NÃO OLHE! (Terror 2018) – CRÍTICA:

Não Olhe! – Se procura um filme inovador, este não é para você! 

Não olhe! começa contando a história de Maria na gestação. Maria teria uma gêmea que, ao que o filme indica, morreu ainda no ventre da mãe. São estas informações dadas logo na primeira cena do filme que delimitam a leitura da história: estamos falando sobre o clássico caso do “Gêmeo Não Nascido.” Não olhe terror crítica 2018

Não olhe terror crítica 2018

Com um pulo temporal encontramos Maria quase atingindo a maioridade. As coisas não estão parecendo exatamente boas para ela. Maria tem um relacionamento falsamente intimo com um pai controlador que faz de tudo para que pareçam uma família perfeita. E mantem uma distancia da mãe de mente fraca, projeta suas frustrações sexuais em Sean, o namorado de sua melhor – e única – amiga, Lily. E sofre uma perseguição intensa de outro rapaz em sua escola. Entre esses problemas, os sintomas de sua ansiedade, como tricotilomania e um possível transtorno alimentar, com a aproximação do Baile de Inverno, a vida de Maria parece estar desmoronando.

A gota d’agua é a aparição em seu reflexo.

Apresentando-se como Airam (Entendeu? Entendeu? Maria ao contrário.). A garota do outro lado do espelho se mostra bem diferente da Maria que conhecemos. Com suas palavras amigáveis porém duras, Airam se torna uma constante na vida de Maria. Alguém com quem ela pode conversar livremente. Com o tempo Airam convence Maria a trocar de lugar com ela, com a promessa de que ela iria consertar as coisas e depois de uma experiência traumática com certas nuances de Carrie, A estranha, Maria finalmente cede e deixa que Airam fique em seu lugar.

Não olhe terror crítica 2018

As mudanças são imediatas. De vítima, a nova Maria passa a ser predadora, indo atrás daqueles que lhe fizeram mal. E é exatamente aqui aonde o filme muda para melhor e para pior ao mesmo tempo.

Para melhor, por justamente subverter um pouco da ideia do Gêmeo Malvado Não Nascido cujo único propósito é matar o irmão que conseguiu nascer. Airam não tem desejo nenhum de machucar a própria Maria e nem aqueles que Maria realmente ama. Mas diferente da irmã, Airam tem uma tolerância muito pequena e não sabe perdoar. Diferente dos típicos espíritos que possuem pessoas, Airam mostra arrependimento e tristeza e esse foi um ponto muito divertido de ver.

Não olhe terror crítica 2018

No entanto o roteiro de Não olhe! piora cada vez mais depois disso com uma sucessão de pontas soltas e situações sem necessidade. Não sabemos o que acontece com o rapaz que persegue Maria depois da cena do taco de hóquei. Não é compreensível o medo de Airam ao falar com a polícia depois da morte da amiga uma vez que ela tem o álibi perfeito.  A relação entre ela e Sean parece apenas uma desculpa para algumas cenas de sexo cruas.

Cenas que quase chegam a ser mais desconfortáveis e desnecessárias do que ver Maria se masturbando na pia do banheiro. Ou então do que o nu frontal completo de Maria na frente do pai. Os diálogos vão ficando cada vez mais pobres enquanto Airam vai enrolando a vida de Maria num novelo carmim de seu descontrole emocional.

No final, o diretor brinca um pouco com a ideia de persistência retiniana em uma imagem quase doce da mãe com suas duas filhas.

Não há nenhuma explicação sobre a gravidez gemelar da mãe para Maria. De fato, nem mesmo Maria e Airam falam sobre isso. Nunca se referem como irmãs ou gêmeas ou nada do tipo. Fazendo com que o filme pudesse muito bem ser lido de outra forma. Não fosse a cena da ultrassom no início do filme ou o fato de Maria ter encontrado uma foto do dito exame atrás do espelho de sua penteadeira.

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Com um polimento melhor no roteiro, um trabalho de edição que mantivesse a qualidade e atuações um pouco mais críveis, Não olhe! talvez conseguisse um resultado melhor. É uma história boa. Uma narrativa corrida e com elementos mal construídos em vez de terror, Não Olhe! sai mais como um filme dramático. 


Sobre o Autor

Angélica Menchini
Ilustradora, amante de histórias e sempre disposta a falar sobre animação.

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