Natal no Hallmark Channel ou Netflix?

Filmes de Natal também criam reflexão!

Já virou tradição a digna maratona dos filmes de Natal do Hallmark, é impossível não colocar pelo um filmes do canal na lista, seja na Netflix ou em qualquer rede de streaming. Todo o canal Hallmark funciona em prol dessa data especial para comemorarmos assistindo aos nossos filmes favoritos. 

Claro que sou suspeita para conversar sobre, já que começo a assistir filmes natalinos em maio. Mas algo mudou. Talvez fosse o grande numero de maratonas que fiz ou talvez seja o fato de que 2020 não foi fácil. O grande é ponto é que, em setembro eu já estava vidrada em todos os títulos natalinos. 

A formula para esses filmes é bem clichê. A mocinha passa por alguma transformação de carreira ou de família e não gosta de Natal, ou o mocinho que sofre alguma perda ou precisa de uma mudança e não gosta do Natal. Assim, eles vão se encontrar em uma cidade do interior dos EUA, que tem um nome muito mágico, vão entender o espirito natalino, fazer alguma boa ação e ficarão juntos no final.

Eu adoro isso,  algumas histórias sempre me fazem soltar algumas lágrimas, risadas pelos desastres das coincidências e torcer por cada casal. Na real, nada extraordinário. Algumas produções bem feitas e outras nem tanto. O grande ponto da minha mudança ao assistir esses filmes recentemente, é que mesmo com o clichê como tema principal, o fato de não mudar, me incomodou. 

E quando eu digo mudança, eu falo sobre diversidade e espaço. Não há. Os atores negros sempre são coadjuvantes, realmente é raro algum desses filmes ter qualquer personagem LGBT. Os papeis femininos sempre são construídos em um padrão de segmento. Se a mocinha é workaholic, ela precisa encontrar um namorado ou marido, se ela tem um relacionamento  ela está infeliz porque ele não atende o padrão da família ou então porque ele não quer filhos.

Quando comecei a assistir esses filmes, a ideia sempre foi por conta do Natal. Natal é a minha época favorita do ano. Mas agora que minha idade se aproxima da idade das personagens principais e a vida, (lê-se sociedade), me cobra essas respostas, de casamento, filhos e sexualidade, senti um incomodo com os filmes que antes gostava tanto. 

Mas quero deixar bem claro, não há nada de errado em querer ter filhos, constituir uma família, viver por certos padrões ou até querer encontrar a felicidade ao lado de alguém, muito pelo contrário. O errado se mostra quando não fazemos isso por escolha, mas sim para podermos nos encaixar no querer da sociedade. 

A mudança em relação aos filmes natalinos Originais Netflix foi sobre essa temática. Mesmo que a Netflix nem sempre tenha qualidade (“O bebê real” é um exemplo), quando se trata desse sub-gênero de filmes, a rede de streaming trouxe muitas escolhas natalinas.

Filmes para o público jovem adulto, filmes LGBT’S natalinos, protagonistas negros, filmes inteiramente femininos mostrando igualdade em representação e acrescentando um “quê” de magia, que traz um frescor em relação aos filmes do canal Hallmark. Não há dúvidas que apesar de 2020 ter nos apresentado desafios inesperados, a Netflix pagou pra ver e lançou títulos natalinos emocionantes, engraçados, modernos e sem perder a intenção. O que difere do canal Hallmark que se manteve na sua tradição.

Vou deixar de assistir a esses filmes?

Não sei, pois o espírito natalino ainda está muito presente pra mim. Mas hoje já assisto com outros olhos. Com olhos e uma mente adulta entendendo que essa representação sai da tela para se tornar a reprodução de padrões que lutamos diariamente para descontruir. Agora não mais sobre o Natal, mas sobre como a sociedade americana apresenta essa falsa qualidade. Você só é feliz ou só vai ser feliz se seguir esse caminho (lê-se com ironia).

Deveria ser só sobre Natal, mas se transformou em um manual de padrões. É saber separar o joio do trigo ou desistimos e deixamos pra lá? Conseguimos assistir essas produções porquê as histórias valem a pena, mesmo não contando histórias reais como a nossa? Ou simplesmente damos de ombro e colocamos a desculpa que é apenas uma vez no ano? 

Não sei. Apenas sei que, neste ano de 2020 temos muito o que pensar e também muito o que mudar. E talvez possamos começar buscando reproduções que realmente englobam o espirito natalino: a união acima de qualquer diferença. 

LISTA DE MELHORES FILMES DO CANAL HALLMARK


Sobre o Autor

Escritora, artista plástica, editora e criadora do ATM - Aqui é o lugarzinho que eu sinto pra escrever sobre os filmes que gosto!

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