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LIGA DA JUSTIÇA: A DC está pegando o ritmo?

Em um filme de super-heróis os primeiros cinco minutos conta como uma regra. Ritmo é algo importante. A forma como os personagens se apresentam dita como será a próxima hora de exibição em tela. Aqui, na obra de Zack Snyder e Joss Whedon ingressamos no universo particular de cada membro dessa Liga tão familiar para os fãs, no mesmo tom que encoraja uma nova experiência para quem está conhecendo esses personagens agora. 
Batman 1989, o tom da fotografia de Roger Pratt é denunciado nos primeiros três primeiros minutos onde o Homem-Morcego parte em perseguição ao seu novo inimigo. O trabalho de Fabian Wagner na fotografia incrementa a direção de Zack Snyder. Zack nos dá uma apresentação visual típica de seu trabalho, ao mesmo que não tem medo de expor as referências das quais pescou inspiração, como o clássico de 1989, os games de Arkham City e até mesmo as mais recentes animações da DC envolvendo o Homem Morcego, como o Filho do Demônio e a Corte das Corujas. Mas até aqui, dita apenas como o visual de Liga da Justiça funciona. Muitos podem considerar o trabalho de CGI fraco ou mal trabalhado, mas quando paramos para pensar em um conceito de animação, o filme entrega tudo de uma forma positiva. 
Em construção de personagens, diferente de Esquadrão Suicida de David Ayer, onde mais da metade do filme é gasto com piadas fora do tempo, personagens cumprido tabela de aparição e mensagens soltas sobre linhas de continuidade falhas, em Liga da Justiça os tudo funciona em um ritmo de apresentação onde a “teia de aranha” segue simples, clara e direta. Usufruímos a linha de história que segue cada personagem que ingressa na Liga.  Ou seja, é um filme de apresentação muito bem feito. Um vilão superficial, com um propósito superficial, dentro de uma história criada para nos familiarizar com esses personagens nessa nova visão da Warner e do próprio Zack Snyder. 
Conhecemos por alto as intenções e até mesmo o passado de cada um deles. Reafirmamos Gal Gadot como Mulher Maravilha e sua vida após os acontecimentos de seu próprio filme, deixamos que Ezra Miller nos conquiste com o seu próprio espirito dentro de Barry Allen, reconhecemos a força e a importância que o Cyborg tem para a liga e futuramente aos Jovens Titãs (Buya!), Ben Aflleck foge da sombra de Christian Bale (temos que nos acostumar de que ele é o Batman) e ganhamos uma versão cowboy desgarrada de Aquaman com Jason Momoa. Cada ator nesta liga nos mostra lados diferentes destes personagens conhecidos por tanto tempo. Características próprias que funcionam dentro de tela. Os momentos onde é criado o elo próprio de uma equipe flui, é leve e descontraído, não há um ritmo pesado.  O filme funciona e muito bem. 
Tudo fica claro. Lanterna Verde de longe que fez a alegria dos fãs, o ato das Amazonas foi uma das melhores sequências de ação, mostrando a importância das Amazonas em si e não apenas de Diana, Pinguim em Gotham, Jovens Titãs, filmes clássicos, sim, sim, todas as referências possíveis estavam ali, mas o mais importante é que o filme, apesar de sua quantidade abusiva de poses e frases de impacto com efeitos especiais exagerados e uma cena musical do portfólio de Snyder (desde Watchmen), ainda assim, fora tudo isso, o filme se encaixa. Novamente, funciona. Entrega aquela antiga sensação de “estar em casa”, com os plot twists as surpresas bem vindas ao final, com um certo prisioneiro escapando em um iate. É uma esperança de que agora a DC, finalmente está encontrando seu ritmo e o propósito de recriar em live action suas histórias. Não é apenas sobre o visual ou a caracterização, mas é sobre o porquê gostamos dessas histórias em primeiro lugar. A fé nesses heróis. 

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Pseudo escritora, artista plástica nas horas vagas. Criadora e colunista principal do site Cinema ATM.

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