O JOGO DA IMITAÇÃO (2014) – CRÍTICA

O Jogo da Imitação – ainda um retrato fiel do preconceito.

is.Essa crítica marca a terceira vez que assisto O Jogo Da Imitação, e por consequência, marca também a terceira vez que eu fico triste quando ele acaba ao lembrar que ele é baseado em fatos reais.

Benedict Cumberbatch vive o engenheiro analítico Alan Turing, que é selecionado para fazer parte de um time de especialistas que, buscam decifrar a máquina nazista Enigma e ajudar as forças aliadas a vencerem a guerra. Mais uma vez o ator mostra o porquê fora escolhido para grandes papéis como Sherlock Holmes e Doutor Estranho. Alan Turing foi um gênio e, como a maioria deles, possuía a habilidade social de uma pedra, seja por não compreender as nuances das relações pessoais ou simplesmente por não acreditar que mentes mais simples pudessem acompanhá-lo. Benedict consegue ser monstruoso na interpretação, com expressões de surpresa, impaciência, incompreensão e tristeza que passam tanta sinceridade, que é difícil não entender a situação do personagem.

No primeiro momento, assistimos a dificuldade de Alan em interagir, mesmo com pessoas tidas como os mais inteligentes de suas áreas.

O objetivo deles é tão difícil, justamente porque a máquina possui trilhões de possibilidades e eles possuem apenas 18 horas por dia para descobrir a combinação certa, que muda diariamente. A capacidade de seu raciocínio lógico de prever o resultado em frente a equação, atributo que não poderia ser alcançado por uma mente “menor”, faz Alan ridicularizar seus companheiros e busca criar uma máquina que fosse capaz de calcular essas possibilidades.

Quando ele termina seus planos e vai buscar a verba para sua máquina, comprovamos a incapacidade social de Alan se tornar uma dificuldade para seus objetivos. Ele procura formas para contornar isso buscando apoio em autoridades superiores e demitindo aqueles que não poderiam jamais compreender seus métodos.

Aí temos a peça fundamental para que tudo possa dar certo. Ao perceber que precisava de outras pessoas, Alan cria uma brincadeira para escolher novos membros e a surpresa fica por conta de Joan Clarke, interpretada por Keira Knightley, que me primeiro momento consegue destacar a opressão machista da sociedade, na época, ao ridicularizar a ideia de que ela, como mulher, possa ter sido aquela que resolve o problema transformado em brincadeira. 

A partir do momento que Alan trata Joan com o respeito que ela nunca recebeu na vida, ela busca ajudá-lo, não apenas a vencer a guerra como a vencer no dia-a-dia, conseguindo inclusive que seus colegas passem a gostar dele e apoiar seu projeto quando ele mais precisa.

O Jogo Da Imitação se passa quase inteiramente na base militar de Bletchey Park, mostrando a relação da equipe se aproximando até a conclusão da máquina, batizada carinhosamente de Christopher, por Alan. A guerra é apresentada como um plano de fundo distante, mas que está afetando a vida de todos. Ela faz com que soldados participem da proposta de emprego de Alan e muda a vida de diversas pessoas, a medida que as forças nazistas continuam avançando pela Europa, mas sem afrontar de forma direta a maior parte da equipe de Alan.

A forma simples como a última peça necessária se encaixa é quase tão malévola quanto o que desencadeia o final trágico do nosso herói. Sim, chamemos de herói, porque não existe spoiler quando o filme retrata fatos históricos e Alan Turing foi tudo o que o exército precisava para vencer. Como imaginar que uma pessoa com todas as dificuldades de se relacionar com o mundo, como Alan, foi capaz de não apenas se tornar, possivelmente, o maior analítico de seu tempo, projetar, EM SUA CABEÇA, a máquina que deu origem aos computadores, soube não apenas obter a informação, mas a forma mais efetiva de usá-la.

Apesar de na história não haver relatos de que Alan Turing tinha essas dificuldades de relacionamento, que é superada durante o filme, era perceptível que ele não era como as outras pessoas. Quando ocorre uma invasão na casa de Alan após o fim da guerra, o detetive interpretado por Rory Kinnear – o eterno primeiro ministro de Black Mirror – pensa que ele poderia ser um nazista escondido.

O Jogo Da Imitação é o relato de Alan para o detetive que acaba descobrindo que ao invés de nazista, Alan era homossexual, algo que era crime. A medida que a historia avança, acompanhamos a investigação do detetive achando que, caçava um criminoso de guerra e sua impotência que aos poucos compreende o mal que está causando para, possivelmente, o herói nacional mais injustiçado de todos os tempos. A história da infância de Alan serve para justificar o nome da máquina criada, seu interesse por códigos e seu distanciamento maior das pessoas. A conclusão triste de Alan talvez, seja o que traz mais aperto ao coração.

É muito doloroso imaginar o quanto ele sofreu após ter feito tanto pelo mundo, assim como tantas outras pessoas como ele foram levadas a tratamentos forçados para não aceitar o que são. Pensar que mais dois gênios como ele possam ter ido embora deste mundo, porque as pessoas não os entendiam é de amargar e faz com que o filme termine com essa sensação de que na guerra, que O Jogo Da Imitação trata, ninguém ganhou, uma vez que ambos os lados eram intolerantes aqueles que não seguem os padrões impostos pela sociedade.


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Equipe Nerdolooucos
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