação de Emily Browning ( Baby Doll) – já conseguiram reparar que não dá pra falar de Fong sem falar de Snyder, né?

Esses ângulos fechados, com um único ponto de luz, centrado no elemento chave da cena, se tornou a assinatura principal de Fong em parceria com Snyder. 

 

POSICIONAMENTO     

O posicionamento de cada elemento de cena, não poderia chegar sozinho, sem pensar na ideia de luz e sombra. Baby Doll é o elemento da pureza, justiça e todas as coisas boas relacionadas ao filme – sim, parece realmente uma descrição das Meninas Super Poderosas – por isso, sua montagem clássica, segue com tons opacos, neutros, em contraste com a forte tonalidade do restante dos personagens. O que isso tem a ver com posicionamento?

Cada cena de contato direto entre as personagens – incluindo apenas as cenas de real diálogo e interação -, somos apresentados a um quadro estático de Baby Doll, indicada pela posição da câmera ou pela disposição dos personagens ao fundo. A ideia é destacar Baby Doll da maneira mais simples, mas, mais impactante possível. A sutiliza, acredito.

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Essas cenas contam a importância do fundo no próprio mundo de Baby Doll, as personagens são seres completamente descartáveis no mundo inventado. Somos brutalmente focados nessa personagem principal, ignorando o fundo – que sempre apareça borrado e sem forma específica quando centralizamos Baby Doll -. A função desse fundo é estar sempre imóvel, como a uma obra de arte, montada com o propósito de ser vazia.

Sucker Punch

As cenas de reflexo do espelho servem como um grande exemplo. O espelho dentro do cinema, é um vasto e possível mundo para a ideia do imaginário. Dentro de uma cena, estamos direcionados a prestar atenção no que acontece dentro do espelho e não fora dele – acredito que, essa tenha sido a intenção dos diretores de ressaltar a ideia de Alice no País das Maravilhas/Alice Através do Espelho.

COMPOSIÇÃO 

A ideia é – para aquelas pessoas que que nunca assistiram o filme – dar a menor quantidade de spoiler possível – é, vai ser difícil, mas como estamos falando sobre a composição de imagem, então, acredito que conseguiremos.   

Em primeiro lugar, uma composição de imagem, envolve, não só, a expressão, o posicionamento, como também o conjunto todo da obra dentro do roteiro, montagem de cor e disposição do layout original. Por conta disso, os pontos de luz e sombra voltam a ser a ideia principal.

Sucker Punch, é o filme mais simples, tratando-se de composição gráfica. Fong, seguiu uma ideia mais simplificada do que ele apresentou em Watchmen com Snyder. Em Watchmen, os ângulos de montagem variam entre de baixo para cima, quanto da diagonal para a frente. O contato entre o telespectador e a cena é mais direto, mais pessoal, justamente com a ideia de entrarmos dentro do quadro.

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Já, em Sucker Punch, conseguimos reconhecer o centro da imagem em destaque, mas é só. Não há uma determinada profunda importância dentro do enquadramento, tanto quanto em Watchmen, é simples, solto e bastante genérico. Não desmerece o talento de Fong, mas também não monta quadros excepcionais.

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Baseado em um universo único de Snyder, até que Sucker Punch daria uma ótima montagem para um RPG (Role-playing game), não? – talvez, toda a ideia tenha partido daí – Com esses três pontos do trabalho de Fong e Snyder, conseguimos até “reassistir” o filme com outros olhos – claro que, a trilha sonora com Bjork, só ajuda.

– Link para a trilha sonora, AQUI 

Sobre o Autor

Susu Oliveira
Fotógrafa, videomaker e dou uma de crítico de cinema achando que to abafando. www.maxwelenoliveira.com.br

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