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O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki: O cinema finlandês em sua melhor forma!

No sábado, 21 de maio de 2016 , a Finlândia fez história e ganhou seu primeiro Grande Prêmio Un Certain Regard. no Festival de 
No domingo 22 de maio, a Finlândia perdeu seu precioso campeonato de hóquei para o Canadá e ganhou prata.
Não tenho certeza se Olli Mäki é um filme importante do cinema finlandês. Mas tenho certeza de que precisamos de filmes como esse – filmes nos quais personagens não são apenas importantes, mas onde a identidade nacional ganha sua bela expressão.
A Finlândia não é um país de grande cultura, é um país desportivo. Na maioria das vezes, sua mania nos esportes, que parece ser sua única bravura, vai muito longe. Quando existe uma bravura indômita em se provar e depois se perde isso de uma forma tão fácil, o silêncio é um difícil pesar.  Aqui, depois de cada soco bem sucedido que Olli leva contra o oponente, segue uma onda de cheering inebriante. Quando ele desce, tudo se acalma muito mais rápido do que as coisas desenvolvidas até o ponto em que elas se desenvolveram. Depois de uma perda decepcionante no hóquei (para o qual as pessoas finlandesas agem com orgulho nacional) e performances decepcionantes e excessivas nos jogos olimpicos do Rio, O Dia Mais Feliz Da Vida De Olli Mäki é um necessário conforto para o cinema finlandês. 
A liberação do filme foi mais ou menos um espetáculo, pelo menos pareceu assim, mas ninguém realmente escreveu nada de grande sobre o filme após a sua curta vitória no Festival. Os jornais o elogiaram, 5 estrelas, que parece ser apenas a causa de sua vitória em Cannes. Suas primeiras exibições foram esgotadas, agora corre nos cinemas como todas as outras estreias internacionais. Mas se a Finlândia ganhasse o ouro no hóquei ano passado, as pessoas correriam para as ruas para assisti-lo. Onde está o orgulho nacional das artes? Na Finlândia, tais coisas não existem.
Mas o que nos preocupa com vitórias e perdas, quando a vida pode ser tão bonita? Os logos planos de Kuosmanen seguem de forma fixa seus protagonistas – O boxeador amador Olli Mäki, sua noiva Raija e o treinador Elis Ask. Olli está naturalmente no centro das atenções, mas o que mais me chamou a atenção foi que Raija não fica em segundo plano, não é uma história sobre o homem que tentou fazer grandes coisas, mas sobre esse casal e seus primeiros passos para a sua longa vida juntos. Em cada cena em que ela está, a sua presença nunca é esquecida e Kuosmanen a enquadra em todas as cenas, mesmo que ela permaneça no fundo – a atriz Oona Airola vive em cada plano que está e nunca apenas se rende para ser o “suporte de fundo”. O mesmo acontece com Elis Ask, que é interpretado pelo famoso Eero Milonoff.
Mesmo que no geral Olli Mäki não acrescente nada de novo quando refletido no cinema mundial, sua atmosfera (com justiça) criou críticas e outros espectadores em todo o mundo. Em um mundo onde tudo é tão importante (principalmente as coisas que realmente não são importantes), um filme como este é bem necessário. Aqui está uma chance de realmente amar seus protagonistas por serem tão honestos – este é um filme muito direto no melhor dos sentidos. Isso lembra mais o cinema clássico de Hollywood (ou o cinema finlandês) do que o cinema de hoje, onde tudo deve ser inventado ou para o qual toda ideia deve ser preenchida (ainda a maioria dos filmes nunca consegue dizer nada de novo). Kuosmanen aproveita cada quadro e cada momento neste filme, ele não se apressa, mas também não se contém, tudo é posto em cena de forma suficiente. O Aqui e o Agora de Olli ganha uma linda expressão por nossa risada solta, que se torna tão alta ao ponto de soltarmos lágrimas. Perfeito. 

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Pseudo escritora, artista plástica nas horas vagas. Criadora e colunista principal do site Cinema ATM.

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