GOD OF WAR (2018) – CRÍTICA: GAME ATM

GOD OF WAR 2018 – valeu a pena a espera!

Olá! Hoje não estamos aqui para falar de quão lindo são os gráficos do novo God of War 2018 ou de sua jogabilidade. Hoje, vamos falar sobre Kratos e a sua jornada até aqui.

God of War

Primeiro de tudo, existe um Kratos na mitologia grega. Ele era um dos filhos da ninfa Estige e do titã Palas. Seu nome significa poder e ele seria a personificação dessa palavra, sendo o mais indicado para suceder o Deus da Guerra Ares caso algo acontecesse com este.

God of War

Já no jogo, Kratos nasceu em Esparta, filho de Calisto e de Zeus, senhor do Olimpo. Não sabendo de sua origem divina, Kratos se torna um general espartano, com o objetivo de tornar Esparta a capital do mundo não apenas pela glória, mas para o bem de Lysandra e Calliope, sua esposa e filha.

Kratos é um pai e marido amoroso e por elas ele faria qualquer coisa. É pensando nelas que, durante um combate contra Alrik, o Rei bárbaro, onde o espartano percebeu que morreria e acaba oferecendo sua alma a Ares, que lhe concede as Lâminas do Caos com as quais ele mata seu oponente. Estas lâminas são as principais armas que o personagem usa durante os jogos e é por sua forma de usar extremamente destrutiva que ele consegue vencer ainda mais batalhas para Esparta.

God of War

Ares percebe que o guerreiro não se dedica o tanto que ele gostaria, por ter sempre que voltar para sua família e faz com que as mulheres participem de um evento em uma aldeia de adoradores de Athena. Kratos invade o local pessoalmente e cego pela fúria mata todos no local incluindo suas amadas. Após perceber o que fez, ele fica devastado e a oráculo da cidade faz com que o corpo de sua família vire cinzas e se grude no corpo do espartano e com sua nova aparência branca que ele passa a ser conhecido como o Fantasma de Esparta.

É a partir desse momento que começam os jogos de God of War, onde o guerreiro busca se vingar de Ares por causar a morte de sua família e para buscar esquecer a atrocidade que ele cometera.  Assim como é a morte de sua família que impulsiona o caminho de Kratos, fazendo o espartano ir ao mundo dos mortos para procurar sua família, são as relações familiares que movem todo o universo do jogo.

[SPOILER SOBRE O DESENVOLVIMENTO DA HISTÓRIA DO NOVO GOD OF WAR]

A Mitologia Grega tem em sua essência os pais sendo extremamente opressores o que acaba obrigando um dos filhos, para ter o seu espaço, a assassinar o pai. Urano, o Céu, e Gaia, a Mãe Terra geraram os titãs que foram aprisionados pelo pai no Tártaro e Gaia dá a Cronos a missão de destronar o pai e libertar seus irmãos. Cronos destrona o pai, mas assume seu lugar e mantém aprisionado os irmãos que poderiam tomar o seu lugar. E aí que Gaia profetiza que Cronos sofreria como Uranos sendo morto pelo próprio filho.

Esta maldição não apenas acompanha a mitologia grega como a mitologia de God of War. Cronos é morto por Zeus e, tentando impedir que Kratos faça Esparta dominar o mundo destruindo as cidades dos outros deuses, Zeus tenta se livrar do próprio filho. O Fantasma De Esparta se volta irado contra o senhor do Olimpo e é impedido por Athena para evitar que a maldição de Urano se perpetue. Kratos então percebe que Zeus é seu pai e, além de já se sentir traído agora se sente abandonado pelo pai e decide matar todo os deuses que tentam proteger Zeus. Após matar o próprio pai e percebendo que isto não lhe trouxe paz, Kratos sai em busca da única coisa que já o fez feliz: formar uma família. O espartano vai para um novo reino e conhece uma guerreira que se apresenta como Fey, se apaixona e forma uma nova família, tendo um filho chamado Atreus. Eles viveram por anos em paz até a morte de Fey, que armou para Kratos uma jornada onde ela prepararia Atreus e o próprio Kratos para a vida sem ela.

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Kratos precisava ser preparado, pois após matar todos os que ele culpava pela morte de sua primeira família, ele começa a se ver como o monstro que causou tudo e esconde seus sentimentos para que o passado não se repita. É por saber de sua ascendência divina e acreditando que todos os deuses são naturalmente maus que ele tenta viver de forma simples com Atreus, longe de tudo, para que o jovem não se torne mal como os outros deuses. Fey quer mostrar para o amado que ele é um bom homem e pode viver sua vida como quiser independente de suas origens ou seu passado.

Kratos chama seu filho de garoto não por raiva ou desrespeito, mas para lembrar Atreus que ele não está pronto para tudo o que o espera. O próprio Kratos se recrimina por não estar pronto, deixando a fúria escapar em certos momentos e o medo quando o filho está em perigo chamando-o pelo nome. Kratos não é apenas uma máquina de matar, mas um pai que estava sofrendo por perder sua filha e que agora luta para não perder seu filho, mesmo tendo visto que seu destino até ali estava previsto em uma lenda em Jotunheim e que a mesma previa sua morte pelas mãos de Atreus, Kratos quer viver ao lado dele e aproveitar uma vida simples de família.

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Assim como Kratos não é apenas a máquina de matar que todos viam nos jogos anteriores, os deuses gregos não eram os exemplos de justiça e retidão que as lendas mostravam e o mesmo ocorre com os deuses nórdicos.  Magni que deveria ser a versão nórdica de Kratos como a força personificada é derrotado facilmente pelo espartano e Modi que seria a Coragem só não é covarde quando está junto com o irmão. Durante as histórias contadas por Mimir ao longo da viagem vemos que Odin é um Deus cruel e vingativo, que busca dominar a força os Nove Reinos e Thor é apresentado como um bêbado imbecil que resolve tudo arremessando seu martelo. Até Baldur que é conhecido nas lendas por ser justo, sábio e belo é representado como um ser extremamente destrutivo e agressivo.

Nas lendas, Frigga busca proteger o filho que é amado por todos criando uma magia de proteção praticamente indestrutível. Já no jogo Baldur é atormentado por essa proteção sendo impossibilitado de sentir qualquer coisa.

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É por esse tormento que Baldur tenta matar Frigga e vendo que a maldição dos filhos matarem os pais iria começar novamente Kratos intervêm. Mesmo sabendo que Frigga o odiaria, Kratos a salva acreditando que ela era a única deusa boa de verdade.  Como previsto, a deusa passa a buscar formas de se vingar do espartano após a morte de Baldur, fato este que vem a ser também um dos sinais do Ragnarok.

God of War não é apenas um jogo sobre vingança e sim sobre a humanidade dos personagens. Ninguém é tão perfeito quanto as lendas; e nem Kratos é um monstro como as suas próprias histórias faziam crer.

Os caminhos dos personagens são traçados por seus sentimentos, principalmente por seus medos e essa condição humana e falha presente em todos eles é que faz com que os personagens acabem interferindo na história dos outros. E é sabendo  em como os personagens são humanamente falhos, que as profecias são criadas. São os seus medos em fracassar que fazem com que acabem por trilhar o caminho que tentam evitar. Kratos é apenas um pai que percebeu suas falhas passadas e busca trilhar um novo caminho para viver em paz com seu filho em um mundo que não quer que isso aconteça.

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Equipe Nerdolooucos
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