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História da Animação: – Os Desertores Disney

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Mesmo que Tim Burton tenha feito as pazes com a Disney, esse trio fez uma reviravolta. Criaram seu próprio estúdio, lançando produções indicadas a Oscar de Melhor Animação, ganhando três estrelas na calçada da fama, conseguiram atingir o máximo do sucesso dentro e fora da Academia. 

Gary Goldman, Don Bluth e John Pomeroy deram a vida a “Polegarzinha”, “Anastasia”, “Titan A.E” e o clássico “An American Tail”, que havia sido rejeitado pela Disney ainda na prancheta.  Em homenagem a esses três caras incríveis, vamos falar um pouco sobre o processo de criação dessas histórias, para que o trabalho deles, nunca seja esquecido.  

 

 – An American Tail – 1986

 
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A história e sobre o ratinho Fievel, que é de família judia e mora na Rússia. O sonho deles é emigrar para a América. Só que durante a longa viagem de navio, o ratinho é jogado no mar e separado da família. Quando chega aos EUA, começa a busca para encontrar seus parentes e a descoberta de novos amigos. 

O primeiro filme de grande importância da nova produtora “Don Bluth Productions” foi “An American Tale”, lançado em 1986, para competir diretamente com “As Peripécias do Ratinho Detetive”‘ da Disney que estava sendo lançado no mesmo ano. Claro que, não é coincidência o personagem principal de Don Bluth também ser um ratinho. Infelizmente, ou não, a Disney não estava curtindo uma maré muito boa nos cinemas, estava realmente em crise comparando com os dias de hoje e muitos filmes estavam sendo reciclados, criando uma janela de oportunidade para esse trio de desertores que aproveitou para fazer sucesso e nome. 

O jogo político no mundo da animação se tornou algo comum nos EUA desde os anos 30 do cinema, Disney já fazia a bastante tempo, então Don resolveu puxar esse eixo e colocar a esperança nas mãos de um ratinho, envolvendo como tema, a imigração europeia. É uma história envolvente, canções divertidas e entrelinhas filosóficas bem aplicadas para o público alvo da época.

 

– Polegarzinha – 1994 

 
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Depois de “Todos os Cães Merecem o Céu” (1989) adaptação do conto infantil de mesmo nome e “Em Busca do Vale Encanto” ( 1988), que rendeu muitas continuações e recentemente uma adaptação final para o cinema, o Don Bluth’s Studios resolveu partir para os contos de Hans Christian Andersen e se saiu muito bem com “Polegarzinha” que foi indicado ao Oscar de Melhor Animação e de Melhor Trilha Sonora Original.     

Uma mulher solitária que sempre quis ter uma filha, procura a feiticeira boa da floresta, ela lhe dá uma semente mágica e a semente se transforma em uma bela flor, do miolo dessa flor surge Polegarzinha, uma menina pequenina, do tamanho de uma polegar com um sorriso meigo e uma bela voz. Polegarzinha é muito feliz, mas gostaria de encontrar alguém do seu tamanho com que pudesse dividir sua vida. Então, em uma noite ela conhece Cornelius, Príncipe das Fadas e também do tamanho de um polegar. Os dois prometem se encontrar novamente, mas naquela noite Polegarzinha é raptada por um sapo que se apaixona por ela. Agora ela precisa voltar para Cornelius e achar o caminho de volta para casa.

 

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O filme marcou a característica artística de Don Bluth. Suas cores e traço definiram o estilo de animação do começo dos anos 90 e o pequeno estúdio conseguiu crescer cada vez mais. 

A arte do filme mostra uma atmosfera bem referente aos clássicos de romance dos anos 40 e 50, com a característica da atmosfera de brilho envolta dos personagens ( chamado de “efeito de véu), quando prepara algum close de imagem. A música é bem marcante e interpretada com bastante emoção, fazendo com que entremos no sonho distante contado por Jacquimo, o pássaro que narra essa bela e simples história.

 

– Anastasia – 1997

 
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Mesmo na luta com a Disney pelos direitos autorais do filme, Anastasia acabou indo para  Don Bluth’s e a FOX venceu a luta, criando sua primeira “princesa encantada”. Seguimos a princesa Anastasia Romanov, que sobrevive ao ataque da revolução na Russia e agora sozinha no mundo e sem memória, ela precisa se encontrar e descobrir a verdade sobre sua vida e passado. 

A arte do filme é bem madura se formos comparar com Polegarzinha, as duas mocinhas mantem o traço clássico de Don Bluth e aquele glamour quase que automático, incrementando as referência nas pinturas de Van Gogh e os trabalhos de Rodin. O filme tem quadros bastantes marcantes que completam a complexidade da animação.

 

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Com uma trama bem adaptada e personagens bem dispostos em cada cena, Anastasia é uma história de amor, mas vai bem além disso. Ainda que exista um ideal histórico, religioso e politico, o filme brinca de uma maneira majestosa – quase te fazendo acreditar que de fato foi assim mesmo que as coisas aconteceram – com a lenda urbana russa sobre a mais enigmática família real. De acordo com a lenda, a Princesa Anastasia teria sobrevivido ao terrível massacre que sua família sofreu pela revolução.  

 

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Meg Ryan e John Cusack são os dubladores de Ania e Dimitri, John emprestando seu sarcasmo no tom certo para seu personagem e também temos Christopher Loyd, como o vilão Rasputin e Kristen Dunst, com a jovem Anastasia. O trabalho dos dubladores brasileiros é espetacular, fazendo alguns até darem a preferencia para assistir o filme dublado em português. Trilha sonora por parte de Thalia, em seu auge, e concorreu ao Oscar de Melhor Musical e Melhor Canção Original por “De volta ao passado”. Até hoje lembrado como um dos principais filmes em animação da FOX, sendo até considerado um cult moderno da animação.

  

-Titan A.E – 2000

 
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A Terra foi destruída por uma nova raça alienígena e o destino dela de ser reconstruída está em uma nave espacial que pode criar um novo mundo. Cale é o guardião da chave que poderá salvar a raça humana.

O filme foi lançado e teve um sucesso considerável. É um dos primeiros filmes da era 2000 a mesclar storyboard com computação gráfica e ter uma linguagem sensual sarcástica para também ter um público alvo mais maduro. Voltando ao assunto de fidelidade artística per se, Titan A.E segue bem na mesma linha de caracterização que “Anastasia”, lançado três anos antes. Ainda podemos encontrar certas semelhanças entre os personagens principais.

 

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Infelizmente, toda a temática ambiental do filme por trás da ação e “efeitos especiais” é esquecida. Digamos que foi lançado na época errada e não recebeu o devido crédito por falar sobre um assunto que hoje está bem em alta, mas o que vale é a intenção. Também com produção da FOX, Titan tem um trabalho de preparação artística muito importante que um ano depois serviria de inspiração para Atlantis: O Reino Perdido, da Disney, além disso o longa é marcado por ser um desenvolvedor de ideias para os efeitos especiais em live-actions, adaptações da era 2000 do cinema.

 

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Com o passar dos anos a “Don Bluth’s” teve um despenco enorme e hoje é apenas considerada pelo nome, mas temos como uma rica herança esses quatro filmes, verdadeiros trabalhos que cativam por suas artes e histórias.

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Pseudo escritora, artista plástica nas horas vagas. Criadora e colunista principal do site Cinema ATM.

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