MANDY – ( 2018 ) – DICA ATM

MANDY – uma grande viagem alucinógena, insana e brutal.

O filme trás em cena um casal Red e Mandy, que vivem uma vida pacata e amorosa na floresta. Até cruzarem caminhos com um lunático, a qual é líder de uma seita religiosa muito perturbadora que expõe Red em uma alucinada jornada de vingança. O thriller gore ousa do sobrenatural tão insano quanto inventivo. Que cai perfeitamente para o atual estilo maníaco de Nicolas Cage atuar.

Mandy gore nicolas cage crítica

Previamente como roteirista e diretor temos o italiano Panos Cosmatos. Conhecido por seu trabalho em Beyond the Black Rainbow, (2010). Cosmato, que é filho do falecido diretor George Pan Cosmatos. Entretanto as cenas de Mandy contam com a exorbitância de cores berrantes trazendo uma atmosfera e um visual extremamente próprio. Harmonizando muito bem com a trilha-sonora sinistra e altamente eficiente à cargo do falecido compositor Jóhann Jóhannsson.

A obra classificada como de baixo orçamento foi produzida por: Elijah Wood, Josh C. Waller; co-produzida pela UMedia e o distribuidor  Universal PicturesMandy é ambientado em 1983, resgatando inúmeras particularidades e excessos dos filmes dos anos 80. Porém seu segmento na narrativa e nas peculiaridades criativas e muito própria do Cosmato. Mandy é um alucinógeno cinematográfico no qual o áudio e visual servem para entorpecer o espectador a cada segundo.

Mandy gore nicolas cage crítica

Desta forma demora para se desenrolar, embora não seja uma estrutura convencionalmente linear; bem como a obra se assemelha ao sistema de três atos. The Shadow Montain, Children of the New Dawn e Mandy. O primeiro ato, é o mais normal, contendo uma admirável fotografia de Benjamin Lobe. Que nos apresenta imagens, nos planos abertos bem como o fechado, que recorre a um esplendor visual hipnotizante, junto aos contrates de vermelho e azul.

Enquadramento preciso com um jogo de luz e sombra criativo que faz menção há algum tipo de perigo. Slow-motion e uma justa posição da câmera envolvendo: fogo, fumaça vermelha, sequência de sonhos e diálogos triviais. A muito estilo contendo uma substancia incerta. O segundo ato, é o mais alucinógeno. Mandy discorre entre o psicodélico junto a uma atmosfera onírica envolvendo uma ótima sincronia entre a musica e alguns acontecimentos.

Mandy gore nicolas cage crítica

O uso do escuro é muito enervante, assim como o uso do verde é bem pontual. Causando um efeito tóxico, que dependendo até de seu ponto de vista, o filme pode transparecer pretensioso. Algo que não ocorre na narrativa de forma muito bem e acaba que destoam demais. Contudo torna-se um deleite para aqueles que curtem vibes dos anos 80, é uma verdadeira nostalgia. 

O terceiro ato, contém muita violência, gore bem generoso para os sedentos por sangue. E com isso o filme passa a ser mais linear e o convincente é traçado para o espectador. No qual é presenteado com uma perfeita atuação de Nicolas Cage, que é o único ator no planeta capaz de conceder vida a este personagem. As expressões faciais beira insanidade. Já Andrea Riseborough, entrega uma interpretação retraída, carregando muita dor em seu olhar, presumindo algum acontecimento passado ruim.

Mandy gore nicolas cage crítica

Linus Roache está bem tenebroso mostrando um lado intimidante, que contribui para todas as cenas brutais e maníacas. Mandy é um filme de produção autoral, melhor dizendo, excede grande personalidade. Especialmente para o público quem detêm um gosto adquirido, isto é, de início deve-se aventurar na obra para que de fato goste dela.

Mandy gore nicolas cage crítica

Ainda que saibamos que há grande possibilidade de rejeição visto que o roteiro não é em nada compreensível. Embora seja bonito de se admirar todo o jogo de iluminação, há um deleite tão bom que você ao menos percebe que a narração não tem sentindo e menos ainda o fato de ser tudo uma grande viagem alucinógena, insana e brutal.


Sobre o Autor

Vitória Rapallo
Graduanda em Letras Inglês pela UFRRJ; Fascinada pela cultura japonesa e animes que tenham visual, leitora entre à prosa e a literatura clássica. Colecionadora de HQs e mangás, a qual me introduziram ao universo Geek. Resultando um deslumbramento por filmes do gênero gore e de terror psicológico.

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